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05/12/2020 16:15:33
A democratização da tecnologia em constante crescimento desde a última virada do século causou diversas mudanças na sociedade como costumava-se conhecer. O comércio eletrônico é uma das áreas que surfou nesta onda de inclusão digital, chegando a crescer consideravelmente mesmo em um ano de crise sanitária e econômica mundial, com o advento da pandemia de COVID-19, segundo um recente estudo da Kearney. Mas sobre quais pilares este mercado cresceu exponencialmente e como se mantém mesmo em um cenário adverso como o atual?
A COVID-19 estagnou vários setores econômicos com a paralisação das atividades para tentar impedir a contaminação desenfreada do vírus no país. Isso fez com que várias áreas fossem severamente prejudicadas, como transporte, educação, metalurgia e fabricação de veículos automotores, segundo o jornal O Estado de São Paulo. Mas o comércio eletrônico parece ir na contramão dessa queda em massa das atividades econômicas, podendo registrar quase 50% a mais em faturamento que o ano de 2019, segundo o portal E-Commerce Brasil. O conforto, disponibilidade e a segurança proporcionados pela compra sem sair de casa já eram motivos relevantes para o setor apresentar números crescentes na última década, se tornam ainda mais notáveis considerando o perigo eminente de contágio ao sair de casa e enfrentar aglomerações para realizar uma compra.
O pequeno empreendedor também se beneficia desse formato, uma vez que o alcance online pode ser substancialmente maior em comparação a limitações físicas de localização e o acesso à redes sociais também acompanha o crescimento. Neste ponto, o fato do brasileiro estar utilizando cada vez mais o celular contribui para o aumento das compras virtuais. De acordo com recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 95% dos acessos a internet no Brasil são realizados via celular e 85% dos brasileiros que possuem celular, compram online, segundo levantamento da Opinion Box em 2019. Este conjunto de fatores são contribuintes para este comportamento positivo do e-commerce no país.
As redes sociais acompanham a mudança e entendem a relevância do comércio eletrônico nos dias atuais. O Instagram e Facebook adicionaram recentemente áreas exclusivas para criação de lojas e navegação por compras em seus devidos aplicativos. Esta praticidade se mantém aliada à comodidade na hora de fazer as compras, e os poucos embargos estão relacionados a segurança, uma vez que qualquer tipo de pessoa pode anunciar online, e os meios de avaliar o nível de confiança de uma loja virtual qualquer ainda são muito subjetivos. Um comércio pouco conhecido e não confiável pode prejudicar diversos outros comércios pouco conhecidos porém confiáveis, uma vez que popularidade não necessariamente representa um parâmetro justo para avaliar a segurança deles. A utilização de plataformas de vendas online, como o Mercado Livre ou Americanas, que funcionam como agregadores de lojas virtuais menores soa como uma solução razoável para estes problemas, uma vez que grande parte delas garantem a segurança do cliente e trabalham com políticas de reembolso no acontecimento de alguma avaria ou não entrega do produto. Estas plataformas, conhecidas como marketplaces, são responsáveis por 78% do faturamento do e-commerce brasileiro, de acordo com a 42ª edição do Webshoppers. Estes agregadores, que funcionam como shoppings centers virtuais garantem essa segurança ao cliente e promovem uma visibilidade ao pequeno comerciante virtual, ainda que estimulem uma certa dependência e encarecimento dos preços devido às taxas cobradas.
De fato não faltam opções tanto para o consumidor quanto para o vendedor no que diz respeito aos meios deste ""relacionamento virtual"". A grande democratização recente do acesso a internet atingiu pessoas de diferentes idades e classes sociais, quebrando a barreira da complexidade gerada pela falta de conhecimento dos meios virtuais de grande parte da população há uma década atrás. Hoje, o acesso à internet é mais generalizado e os meios se tornaram mais acessíveis. Redes sociais são amplamente utilizadas e não é por acaso que o e-commerce parece tomar cada vez mais conta destes ambientes virtuais, e a pandemia de COVID-19 acentuou a velocidade deste processo, uma vez que em vários momentos, o virtual teve de ser a única escolha para realizar alguns tipos de compras e encontrar certos produtos. Em uma sociedade movida pelo consumo, o meio de consumir tende sempre a se tornar mais acessível para retroalimentar o infindo ciclo.
BOWLES, Esteban. A Covid-19 e a transformação do comércio eletrônico no Brasil. E-Commerce Brasil, 5 de ago. de 2020. Disponível em: <https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/a-covid-19-e-a-transformacao-do-comercio-eletronico-no-brasil/#:~:text=Ele%20indica%20que%20as%20compras,mercado%20faturou%20R%24%2075%20bilh%C3%B5es.&text=No%20otimista%2C%20o%20crescimento%20m%C3%A9dio,marca%20dos%20R%24%20250%20bilh%C3%B5es.>. Acesso em: 5 de dez. de 2020.
MARKETPLACE é responsável por 78% do faturamento do e-commerce brasileiro. Mercado e Consumo, 31 de ago. de 2020. Disponível em: <https://mercadoeconsumo.com.br/2020/08/31/marketplace-e-responsavel-por-78-do-faturamento-do-e-commerce-brasileiro/>. Acesso em: 5 de dez. de 2020.
TOKARNIA, Mariana. Celular é o principal meio de acesso à internet no país. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 29 de abr. de 2020. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-04/celular-e-o-principal-meio-de-acesso-internet-no-pais>. Acesso em: 5 de dez. de 2020.
RONDINELLI, Júlia. E-Commerce Brasil, 11 de out. de 2019. Disponível em: <https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/85-dos-brasileiros-compram-online/>. Acesso em: 5 de dez. de 2020.