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20/12/2020 12:33:42
"Jogar bola com os amigos; formar um grupo para jogar RPG de mesa; juntar os amigos para conversar. Essas três formas de relações parecem triviais quando lidas, e de certa forma, definem uma estrutura social composta por pessoas, que também pode ser constituída por organizações, que compartilham objetivos ou valores comuns. Ou seja, uma rede social.
Pode-se dizer que as redes sociais sempre existiram entre os seres humanos, e se é verdade que o humano é um ser social, então, as redes sociais fazem parte de nossa estrutura base. Pode-se dizer, também, que são várias as formas de se construir uma rede social, como, por exemplo, as redes sociais comunitárias, constituídas em bairros e cidades para reunir interesses comuns dos habitantes, e redes sociais profissionais, que fortalecem o contato profissional de um indivíduo visando ganhos pessoais no futuro. Porém, sem sombra de dúvidas, a rede social que mais cresceu nos últimos anos e que mudou toda a forma com que os humanos se comunicam foi a rede social virtual.
Uma das primeiras redes sociais virtuais que se tem notícia foi a Bulletin Board System, ou BBS, que surgiu por volta da década de 70. Por outro lado, as mídias sociais online que conhecemos hoje deu seus passos iniciais a cerca de 25 anos atrás, como comunidades virtuais generalizadas hospedadas em sites como o Geocites e o Tripod. A grande explosão, porém, veio em 2004, com o surgimento do Orkut, seguido logo depois pelo Facebook, derrubando as fronteiras do mundo e conectando pessoas em qualquer lugar do globo, causando um impacto social enorme e diminuindo a distância entre pessoas de outros países.
Hoje existem várias redes sociais espalhadas pela internet, sendo as mais famosas, além do Facebook, o Youtube, o Twitter, o Instagram e o Whatsapp. O mundo mudou desde então, e as redes sociais virtuais se tornaram parte do dia a dia das pessoas, porém, toda grande mudança gera consequências. Um estudo realizado pela instituição inglesa chamada Royal Society for Public Health aponta que o uso das redes sociais provoca efeitos negativos, como a falta de controle do ciúme; o monitoramento exagerado da vida de ex-parceiros; a necessidade de autoafirmação; uma acentuada exposição da vida pessoal, dentre outros. Já um artigo publicado no The Atlantic aponta uma ligação direta com o aumento da ansiedade e da depressão, principalmente entre os jovens de 14 a 24 anos.
Interessante notar que, em pesquisa realizada com mais de 1400 jovens do Reino Unido, a rede social considerada mais nociva foi o Instagram e o Snapchat, ambas as redes sendo baseadas em fotos e imagens, enquanto a mais positiva foi o Youtube. No caso do Instagram e do Snapchat, segundo a pesquisa, o problema centrou-se na questão da autoimagem, da autoidentidade, das fotos de conquistas e felicidades alheias, sendo associada a níveis altos de depressão, ansiedade, graças a impressão de que a vida do outro é fantástica, além do cyberbullying.
Cerca de 70% dos homens que participaram do estudo afirmaram que o uso do Instagram ou do Snapchat faziam com que eles se sentissem piores em relação a sua própria imagem, e quando os estudos se voltam para as mulheres, o número é ainda maior, subindo para 90%. A imagem corporal é um problema principalmente na adolescência, e um outro estudo aponta que são as redes sociais virtuais que estão por trás do aumento de procuras por cirurgias plásticas entre os jovens. Infelizmente, não é apenas a imagem corporal ou a autoidentidade que gera problemas entre os mais jovens. O sedentarismo ou a obsessão pela busca do corpo perfeito, o medo de estar perdendo algo nas redes sociais online e a sensação de isolamento social são outras questões problemáticas levantas pelos jovens.
Mas será que não existem efeitos positivos nas redes sociais virtuais? Sim, existem, e são vários. A mesma pesquisa realizada no Reino Unido aponta que, dependendo da forma como se usa a rede social virtual, existe uma construção de sensação de comunidade, de pertencimento a uma sociedade (mesmo que virtual). Ainda segundo a pesquisa, cerca de 70% dos entrevistados comentaram que tiveram algum tipo de ajuda nas mídias sociais em momentos difíceis de suas vidas, sendo o Facebook seu maior aliado. Um bom exemplo de benefícios oriundos das redes sociais foi o que aconteceu com a hashtag #MeToo, que reuniu histórias de mulheres que sofreram abusos sexuais e mantiveram em segredo. Postagens, troca de mensagens e comentários positivos também são efeitos benéficos das redes sociais, principalmente para as pessoas que sofrem de depressão e solidão, principalmente nesse momento em que vivemos uma pandemia, pois, graças as mídias sociais digitais, as pessoas puderam manter contato com seus entes queridos.
O mundo hoje está conectado, e apesar das fronteiras entre países terem sido rompidas virtualmente, a única barreira que parece impedir as redes sociais virtuais de se transformarem definitivamente na nova forma de interação entre as pessoas é a língua. Porém, grandes empresas como Google e Microsoft trabalham o tempo todo em tradutores simultâneos universais, e a barreira do idioma está para ser destruída. É muito difícil prever qual será o real futuro das redes sociais virtuais, mas é inegável que elas aproximam as pessoas, principalmente as que estão distantes. Também parece ser evidente que o uso indevido das redes sociais traz problemas, porém, se usada de maneira correta, as mídias sociais virtuais podem ser um ótimo aliado para pessoas com problemas de solidão ou de relacionamento social."
As redes sociais estão te fazendo bem? Veja o que a ciência diz. Medley, 2019. Disponível em: <https://www.medley.com.br/blog/saude-social/redes-sociais-fazem-bem-ou-mal>. Acesso em: 10 nov. 2020.
Como o uso de redes sociais impacta nossa saúde mental? bluevision, 2019. Disponível em: < https://bluevisionbraskem.com/desenvolvimento-humano/como-o-uso-de-redes-sociais-impacta-nossa-saude-mental/>. Acesso em: 10 nov. 2020.
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VARELLA, Drauzio. Mídias sociais e saúde mental. Drauzio, 2020. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/midias-sociais-e-saude-mental-artigo/>. Acesso em: 10 nov. 2020.
PIMENTA, Tatiana. Quais são os impactos das redes sociais em nossa saúde mental? vittude, 2020. Disponível em: < https://www.vittude.com/blog/impactos-redes-sociais-saude-mental/>. Acesso em: 10 nov. 2020.