Unidade sem simplicidade: Brentano e Herbart
Gabriel L. Duarte
O conceito de unidade da consciência presente na Psicologia do ponto de vista empírico (1874) de Franz Brentano é desenvolvido em diálogo com o conceito herbartiano de unidade absoluta da alma. A concepção brentaniana de que o conceito de unidade não implica em simplicidade, a partir do qual o filósofo desenvolve a noção de uma “unidade complexa de consciência”, ou seja, uma unidade constituída de múltiplas partes de diferentes tipos, constitui uma oposição direta à concepção herbartiana de que toda unidade deve ser simples para preservar o princípio lógico de identidade e não contradição. O objetivo dessa comunicação é expor o conceito brentaniano de unidade da consciência desenvolvido na sua psicologia de 1874 sobre a luz do projeto herbartiano de fundamentação de uma psicologia científica, onde os conceitos de unidade e simplicidade desempenham um papel essencial para esclarecer o que Herbart considera como o conceito fundamental e imprescindível da psicologia, nomeadamente a alma.