rannierylp@gmail.com
05/12/2020 21:45:10
Para entender a dinâmica do e-commerce se faz necessário observar diversos aspectos da sociedade, uma vez que esta modalidade de comércio carrega consigo características provenientes de diversos períodos passados da história da humanidade. A cerca de 10 mil anos atrás, no período neolítico, com o surgimento da agricultura e da criação do gado, tornou-se favorável a troca de trabalho por produtos ou produtos por outros produtos. De lá para cá passamos por diversas transformações socioeconômicas, mudanças de paradigmas e revoluções industriais. Na primeira revolução tivemos como destaque a máquina a vapor que revolucionou o mercado têxtil, e na segunda a chegada de novas máquinas, produtos e até robôs durante a segunda metade do século 20. Posteriormente concretizou-se a terceira revolução industrial, que teve início após a segunda guerra mundial com a integração da ciência e produção, também chamada de revolução tecnocientífica.
Em 1994 na garagem de sua casa, Jeff Bezzos dava início ao que hoje conhecemos como e-commerce(comércio eletrônico) através de sua loja de livros na internet; a Amazon, que hoje se destaca entre as maiores empresas do ramo. De lá para cá passamos por revoluções dentro do próprio e-commerce e a Amazon continua em destaque devido à sua postura inovadora, expandindo seu mercado para vender eletrônicos, software, móveis, etc.
Uma dessas transformações foi o chamado Marketplace, que nada mais é do que a virtualização de shopping centers(shopping mall). Empresas como a já citada Amazon, a Alibaba e o Mercado Livre, fornecem uma loja em seus sites para que pessoas e empresas possam vender seus produtos para consumidores. Além de “emprestar” a credibilidade e visibilidade de suas empresas, alguns marketplaces oferecem meios de pagamento e até mesmo toda uma logística própria e/ou de parceiros.
Na última década o comércio eletrônico vem conseguindo uma fatia cada vez maior nas vendas realizadas no mundo. Foram movidos cerca de 3 trilhões de dólares em 2018 no setor, e com projeções para alcançar cerca de U$ 4 trilhões até o fim deste ano. Nos EUA, em 2019, 14,3% de suas transações comerciais aconteceram por intermédio da internet e está previsto para que alcance 16% no início da próxima década. Já no Brasil os números são igualmente impressionantes: no ano de 2019 foram movimentados R$ 80 milhões, e a projeção para até o fim deste ano (2020) é que esse valor alcance R$ 87 milhõe. Ano que vem a impressionante marca de R$ 95 milhões deve ser atingida.
Como nossa sociedade mudou com o e-commerce? Antes, se quiséssemos comprar um celular novo, teríamos que nos deslocar até uma loja de aparelhos. Se quiséssemos comer algo? Teríamos que ir a um restaurante. Chegamos num ponto em que pessoas vão em livrarias, lojas de games, supermercados, etc. apenas para consultar o valor e comparar com o de uma loja virtual e em seguida efetua a compra nesta última. No Brasil, atualmente 74% da população possui acesso a internet de alguma forma; destes, 107,3 milhões de pessoas utilizam a internet através de seus smartphones. Se você estiver com vontade de comer sushi ou pizza, ou até mesmo precisa fazer as compras do mercado, é possível realizar isso do conforto de sua casa em alguns segundos com alguns toques no smartphone, e logo um entregador toca sua campainha.
Na atual pandemia, muitos mercados foram afetados negativamente. Os setores de transporte, fábricas de automóveis, artistas, etc. sofreram um grande impacto com as medidas de distanciamento social. Entretanto, o e-commerce seguiu o caminho contrário: só a Amazon teve crescimento de U$ 25,51 bi. No Brasil o setor disparou 40% na primeira quinzena de março de 2020 em comparação com o mesmo período no ano passado. Diversas empresas tiveram que se reinventar, as que não possuíam entrega de produtos tiveram que mudar esse cenário, tendo migrado para algum marketplace ou criado sua própria plataforma. Aquelas que não tomaram a mesma atitude enfrentaram grandes problemas e algumas até fecharam as portas.
Apesar de tudo isso, existem muitas pessoas que ainda têm medo de comprar online. Cerca de 30% da população, ou seja, 1 em cada 4 brasileiros tem medo de realizar compras pela internet. Os principais fatores para essa ressalva são: medo de sofrer algum golpe em algum site falso, fornecer dados sensíveis como o CPF e clonagem de cartão de crédito. Este medo não é totalmente infundado, tendo em vista inúmeros relatos de golpes aplicados em uma aquisição feita na WEB, desde phishing, garrafas d'água no lugar de notebooks, produto não original ou diferente do que foi comprado, até mesmo receber produtos defeituosos sem a possibilidade de conseguir uma troca porque a página simplesmente desapareceu. 12 milhões é o número de brasileiros que já caíram em algum desses golpes, totalizando R$ 1,8 bi em prejuízos.
Para evitar ser um dos “felizardos” a caírem nesses golpes deve-se tomar alguns cuidados na hora de realizar uma aquisição. Dentre eles inclui-se checar se a página possui o protocolo SSL(Páginas https), evitar clicar em links recebidos por e-mail, checar se você realmente está na página que acredita estar (amerlcanas.com.br não é a americanas.com.br), pesquisar se existem reclamações desta loja, além de pensamento crítico em preços muito tentadores. Seguindo recomendações como estas é possível desfrutar de um e-commerce vantajoso e seguro.
BRIGATTO, Gustavo. Acesso à internet cresce no Brasil, mas 28% dos domicílios não estão conectados. Valor Globo, 2020. Disponível em: <https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/05/26/acesso-a-internet-cresce-no-brasil-mas-28percent-dos-domicilios-nao-estao-conectados.ghtml> Acesso em: 05/12/2020
BRANCO, Anselmo Lázaro. Revoluções industriais - Primeira, segunda e terceira revoluções. Educação UOL, Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/revolucoes-industriais-primeira-segunda-e-terceira-revolucoes.htm> Acesso em> 05/12/2020
FILGUEIRAS, Isabel. 12 milhões de brasileiros são vítimas de golpes na internet; veja os mais comuns. Valor Investe, 2019. Disponível em: <https://valorinveste.globo.com/objetivo/gastar-bem/noticia/2019/08/15/12-milhoes-de-brasileiros-sao-vitimas-de-golpes-na-internet-veja-os-mais-comuns.ghtml> Acesso em: 05/12/2020
Relatório anual do e-commerce em 2018 e tendências para 2019, NuvemCommerce, 2019. Disponível em: <https://www.nuvemshop.com.br/ebooks-ecommerce/relatorio-anual-comercio-eletronico-2019/?utm_medium=education-partner&utm_campaign=nuvemcommerce19&utm_source=abcomm> Acesso em: 05/12/2020