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05/12/2020 13:14:30
O modo como a sociedade organiza-se é intrinsecamente determinado pelo modo de produção. De início, todas as produções e os comércios eram por meio de manufatura, isso significa que a sociedade organizava-se de acordo com esse tipo de produção, a humanidade produziu pouco, lentamente e de forma artesanal, logo, era consumido pouco e de forma lenta. Até que surgiu a primeira revolução industrial, das máquinas a vapor, onde intensificou-se a produtividade e diminuiu o tempo de produção, a partir disso a sociedade começou a consumir mais e em uma velocidade superior, essa primeira fase das revoluções ocorreu entre 1760 e 1850. Após esse primeiro momento, houve a segunda revolução industrial, da eletricidade, utilização do petróleo e principalmente o aperfeiçoamento das tecnologias já existentes, se antes era produzido e consumido muito, nessa etapa quase que aumentou exponencialmente, tudo isso ocorreu entre o fim do século XIX até meados do século XX com o fim da segunda guerra mundial. A terceira revolução industrial veio para mudar tudo, conhecida como revolução tecnocientífica, os avanços, nesse período, não mais era apenas na área industrial, mas, principalmente na área científica levando ao recrudescimento da globalização[1]. Hoje, a humanidade vive a quarta revolução industrial, a que muitos arriscam dizer que é a mais brusca dentre todas, porque essa está inerentemente unida com a inovação, vivencia-se a revolução digital. Os seres humanos estão binarizando tudo, todas as coisas estão sendo traduzidas para o computador entender, seja imaginação, diversão, empreendedorismo, dinheiro e, dentre diversos outros exemplos, principalmente, a informação. Assim, como dito anteriormente, quando muda-se o modo de produção, muda como a sociedade organiza-se, portanto, quem não dominar ou ter acesso ao mundo digital será excluído cada vez mais do âmbito social. A partir disso, é interessante entender sobre exclusão digital e suas principais causas, além de analisar a inclusão digital e a acesso a tecnologia com a finalidade de entender as variações e a importância desse tema para a sociedade verde-amarela.
A priori é imprescindível compreender o que é exclusão digital, com o objetivo de fazer uma análise com relação a suas principais dores provocadas na sociedade. O [2] define exclusão digital como: “Uma desigualdade no acesso à internet ou às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)”. Isso implica dizer que as pessoas que não acompanham os avanços e inovações seja porque não tem condições econômicas ou até mesmo por não saberem utilizar tais tecnologias ficam à margem da sociedade. Por exemplo, uma pessoa pode até não conseguir um emprego, partindo do pressuposto que tenha-se um pré-requisito mínimo de utilização de alguma tecnologia. Pode-se citar ainda um fato impactante na vida de milhares de pessoas durante essa Pandemia da Covid-19, alunos que não conseguiram ter acesso aos ensinos remotos, gerando um déficit de aprendizado gigantesco criando problemas que são além da exclusão digital, a desigualdade de acesso ao básico, a educação.
Outro problema vigente relacionado a desigualdade digital é com relação ao mal uso dessas tecnologias, tal grupo de pessoas são mais suscetíveis a ataques de “hackers”, golpes e as conhecidas “Fake News” (Notícias Falsas). Isso se dá porque esses não conseguem acessar as informações de qualidades e acabam acreditando em notícias falsas e em golpes, tais notícias falsas são utilizadas para influenciar pessoas a terem algum tipo de posicionamento contrário a realidade. Um exemplo claro são as informações acerca dos cuidados primordiais da Pandemia e o movimento anti-vacina que vem crescendo ultimamente. Segundo o sociólogo alemão Max Weber, toda ação individual é reflete em uma ação social que é dividida em quatro tipos, uma dessa é em relação a valores, ou seja, não é a finalidade que orienta a ação, mas sim os princípios morais, quer sendo ético, político ou até mesmo religioso. Isso implica dizer que por não acessar informações de qualidades e as fake news serem mandadas para grupos que possuem uma tendência maior de aceitação baseadas nos valores desse grupo, constitui-se uma dor provinda da exclusão digital que deverá ser analisada com muita cautela. Desse modo, fica claro que a exclusão digital em um dos grandes males gerados pela quarta revolução supracitado.
Ainda, é notório que a sociedade brasileira marginaliza as pessoas que utilizam tecnologias de baixa qualidade. Isso pois a grande maioria dos brasileiros não possuem condições de ter a tecnologia de ponta e acabam utilizando celulares, computadores e tablets ruins, sendo assim utilizando softwares que são suportados por essas TICs. Pode-se observar a crescente do jogo Free Fire, que é um game que não precisa de um Hardware de alta qualidade e vem trazendo um público muito bom para o E-sports. Tal público certamente nunca soube o que era ser um “gamer” (expressão usada para os jogadores assíduos de vídeo game), muitos deles não tinha condições de acesso aos jogos mais modernos. A grande parte dessas pessoas que jogam Free Fire são de baixa renda, e encontram hoje, nesse jogo, uma nova fonte de renda, quer seja jogando e ganhando em campeonatos quer seja criando conteúdos para internet. Em contrapartida, existe uma forte resistência da comunidade gamer para com o Free Fire e essa nova geração, apenas porque esse jogo não apresenta gráficos excepcionais.
Por fim, a desigualdade digital e exclusão digital apenas é combatida com a inclusão digital. para isso, é necessário uma ampliação no programa de governo que dá infraestrutura e acesso às TICs, percebe-se que essas tecnologias no Brasil estão muito caras e milhares de pessoas não possuem acesso ao mínimo hoje que é a internet. Além disso, é importante que as escolas desde já incluam na sua carga horário a disciplina de educação digital, com a finalidade de que o cidadão desde cedo compreenda o poder que essas tecnologias possuem e saibam utilizá-las de maneira correta e segura. Ainda, pode-se cada vez mais incentivar os jovens de baixa renda a ingressarem no ramo dos E-sports, assim como qualquer outro tipo de esporte é preciso que a sociedade acabe com o preconceito existente, seja porque o jogo é de baixa qualidade ou até porque simplesmente é um jogo eletrônico. Portanto, reitera-se que a inclusão digital deverá ser amplamente debatida a fim de que a aceite melhor essa nova versão do planeta terra e da humanidade, precisa-se entender de uma vez por toda que vivemos no mundo digital.
[1] Neves, Daniel. Revolução Industrial. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-industrial.htm#:~:text=O%20trabalhador%20na%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20Industrial,capacidade%20artesanal%20daquele%20que%20produzia. Acesso em: 04/12/2020.
[2] A exclusão digital no mundo e por que provoca desigualdade. Iberdola, 2020. Disponível em: https://www.iberdrola.com/compromisso-social/o-que-e-exclusao-digital#:~:text=As%20causas%20podem%20ir%20desde,t%C3%AAm%20de%20acessar%20este%20recurso. acesso em: 04/12/2020
[3] Cabral, João Francisco P. A definição de ação social de Max Weber. Brasil Escola, 2020. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-definicao-acao-social-max-weber.htm. Acesso em: 05/12/2020.