A função simbólica e função cognitiva das expressões nas Investigações Lógicas de Husserl
Diogo Santos Franco
Pretende-se para esta comunicação expor brevemente considerações a respeito da função simbólica e função cognitiva das expressões em Husserl tendo como foco o conhecimento. Em outras palavras, havendo como ponto de partida os atos que conferem a significação e os atos que preenchem a significação presentes na primeira investigação lógica, adentraremos por consequência no conceito de conhecimento em Husserl.
Para que tal busca seja realizada veremos, por um lado, de que modo as expressões visam algo por meio de significações, ou seja, a intenção significativa. Por outro lado, de que modo tais intensões significativas podem ocorrer – ou não ocorrer – em conjunto com a intuição preenchedora da significação. É a partir da possibilidade de preenchimento ou não preenchimento das significações que somos levados para uma distinção importante entre a função simbólica e a função cognitiva das expressões.
Na primeira parte desta comunicação será exposto como Husserl descreve as expressões em sua função apenas no âmbito dos signos linguístico, a saber, em sua função simbólica. Já na segunda parte, veremos como o filósofo descreve as características das expressões em sua função simbólica somada à sua função cognitiva, isto é, a significação e o respectivo preenchimento intuitivo.
A saber, há expressões que podem ser proferidas mas não podem ser intuídas, como por exemplo, a expressão “quadrado redondo”, só poderá exercer a função simbólica, pois não podemos intuí-la; há expressões que podem ser proferidas, mas no devido momento não pode ser intuída, exercendo sua função simbólica e reservando a cognitiva, é o caso de expressões que seu objeto visado ainda não foi intuída por nós; por último, temos as expressões que no momento em que são proferidas, podem ser intuídas, como ao pronunciar a expressão “maçã” quando o objeto da expressão estiver presente, ou presentificado.
Segundo Husserl, em suas investigações lógicas, e principalmente no §16 da sexta investigação, para que seja possível o conhecimento, deve haver também a possibilidade de adequação entre a função simbólica e a função cognitiva das expressões, isto é, deve haver a possibilidade de adequação entre a intenção de significação e intuição correspondente.
Ademais, quando há tal adequação, ainda existem graus de conhecimento que se distinguem pela vivacidade de suas intuições, isto é, por exemplo, presentificar por meio das imagens da fantasia o objeto maçã, é menos vivaz do que o objeto presente em nossas mãos.
Logo, quando foi dado a título de exemplo a expressão “quadrado redondo”, podemos tirar como conclusão, que esta expressão não tem validade cognitiva, isto é, não é possível conhecimento do objeto visado pela expressão. As distinções entre função simbólica e função cognitiva dos signos linguísticos são de suma importância para a teoria do conhecimento presente em Husserl e para discussões posteriores na filosofia contemporânea.