O papel da Matemática na Fenomenologia de Lambert e Kant
Luciano Bittencourt
Lambert e Kant são dois pensadores do século XVIII cuja filosofia é marcada pela tentativa de superar os limites da metafísica enquanto ciência tomando como base a referência ao conhecimento matemático – mais especificamente a geometria. Nessa linha, ambos se diferem pouco de seus principais contemporâneos como Wolff, Thomasius, Crusius, Rüdiger, Hoffmann, entre outros, no entanto, é na adoção do método fenomenológico como instrumento de investigação e do esforço em conciliar o hipotético e o formal ao categórico e material na interpretação da matemática e, consequentemente, na fundação da metafísica que os dois filósofos se destacam no cenário do racionalismo alemão.
Esta apresentação visa destacar que, em se tratando de Lambert, que se apoiou na reinterpretação de Euclides e na crítica do trabalho empreendido por Wolff, o projeto de alcançar o procedimento genético subjacente à matemática não alcançou o êxito esperado. Principalmente, porque, diferente da Kant, Lambert não apresenta algo inovador nesse processo. Apesar de expor um novo questionamento e uma reflexão bastante rigorosa, sua abordagem filosófica ainda é realizada de forma tradicional. Kant, por sua vez, dá um salto significativo ao aprimorar suas concepções matemáticas apresentadas no Preisschrift e lançar, na Crítica, a formulação dos juízos sintéticos a priori.