fjrsilva2009@gmail.com
05/12/2020 22:37:44
Em uma sociedade que caminha gradativamente para uma total integração das demandas diárias com o meio digital e que testemunha o aumento da necessidade de estarmos cada vez mais conectados, podemos dizer que a cada dia estamos mais inseridos na era digital. Nessa perspectiva, se faz necessário pensar na inclusão digital, que tem por objetivo melhorar as condições de vida dos indivíduos e da comunidade local e global, por meio do uso de tecnologias.
Comumente o termo inclusão digital está associado a ideia de somente fornecer a tecnologia, o que não condiz com a real proposta do termo, e essa interpretação equivocada leva a propostas tais como, ofertar os equipamentos sem avaliar as devidas necessidades para o seu uso. Um exemplo dessa interpretação, ocorre quando escolas recebem kits de ferramentas tecnológicas (kits de robótica, computadores, etc.) sem que a escola tenha recursos físicos e pessoais para utilizá-los e nada é feito para sanar essas carências. Se pensarmos em uma solução mais coerente com a proposta da inclusão digital para essa situação ela poderia ser, a oferta dos equipamentos juntamente com a infraestrutura que seja necessária para seu funcionamento, como também explanar para a coordenação e para os professores as possibilidades que aqueles recursos tem para que mudanças sociais possam ocorrer no cotidiano dos estudantes como também para a comunidade, seja por uso direto ou indireto de tal tecnologia.
O acesso aos serviços básicos, como saúde, segurança e educação, embora garantidos pela constituição, não chegam de fato a todos os cidadãos. O que nos traz para uma problemática em relação a inclusão digital, se não tenho acesso à educação e saúde como posso ter acesso aos meios digitais?
Se levarmos em consideração os números de dispositivos digitais (smartphones, PCs, tablets, etc.) em uso no país em comparação ao números de brasileiros, temos um quantitativo de quase dois dispositivos por habitante, o que se analisarmos na perspectiva social, podemos facilmente constatar que essa distribuição não se dá de forma homogênea, sendo a maior concentração dos dispositivos nas camadas sociais mais privilegiadas. Nesse contexto, podemos ver de maneira mais clara um processo de exclusão digital, que ocorre diretamente relacionada a organização social, onde as classes economicamente mais altas tem acesso a todos os serviços com a devida qualidade, enquanto as classes mais pobres são frequentemente colocadas à margem, sem acesso ao básico. Quando trazemos para a perspectiva da inclusão digital podemos ver que essa marginalização dificulta para que os grupos economicamente mais vulneráveis participem dessa inclusão, pois poucas ações políticas e sociais abordam de maneira eficiente essa problemática.
Tendo em vista tudo que foi abordado até o momento, esses fatores se tornam mais agravados nesses tempos de pandemia, onde a utilização dos recursos digitais se tornou e vem se tornando cada vez mais necessários e presentes fazendo com que exclusão digital se torna mais explicita. Vimos trabalhadores que não puderam continuar seus trabalhos pois, não dispunham dos recursos necessários em suas casas para tal, assim como, estudantes que não puderam acompanhar os conteúdos pois, não tiveram acesso à internet para assistir as aulas que passaram a ocorrer de forma online. E esses casos não se dão de forma isolada, mas sim com um grande número de pessoas que em sua maioria são das classes sociais mais vulneráveis.
Enquanto sociedade devemos sim pensar em como garantir que todos possam vivenciar a inclusão digital, contudo não podemos nos permitir continuar a cair na falácia de que dar o equipamento será a melhor forma de promover a inclusão digital, mas sim devemos olhar a inclusão digital como uma agente que pode e vai trazer uma melhor condição social, mas para que esse papel possa ser desempenhado as condições básicas devem ser garantidas não somente na lei como também na realidade.
REBELO, P. Inclusão digital: o que é e a quem se destina?, 2005. Disponível em: https://webinsider.com.br/inclusao-digital-o-que-e-e-a-quem-se-destina/. Acesso em 05 de dez. 2020.
FGV. Brasil tem 424 milhões de dispositivos digitais em uso, revela a 31ª Pesquisa Anual do FGVcia. 2020. Disponível em: https://portal.fgv.br/noticias/brasil-tem-424-milhoes-dispositivos-digitais-uso-revela-31a-pesquisa-anual-fgvcia. Acesso em 05 de dez. 2020.
FRANÇA, C. Inclusão Digital. 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-VlKgZaRkvw&feature=emb_logo. Acesso em 05 de dez. 2020.