Marcus Vieira / jornalista
Publicado em 31/01/23
O trabalho que vem sendo realizado de apoio aos Ambientes de Inovação da Rede Federal de Ensino conta com uma ampla gama de parceiros. Alguns deles nós vamos conhecer agora, para entender melhor como tem sido o desafio de capacitar as nossas equipes.
Profissionais que estão há bastante tempo atuando na área da inovação são os consultores, credenciados pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), e responsáveis pelas capacitações e acompanhamento frequente junto aos coordenadores de 20 ambientes localizados em todo o País.
Reuniões e encontros periódicos acontecem para que os coordenadores dos Ambientes de Inovação possam prestar contas das etapas e buscar mentoria para os desafios que enfrentam.
Celso Roberto Perez é um dos consultores credenciados que está atuando na área da inovação e empreendedorismo há mais de duas décadas. Após seu doutorado em Ciência da Computação (UFPE) ele atuou na implantação de um Parque Tecnológico em Recife (PE) em meados do ano 2000 e, de lá para cá, seguiu se especializando no setor.
“Naquela época fui desafiado a começar a implantação de incubadoras e tive que buscar conhecimentos e experiências em outros lugares para aprender mais. Vi o quanto podíamos avançar e me apaixonei pelo assunto”, relembrou.
Ele conta também que, por volta de 2010, se envolveu na criação de um modelo de como implantar e aperfeiçoar as incubadoras, que deu origem ao que hoje conhecemos como Cerne. O Cerne é um modelo de gestão criado pela Anprotec, em parceria com o Sebrae, que visa promover a melhoria dos resultados das incubadoras em termos quantitativos e qualitativos.
“Começamos fazendo um diagnóstico das principais necessidades e problemas que cada ambiente tinha e hoje temos visto grandes avanços no amadurecimento das equipes”, diz Celso.
O Cerne é composto também de etapas. Seu primeiro nível de maturidade possui foco no empreendimento e a meta de gerar empresas inovadoras. O segundo concentra-se na própria incubadora, na sua gestão como organização. Já o Cerne 3 avalia se a incubadora tem destaque no seu ecossistema local, se é atuante ali e se consegue estabelecer parceria, enquanto o quarto nível mede a internacionalização das parcerias.
Para Celso, um grande desafio encarado pelos ambientes da Rede Federal de Ensino para avançar nesse aperfeiçoamento é montar equipes com dedicação exclusiva ao trabalho de inovação, já que a grande maioria é formada por professores que se dedicam a outras atividades nas instituições e bolsistas.
Celso Roberto Perez acompanha os ambientes de inovação pelo Brasil
Luis Fernando Gelape é consultor credenciado
Apesar dessas dificuldades é promissora essa parceria entre os Institutos Federais e a criação de Ambientes de Inovação, como enxerga outro consultor credenciado, Luiz Fernando Gelape, especializado em Gestão Estratégica de Negócios (UFMG).
“Está no DNA e nas práticas pedagógicas dessas instituições o conhecimento técnico, o estímulo a pensar em soluções tecnológicas a partir de demandas reais do mercado, a prototipação, a apresentação de projetos inovadores. O que faltava, muitas vezes, era um olhar mais atento e atualizado sobre o estímulo à atividade empreendedora, para transformar esse conhecimento em inovação”.
O resultado, segundo Luiz, é que o projeto criado pela Setec vai possibilitar que “esse conhecimento já existente dentro das instituições da Rede possa chegar mais maduro ao mercado, através de novos empreendimentos ou mesmo por meio de transferências de tecnologia, decorrentes da cultura de empreendedorismo e inovação que vai se fortalecendo a partir de tudo o que está sendo trabalhado com os participantes”.