“A Livraria Milagres do Amor”
“A Livraria Milagres do Amor”
Carmem ou Carminha, como suas amigas e sua mãe a chamam, chegou animada e irradiante de seu passeio matinal pela Rua do Mercado, comprou alguns tecidos do seu gosto para um novo vestido. Adora usar roupas novas para caminhar aos sábados pela Rua Direita, passar pela Rua Sete de Setembro e ir à Casa Cavé ao fim da tarde para degustar os quitutes e doces franceses. A bela moça de 19 anos mora em uma casa na região nobre do Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor nº 32. Seu pai, Francisco Botelho, um deputado da corte, estrategicamente escolheu este endereço para ficar mais perto de seu trabalho no Paço Imperial. Sua mãe, Lucinda Botelho, filha de nobres portugueses, confirma de quem a filha herdou tanta beleza. Não é somente uma dona de casa, teve uma boa educação e por isso administra todas as atividades financeiras e bens da família com maestria.
Carmem ou Carminha, como suas amigas e sua mãe a chamam, chegou animada e irradiante de seu passeio matinal pela Rua do Mercado, comprou alguns tecidos do seu gosto para um novo vestido. Adora usar roupas novas para caminhar aos sábados pela Rua Direita, passar pela Rua Sete de Setembro e ir à Casa Cavé ao fim da tarde para degustar os quitutes e doces franceses. A bela moça de 19 anos mora em uma casa na região nobre do Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor nº 32. Seu pai, Francisco Botelho, um deputado da corte, estrategicamente escolheu este endereço para ficar mais perto de seu trabalho no Paço Imperial. Sua mãe, Lucinda Botelho, filha de nobres portugueses, confirma de quem a filha herdou tanta beleza. Não é somente uma dona de casa, teve uma boa educação e por isso administra todas as atividades financeiras e bens da família com maestria.
Carminha tem lindos olhos azuis, nariz fino, boca com lábios grossos e rosados, um rosto muito delicado. Seu corpo está pronto e perfeito, certamente não é mais uma menina como seu pai sempre dizia aos amigos políticos. Teve educação particular com os melhores professores do Rio de Janeiro, os mesmos que ensinaram os filhos e netos do Imperador. Seu pai deseja e pretende enviá-la ao exterior para estudar medicina, mas Carminha adora ensinar e sonha em ser professora.
Carminha tem lindos olhos azuis, nariz fino, boca com lábios grossos e rosados, um rosto muito delicado. Seu corpo está pronto e perfeito, certamente não é mais uma menina como seu pai sempre dizia aos amigos políticos. Teve educação particular com os melhores professores do Rio de Janeiro, os mesmos que ensinaram os filhos e netos do Imperador. Seu pai deseja e pretende enviá-la ao exterior para estudar medicina, mas Carminha adora ensinar e sonha em ser professora.
A moça chega em casa eufórica, entre gritos e risadas, rasga os embrulhos e mostra os novos tecidos à sua mãe, logo começam as discussões e sugestões de um bom modelo de vestido e combinam em irem juntas à casa da costureira da família.
A moça chega em casa eufórica, entre gritos e risadas, rasga os embrulhos e mostra os novos tecidos à sua mãe, logo começam as discussões e sugestões de um bom modelo de vestido e combinam em irem juntas à casa da costureira da família.
É verão, o calor é forte no Rio de Janeiro, Afonso está com sua camisa grudada no corpo de tanto suor. Apesar de saber ler e escrever, trabalha no cais do porto orientando os escravos com a carga e descarga dos navios. Seu pai, Abílio Teixeira, é um bibliotecário português, foi designado para acompanhar e cuidar de toda a biblioteca do Imperador. Sua mãe, Lindalva, é uma ex-escrava, fora comprada por Abílio logo que desembarcou na cidade, ele precisava de alguém para cuidar de todos os afazeres domésticos. A beleza peculiar de Lindalva virou a cabeça do bibliotecário e no ano seguinte nascia o mulato Afonso.
É verão, o calor é forte no Rio de Janeiro, Afonso está com sua camisa grudada no corpo de tanto suor. Apesar de saber ler e escrever, trabalha no cais do porto orientando os escravos com a carga e descarga dos navios. Seu pai, Abílio Teixeira, é um bibliotecário português, foi designado para acompanhar e cuidar de toda a biblioteca do Imperador. Sua mãe, Lindalva, é uma ex-escrava, fora comprada por Abílio logo que desembarcou na cidade, ele precisava de alguém para cuidar de todos os afazeres domésticos. A beleza peculiar de Lindalva virou a cabeça do bibliotecário e no ano seguinte nascia o mulato Afonso.
Apesar da boa educação e de ser um belo rapaz, tinha dificuldade para conseguir um emprego melhor, a cor da sua pele e o histórico familiar são enormes barreiras, dizer que é filho de uma escrava afastam as boas oportunidades.
Apesar da boa educação e de ser um belo rapaz, tinha dificuldade para conseguir um emprego melhor, a cor da sua pele e o histórico familiar são enormes barreiras, dizer que é filho de uma escrava afastam as boas oportunidades.
Nas horas vagas Afonso lê e escreve cartas para as pessoas que não sabem ler e escrever. Sempre após o expediente, senta-se em um banco de caixotes improvisado no Largo do Paço para atendê-los, recebe uma contribuição livre pelo serviço e desta forma consegue guardar algum dinheiro para um dia realizar o seu sonho, abrir uma livraria, ideia que é questionada e motivo de chacotas por seu próprio pai, já que boa parte do povo da cidade não sabe ler. Mas Afonso é persistente e acredita no projeto do Imperador em educar, ensinar e alfabetizar o povo, inclusive os escravos.
Nas horas vagas Afonso lê e escreve cartas para as pessoas que não sabem ler e escrever. Sempre após o expediente, senta-se em um banco de caixotes improvisado no Largo do Paço para atendê-los, recebe uma contribuição livre pelo serviço e desta forma consegue guardar algum dinheiro para um dia realizar o seu sonho, abrir uma livraria, ideia que é questionada e motivo de chacotas por seu próprio pai, já que boa parte do povo da cidade não sabe ler. Mas Afonso é persistente e acredita no projeto do Imperador em educar, ensinar e alfabetizar o povo, inclusive os escravos.
É fim de tarde de uma sexta-feira esplêndida, tudo parece perfeito. Carminha passou momentos ótimos com suas amigas em uma confeitaria; bolos, chá e muita conversa descontraída após um longo passeio pela cidade exibindo seu novo vestido que arrancou elogios dos rapazes e uma certa inveja das moças. Está quase na hora do jantar e seu pai, o deputado Francisco Botelho, não gosta de esperar, a refeição será servida as 18h em ponto e todos devem estar sentados à mesa.
É fim de tarde de uma sexta-feira esplêndida, tudo parece perfeito. Carminha passou momentos ótimos com suas amigas em uma confeitaria; bolos, chá e muita conversa descontraída após um longo passeio pela cidade exibindo seu novo vestido que arrancou elogios dos rapazes e uma certa inveja das moças. Está quase na hora do jantar e seu pai, o deputado Francisco Botelho, não gosta de esperar, a refeição será servida as 18h em ponto e todos devem estar sentados à mesa.
Carminha despede-se das amigas, mas ainda há tempo disponível para desfilar com seu novo vestido e retornar com calma para casa, porém, é verão na cidade do Rio de Janeiro e tudo pode acontecer. Em questão de alguns minutos, como um passe divino, todo o céu azul e sol brilhante são encobertos por nuvens escuras e acompanhadas de um vento frio e forte. A bela moça aperta o passo e não sabe se segura a barra do vestido ou protege os cabelos, que alguns instantes atrás estavam impecavelmente penteados. Logo as nuvens mostram porque estavam tão negras, uma forte chuva desaba acompanhada de raios e trovões assustadores. Carminha entra em desespero e não se importa mais com seu vestido novo e o penteado impecável, corre em busca de uma proteção para não ficar encharcada. Afonso está do outro lado da rua e também corre para tentar se proteger do temporal. Quando saiu do trabalho o dia estava lindo, caminhava lentamente para aproveitar o fim de tarde e foi pego de surpresa pela mudança de tempo do verão carioca. Ele observa o desespero da moça e atravessa a rua em disparada para tentar ajudá-la, retira seu paletó e cobre o belo vestido protegendo-o da chuva, ele a abraça e juntos correm até a Casa Cavé na Rua Sete de Setembro nº 133. Ela retira o casaco todo molhado e devolve para Afonso que está espremendo e retirando a água das barras da calça. Carminha percebe que seu vestido está praticamente seco e que Afonso está completamente molhado, os dois se olham de cima a baixo e soltam divertidas gargalhadas. Sentindo-se culpada, Carminha convida Afonso para um café, um chá, ou qualquer outra bebida quente, o rapaz fica um pouco sem graça e diz que não tem dinheiro, mas a moça insiste em pagar, afinal ele salvou-lhe o vestido novo.
Carminha despede-se das amigas, mas ainda há tempo disponível para desfilar com seu novo vestido e retornar com calma para casa, porém, é verão na cidade do Rio de Janeiro e tudo pode acontecer. Em questão de alguns minutos, como um passe divino, todo o céu azul e sol brilhante são encobertos por nuvens escuras e acompanhadas de um vento frio e forte. A bela moça aperta o passo e não sabe se segura a barra do vestido ou protege os cabelos, que alguns instantes atrás estavam impecavelmente penteados. Logo as nuvens mostram porque estavam tão negras, uma forte chuva desaba acompanhada de raios e trovões assustadores. Carminha entra em desespero e não se importa mais com seu vestido novo e o penteado impecável, corre em busca de uma proteção para não ficar encharcada. Afonso está do outro lado da rua e também corre para tentar se proteger do temporal. Quando saiu do trabalho o dia estava lindo, caminhava lentamente para aproveitar o fim de tarde e foi pego de surpresa pela mudança de tempo do verão carioca. Ele observa o desespero da moça e atravessa a rua em disparada para tentar ajudá-la, retira seu paletó e cobre o belo vestido protegendo-o da chuva, ele a abraça e juntos correm até a Casa Cavé na Rua Sete de Setembro nº 133. Ela retira o casaco todo molhado e devolve para Afonso que está espremendo e retirando a água das barras da calça. Carminha percebe que seu vestido está praticamente seco e que Afonso está completamente molhado, os dois se olham de cima a baixo e soltam divertidas gargalhadas. Sentindo-se culpada, Carminha convida Afonso para um café, um chá, ou qualquer outra bebida quente, o rapaz fica um pouco sem graça e diz que não tem dinheiro, mas a moça insiste em pagar, afinal ele salvou-lhe o vestido novo.
Sentam-se em uma das mesas, Afonso pede um café forte e bem quente, Caminha um chá preto inglês. Os jovens conversam descontraidamente como já se conhecessem há um bom tempo, o rapaz fala sobre seu trabalho e que adora ler nas horas vagas, seus olhos brilham ao falar de seus livros preferidos. Carminha fixa os olhos no rapaz, está praticamente hipnotizada por sua beleza diferente, a cor da pele, o formato dos olhos, nariz e lábios, então, é despertada pelas seis badaladas do grande relógio da Casa Cavé e entra em desespero, lembrou-se do jantar com sua família. A chuva já havia parado, mas ela estava tão encantada com Afonso que acabou se distraindo. Os dois se despediram, Carminha correu para tentar não chegar tarde em casa e deixar seu pai aborrecido, Afonso seguiu seu caminho bem devagar, sentia-se pisando em nuvens, também ficou encantado com a bela moça.
Sentam-se em uma das mesas, Afonso pede um café forte e bem quente, Caminha um chá preto inglês. Os jovens conversam descontraidamente como já se conhecessem há um bom tempo, o rapaz fala sobre seu trabalho e que adora ler nas horas vagas, seus olhos brilham ao falar de seus livros preferidos. Carminha fixa os olhos no rapaz, está praticamente hipnotizada por sua beleza diferente, a cor da pele, o formato dos olhos, nariz e lábios, então, é despertada pelas seis badaladas do grande relógio da Casa Cavé e entra em desespero, lembrou-se do jantar com sua família. A chuva já havia parado, mas ela estava tão encantada com Afonso que acabou se distraindo. Os dois se despediram, Carminha correu para tentar não chegar tarde em casa e deixar seu pai aborrecido, Afonso seguiu seu caminho bem devagar, sentia-se pisando em nuvens, também ficou encantado com a bela moça.
Alguns dias depois do temporal, Carminha passeava pelo cais do porto e lembrou-se do rapaz, precisava reencontra-lo para agradecer novamente por ter salvo seu lindo vestido, mas na verdade, já havia nascido algo muito forte no coração da moça.
Alguns dias depois do temporal, Carminha passeava pelo cais do porto e lembrou-se do rapaz, precisava reencontra-lo para agradecer novamente por ter salvo seu lindo vestido, mas na verdade, já havia nascido algo muito forte no coração da moça.
Alfredo termina o expediente, retira seu uniforme e coloca seu terno um pouco surrado, penteia o cabelo e coloca seu chapéu, apesar de simples e pobre sempre se manteve muito bem alinhado, então, sai para encontrar um grupo de pessoas que o esperam para ler e escrever cartas.
Alfredo termina o expediente, retira seu uniforme e coloca seu terno um pouco surrado, penteia o cabelo e coloca seu chapéu, apesar de simples e pobre sempre se manteve muito bem alinhado, então, sai para encontrar um grupo de pessoas que o esperam para ler e escrever cartas.
A moça caminha e observa o movimento no Largo do Paço, percebe que há um grupo de pessoas sentadas em caixotes e no chão da praça, todas de frente para uma única pessoa, como se estivessem aguardando a vez. Por curiosidade, Carminha se aproxima para entender o que acontecia, de repente sente o seu coração acelerar; lá estava Alfredo, pacientemente lendo e escrevendo para aquelas pessoas. Alfredo ergue os olhos e percebe que a bela moça está o observando e seu coração também dispara. Com um gesto bem sutil e discreto ela pergunta se pode ficar e observar mais um pouco, Alfredo responde que sim e não consegue esconder sua inquietação de felicidade.
A moça caminha e observa o movimento no Largo do Paço, percebe que há um grupo de pessoas sentadas em caixotes e no chão da praça, todas de frente para uma única pessoa, como se estivessem aguardando a vez. Por curiosidade, Carminha se aproxima para entender o que acontecia, de repente sente o seu coração acelerar; lá estava Alfredo, pacientemente lendo e escrevendo para aquelas pessoas. Alfredo ergue os olhos e percebe que a bela moça está o observando e seu coração também dispara. Com um gesto bem sutil e discreto ela pergunta se pode ficar e observar mais um pouco, Alfredo responde que sim e não consegue esconder sua inquietação de felicidade.
As pessoas saem satisfeitas, Afonso guarda os trocados no bolso e vai cumprimentar Carminha. O casal faz um passeio pelo Largo do Paço e contorna o Paço Imperial, a moça o agradece novamente pelo dia do temporal e, mostrando-se muito interessada, pede ao rapaz para explicar sobre o trabalho como leitor de cartas. Afonso empolga-se novamente ao falar sobre a paixão pelos livros e pela leitura, hábito que ganhou de seu pai, o bibliotecário da corte. Fala sobre seu sonho em abrir uma livraria na cidade, mas seu pai não concorda, diz que é perda de tempo e um grande prejuízo este tipo investimento em uma terra de analfabetos. Carminha ouve e compreende o rapaz, conta sobre seus estudos e o sonho em se tornar professora, mas seu pai não aprova e deseja que ela estude no exterior para se formar em medicina.
As pessoas saem satisfeitas, Afonso guarda os trocados no bolso e vai cumprimentar Carminha. O casal faz um passeio pelo Largo do Paço e contorna o Paço Imperial, a moça o agradece novamente pelo dia do temporal e, mostrando-se muito interessada, pede ao rapaz para explicar sobre o trabalho como leitor de cartas. Afonso empolga-se novamente ao falar sobre a paixão pelos livros e pela leitura, hábito que ganhou de seu pai, o bibliotecário da corte. Fala sobre seu sonho em abrir uma livraria na cidade, mas seu pai não concorda, diz que é perda de tempo e um grande prejuízo este tipo investimento em uma terra de analfabetos. Carminha ouve e compreende o rapaz, conta sobre seus estudos e o sonho em se tornar professora, mas seu pai não aprova e deseja que ela estude no exterior para se formar em medicina.
Ao final do passeio, Carminha pergunta ao rapaz se podem se encontrar novamente, Afonso hesita, mas seu coração não permite negar, afinal, está adorando estes momentos, a moça, além de muito bela, é uma ótima companhia e adora conversar, ele também percebeu que não houve qualquer tipo de preconceito em relação às diferenças entre eles, então, Afonso a convida para um sorvete no sábado à tarde.
Ao final do passeio, Carminha pergunta ao rapaz se podem se encontrar novamente, Afonso hesita, mas seu coração não permite negar, afinal, está adorando estes momentos, a moça, além de muito bela, é uma ótima companhia e adora conversar, ele também percebeu que não houve qualquer tipo de preconceito em relação às diferenças entre eles, então, Afonso a convida para um sorvete no sábado à tarde.
No sábado pela manhã a moça estava eufórica, preparou seu vestido, o mesmo do dia do temporal, arrumava os cabelos e cantarolava por toda a casa, sua mãe espantou-se com tanta euforia, mas gosta de ver a filha feliz e preferiu não questionar.
No sábado pela manhã a moça estava eufórica, preparou seu vestido, o mesmo do dia do temporal, arrumava os cabelos e cantarolava por toda a casa, sua mãe espantou-se com tanta euforia, mas gosta de ver a filha feliz e preferiu não questionar.
Afonso, que também gosta de se cuidar, tomou um bom banho, se barbeou e passou um longo tempo alinhando o cabelo e o bigode enquanto assobiava melodias de felicidade, sua mãe, que conhecia muito bem as coisas, dizia que para tanta felicidade, certamente existia um bom “rabo de saia”.
Afonso, que também gosta de se cuidar, tomou um bom banho, se barbeou e passou um longo tempo alinhando o cabelo e o bigode enquanto assobiava melodias de felicidade, sua mãe, que conhecia muito bem as coisas, dizia que para tanta felicidade, certamente existia um bom “rabo de saia”.
À tarde, conforme combinado, o casal se encontra na Rua Direita, Afonso cumprimenta a moça com um beijo na mão e faz um elogio ao belo vestido, Carminha não é dessas moças tímidas e que fingem ser recatadas, logo abriu um grande sorriso de alegria e também elogiou o rapaz. Conversam descontraidamente enquanto caminham até a “Castelões”, prestigiosa confeitaria teatral com quitutes especiais na Rua Gonçalves Dias nº 32. Apesar do dia quente, decidiram trocar os sorvetes por deliciosas empadinhas.
À tarde, conforme combinado, o casal se encontra na Rua Direita, Afonso cumprimenta a moça com um beijo na mão e faz um elogio ao belo vestido, Carminha não é dessas moças tímidas e que fingem ser recatadas, logo abriu um grande sorriso de alegria e também elogiou o rapaz. Conversam descontraidamente enquanto caminham até a “Castelões”, prestigiosa confeitaria teatral com quitutes especiais na Rua Gonçalves Dias nº 32. Apesar do dia quente, decidiram trocar os sorvetes por deliciosas empadinhas.
Conversavam e riam bastante em uma das mesas da confeitaria, as vezes suas mãos se encontravam e não ficavam tímidos por isso, mas num certo momento houve um silêncio, daqueles como se um anjo estivesse passando, olharam-se fixamente, a mão de Alfredo estava sobre a mão de Carminha, o rapaz percebe o deslize e tenta retira-la, não quer parecer abusado, mas a moça o segura, e num impulso inesperado diz ao rapaz que está apaixonada, que não conhecia o amor e não deseja guardar isso só para ela. Afonso torna a segurar a mão da moça com muito carinho e sente seu coração disparar, com as palavras embargadas na garganta, diz que também não conhecia o amor e que acabou de descobri-lo. Após alguns segundos de silêncio e olhares fixos um no outro, soltam altas gargalhadas que os clientes e funcionários da confeitaria olham com reprovação. De repente Afonso sente seu peito apertar, baixa a cabeça e permite seu sorriso ir embora. Carminha, preocupada se havia falado algo errado logo pergunta o que aconteceu; o rapaz fica um minuto em silêncio buscando as melhores palavras e diz não acreditar que isso possa ser possível, esse amor, esse envolvimento entre eles. Ele é um mulato, filho de uma escrava, ela é de uma família nobre do Rio de Janeiro, possivelmente seus pais não aprovariam esse relacionamento, e mesmo o seu próprio pai não aprovaria. Carminha abre um enorme sorriso com a preocupação do rapaz e o tranquiliza sobre estas dúvidas, conta que seus pais são simpatizantes e apoiadores das ideias abolicionistas que rondam a cidade, inclusive, deram alforria a todos os escravos que tinham. Afonso volta a sorrir e sente-se mais aliviado, porém não garante que seja da mesma forma com a sua família, seu pai nunca lhe deu apoio em nada, mas a confiante moça disse que isso seria facilmente resolvido em um almoço entre as famílias.
Conversavam e riam bastante em uma das mesas da confeitaria, as vezes suas mãos se encontravam e não ficavam tímidos por isso, mas num certo momento houve um silêncio, daqueles como se um anjo estivesse passando, olharam-se fixamente, a mão de Alfredo estava sobre a mão de Carminha, o rapaz percebe o deslize e tenta retira-la, não quer parecer abusado, mas a moça o segura, e num impulso inesperado diz ao rapaz que está apaixonada, que não conhecia o amor e não deseja guardar isso só para ela. Afonso torna a segurar a mão da moça com muito carinho e sente seu coração disparar, com as palavras embargadas na garganta, diz que também não conhecia o amor e que acabou de descobri-lo. Após alguns segundos de silêncio e olhares fixos um no outro, soltam altas gargalhadas que os clientes e funcionários da confeitaria olham com reprovação. De repente Afonso sente seu peito apertar, baixa a cabeça e permite seu sorriso ir embora. Carminha, preocupada se havia falado algo errado logo pergunta o que aconteceu; o rapaz fica um minuto em silêncio buscando as melhores palavras e diz não acreditar que isso possa ser possível, esse amor, esse envolvimento entre eles. Ele é um mulato, filho de uma escrava, ela é de uma família nobre do Rio de Janeiro, possivelmente seus pais não aprovariam esse relacionamento, e mesmo o seu próprio pai não aprovaria. Carminha abre um enorme sorriso com a preocupação do rapaz e o tranquiliza sobre estas dúvidas, conta que seus pais são simpatizantes e apoiadores das ideias abolicionistas que rondam a cidade, inclusive, deram alforria a todos os escravos que tinham. Afonso volta a sorrir e sente-se mais aliviado, porém não garante que seja da mesma forma com a sua família, seu pai nunca lhe deu apoio em nada, mas a confiante moça disse que isso seria facilmente resolvido em um almoço entre as famílias.
Respirando com mais tranquilamente, Afonso paga a conta e segura a mão de Carminha para fazer um passeio pela cidade, andam em silêncio até a praia de Santa Luzia sentindo este momento mágico, uma mistura de emoções em que o amor trava uma luta com a dúvida e o medo, mas logo o barulho do mar e a imagem do sol se pondo ajudam a dar a vitória plena ao amor; os dois se olham, seus corpos se atraem e beijam-se.
Respirando com mais tranquilamente, Afonso paga a conta e segura a mão de Carminha para fazer um passeio pela cidade, andam em silêncio até a praia de Santa Luzia sentindo este momento mágico, uma mistura de emoções em que o amor trava uma luta com a dúvida e o medo, mas logo o barulho do mar e a imagem do sol se pondo ajudam a dar a vitória plena ao amor; os dois se olham, seus corpos se atraem e beijam-se.
Carminha lembra-se que deve voltar para casa até às 18h e jantar com a família, Afonso a acompanha até a esquina da rua e combinam manter tudo em segredo, pelo menos por enquanto.
Carminha lembra-se que deve voltar para casa até às 18h e jantar com a família, Afonso a acompanha até a esquina da rua e combinam manter tudo em segredo, pelo menos por enquanto.
A princípio encontravam-se somente aos sábados, mas conforme o amor crescia, crescia também a vontade de estarem juntos, então, como um sopro do destino, agora encontram-se todos os dias.
A princípio encontravam-se somente aos sábados, mas conforme o amor crescia, crescia também a vontade de estarem juntos, então, como um sopro do destino, agora encontram-se todos os dias.
Carminha cantarola pela casa e esbanja alegria ao fazer suas atividades, Dona Lucinda já havia percebido esse brilho diário no olhar da filha e a chama para uma conversa em seu quarto. Nunca guardou segredos à sua mãe então, com um sorriso apaixonado no rosto, ela conta sobre seu romance com Afonso. A mãe fica feliz, mas aconselha que apresente o rapaz à família e formalize o namoro para evitar fofocas da vizinhança e uma decepção de seu pai.
Carminha cantarola pela casa e esbanja alegria ao fazer suas atividades, Dona Lucinda já havia percebido esse brilho diário no olhar da filha e a chama para uma conversa em seu quarto. Nunca guardou segredos à sua mãe então, com um sorriso apaixonado no rosto, ela conta sobre seu romance com Afonso. A mãe fica feliz, mas aconselha que apresente o rapaz à família e formalize o namoro para evitar fofocas da vizinhança e uma decepção de seu pai.
No encontro de sábado à tarde Carminha conversa com Afonso e decidem firmar o namoro perante à família da moça. O rapaz não consegue esconder sua preocupação, mas ela consegue anima-lo com a certeza que seus pais não reprovariam, inclusive esta sugestão havia partido de sua mãe. Assim, marcaram para o próximo domingo, uma tarde com café, chá e deliciosos quitutes.
No encontro de sábado à tarde Carminha conversa com Afonso e decidem firmar o namoro perante à família da moça. O rapaz não consegue esconder sua preocupação, mas ela consegue anima-lo com a certeza que seus pais não reprovariam, inclusive esta sugestão havia partido de sua mãe. Assim, marcaram para o próximo domingo, uma tarde com café, chá e deliciosos quitutes.
No domingo, Afonso acorda bem cedo e sente um misto de emoções; empolgação, preocupação, medo, tudo passando pela cabeça ao mesmo tempo. Prepara seu melhor terno, faz a barba e apara seu bigode com precisão. Carminha, sempre cantarolando, prepara sua banheira para um banho com sais de rosas vermelhas, escolhe um belo vestido e passa algumas horas preparando o cabelo e aplicando uma leve maquiagem com produtos que trouxe da França em uma viagem inesquecível que fez com seus pais.
No domingo, Afonso acorda bem cedo e sente um misto de emoções; empolgação, preocupação, medo, tudo passando pela cabeça ao mesmo tempo. Prepara seu melhor terno, faz a barba e apara seu bigode com precisão. Carminha, sempre cantarolando, prepara sua banheira para um banho com sais de rosas vermelhas, escolhe um belo vestido e passa algumas horas preparando o cabelo e aplicando uma leve maquiagem com produtos que trouxe da França em uma viagem inesquecível que fez com seus pais.
Ao fim da tarde Afonso bate à porta, Carminha atende e os olhos do rapaz brilham ao ver tanta beleza. Ela o convida para entrar e o acompanha ao salão de recepção da casa, sentam-se em uma confortável cadeira enquanto aguardam os pais da moça, Afonso, ansioso e inquieto, está com a testa suando de nervoso.
Ao fim da tarde Afonso bate à porta, Carminha atende e os olhos do rapaz brilham ao ver tanta beleza. Ela o convida para entrar e o acompanha ao salão de recepção da casa, sentam-se em uma confortável cadeira enquanto aguardam os pais da moça, Afonso, ansioso e inquieto, está com a testa suando de nervoso.
Dona Lucinda, com um belo sorriso estampado no rosto, traz uma bandeja com dois copos de suco de limão siciliano, o rapaz se espanta, mas lembra-se quando Carminha contou que seus pais são abolicionistas e não tinham mais escravos. A moça apresenta Afonso à sua mãe e ela se esforça para manter o sorriso e a simpatia, assim que se retira sente o corpo esquentar e suas pernas tremerem, a filha havia contado tudo, ou melhor, quase tudo sobre o rapaz, mas não contou como ele é fisicamente.
Dona Lucinda, com um belo sorriso estampado no rosto, traz uma bandeja com dois copos de suco de limão siciliano, o rapaz se espanta, mas lembra-se quando Carminha contou que seus pais são abolicionistas e não tinham mais escravos. A moça apresenta Afonso à sua mãe e ela se esforça para manter o sorriso e a simpatia, assim que se retira sente o corpo esquentar e suas pernas tremerem, a filha havia contado tudo, ou melhor, quase tudo sobre o rapaz, mas não contou como ele é fisicamente.
Sr. Francisco sai do quarto em um terno impecável, cabelos, barba e bigode muito bem alinhados, vai à sala e abre uma grande cristaleira, pega dois pequenos copos de cristal e seu melhor licor. Dona Lucinda tenta disfarçar, mas o marido percebe sua inquietação e questiona se há algo errado, ela recebe a pergunta e fica paralisada sem saber o que dizer, mas sob a pressão do marido ela diz que está tudo bem, afinal, agora não tem mais o que fazer a não ser aguardar as reações e o que poderá acontecer. Se ao menos Carminha tivesse dado mais detalhes sobre o rapaz, talvez pudesse preparar melhor o deputado.
Sr. Francisco sai do quarto em um terno impecável, cabelos, barba e bigode muito bem alinhados, vai à sala e abre uma grande cristaleira, pega dois pequenos copos de cristal e seu melhor licor. Dona Lucinda tenta disfarçar, mas o marido percebe sua inquietação e questiona se há algo errado, ela recebe a pergunta e fica paralisada sem saber o que dizer, mas sob a pressão do marido ela diz que está tudo bem, afinal, agora não tem mais o que fazer a não ser aguardar as reações e o que poderá acontecer. Se ao menos Carminha tivesse dado mais detalhes sobre o rapaz, talvez pudesse preparar melhor o deputado.
Sr. Francisco entra na sala de recepção com seu licor e os copos de cristal, Dona Lucinda está logo atrás, atenta para qualquer reação do marido. Afonso ansiosamente levanta-se para cumprimenta-lo, o deputado não consegue disfarçar os olhos arregalados e fica paralisado no meio do caminho deixando o rapaz com a mão estendida. Dona Lucinda percebe a situação e lhe dá um “cutucão” nas costas, então ele retribui o cumprimento e com muito custo lhe serve uma dose do licor.
Sr. Francisco entra na sala de recepção com seu licor e os copos de cristal, Dona Lucinda está logo atrás, atenta para qualquer reação do marido. Afonso ansiosamente levanta-se para cumprimenta-lo, o deputado não consegue disfarçar os olhos arregalados e fica paralisado no meio do caminho deixando o rapaz com a mão estendida. Dona Lucinda percebe a situação e lhe dá um “cutucão” nas costas, então ele retribui o cumprimento e com muito custo lhe serve uma dose do licor.
O pai de Carminha não está confortável com a situação, mas não quer desapontar a filha. Sentam-se, degustam o licor e o deputado derrama diversas perguntas ao rapaz, mesmo sob os apelos da filha. O que faz? Onde trabalha? Quem são seus pais e o que eles fazem? Afonso não esconde nada e responde todas as perguntas, afinal, é uma preocupação normal de um pai, ele precisa saber a quem estará entregando sua filha, mas o nervosismo e o desconforto são inevitáveis.
O pai de Carminha não está confortável com a situação, mas não quer desapontar a filha. Sentam-se, degustam o licor e o deputado derrama diversas perguntas ao rapaz, mesmo sob os apelos da filha. O que faz? Onde trabalha? Quem são seus pais e o que eles fazem? Afonso não esconde nada e responde todas as perguntas, afinal, é uma preocupação normal de um pai, ele precisa saber a quem estará entregando sua filha, mas o nervosismo e o desconforto são inevitáveis.
Cumprimentam-se e se despedem, Carminha acompanha o rapaz à porta e percebe que ele não está satisfeito com a atitude inesperada do deputado. A moça se desculpa várias vezes, e com um carinho especial pede que ele não se preocupe, tudo ficará bem. Afonso retorna para casa desesperadamente assustado.
Cumprimentam-se e se despedem, Carminha acompanha o rapaz à porta e percebe que ele não está satisfeito com a atitude inesperada do deputado. A moça se desculpa várias vezes, e com um carinho especial pede que ele não se preocupe, tudo ficará bem. Afonso retorna para casa desesperadamente assustado.
Na manhã seguinte, Sr. Francisco usa seus benefícios como deputado da corte e descobre um pouco mais sobre o responsável pela Biblioteca Real, Abílio Teixeira, Pai de Afonso. Escreve um bilhete, lacra com o selo do Império e ordena que um mensageiro entregue em mãos. Abílio se espanta com a visita do mensageiro e com o bilhete, jamais havia sido convocado para uma visita ao Paço Imperial; sem perder tempo, arruma suas coisas e segue ao encontro com o deputado Francisco Botelho.
Na manhã seguinte, Sr. Francisco usa seus benefícios como deputado da corte e descobre um pouco mais sobre o responsável pela Biblioteca Real, Abílio Teixeira, Pai de Afonso. Escreve um bilhete, lacra com o selo do Império e ordena que um mensageiro entregue em mãos. Abílio se espanta com a visita do mensageiro e com o bilhete, jamais havia sido convocado para uma visita ao Paço Imperial; sem perder tempo, arruma suas coisas e segue ao encontro com o deputado Francisco Botelho.
Está um calor fortíssimo na cidade e Abílio chega ao Paço Imperial muito suado e sedento por um copo de água; em menos de um minuto é recebido pelo deputado que mal o cumprimenta e rispidamente vai direto ao assunto. Sr. Francisco conta sobre o envolvimento de Afonso com sua filha, e sem permitir que o bibliotecário recupere o fôlego, deixa bem claro que não aprova tal relacionamento. Abílio fica atordoado, não tem o menor conhecimento sobre o assunto, Afonso e o pai não se relacionam bem e raramente conversam.
Está um calor fortíssimo na cidade e Abílio chega ao Paço Imperial muito suado e sedento por um copo de água; em menos de um minuto é recebido pelo deputado que mal o cumprimenta e rispidamente vai direto ao assunto. Sr. Francisco conta sobre o envolvimento de Afonso com sua filha, e sem permitir que o bibliotecário recupere o fôlego, deixa bem claro que não aprova tal relacionamento. Abílio fica atordoado, não tem o menor conhecimento sobre o assunto, Afonso e o pai não se relacionam bem e raramente conversam.
O deputado, inquieto e irritado, diz à Abílio que não permitirá que a filha se magoe, que Afonso deve se afastar de Carminha imediatamente, caso isso não aconteça, dará um jeito que perca seu antigo e tão amado posto como responsável pela Biblioteca Real, além de divulgar à corte e a toda cidade o seu relacionamento com uma escrava, isso certamente lhe traria problemas para conseguir um novo trabalho.
O deputado, inquieto e irritado, diz à Abílio que não permitirá que a filha se magoe, que Afonso deve se afastar de Carminha imediatamente, caso isso não aconteça, dará um jeito que perca seu antigo e tão amado posto como responsável pela Biblioteca Real, além de divulgar à corte e a toda cidade o seu relacionamento com uma escrava, isso certamente lhe traria problemas para conseguir um novo trabalho.
O bibliotecário deixa o Paço Imperial totalmente desnorteado, não quer e não pode perder o trabalho que ama e que tanto se dedicou. Ainda sufocado pelas lembranças das palavras ameaçadoras do deputado, recorda-se de um antigo amigo que chegou à cidade e poderá ter a solução para o seu problema. Ao final da tarde, Abílio encontra-se com o Almirante Nunes, seu velho amigo e conterrâneo que trouxe o seu navio ao porto da cidade para carregar café, especiarias, tecidos e outros produtos, partirá para Portugal logo na manhã seguinte.
O bibliotecário deixa o Paço Imperial totalmente desnorteado, não quer e não pode perder o trabalho que ama e que tanto se dedicou. Ainda sufocado pelas lembranças das palavras ameaçadoras do deputado, recorda-se de um antigo amigo que chegou à cidade e poderá ter a solução para o seu problema. Ao final da tarde, Abílio encontra-se com o Almirante Nunes, seu velho amigo e conterrâneo que trouxe o seu navio ao porto da cidade para carregar café, especiarias, tecidos e outros produtos, partirá para Portugal logo na manhã seguinte.
Quando Afonso chega em casa após o trabalho encontra sua mãe, Dona Lindalva, chorando no canto da cozinha. Assustado e curioso, pois faz um bom tempo que não vê sua mãe chorar, questiona o que está acontecendo; sem conseguir dizer qualquer palavra e com os olhos cheios de lágrimas, ela faz um sinal com a cabeça apontando o canto da sala, Afonso corre para ver o que é e encontra uma mala aberta, quase pronta; Abílio entra na cozinha e ordena que o rapaz recolha suas coisas pessoais e feche a mala. Será enviado para Portugal, está designado a trabalhar no porto de Lisboa e precisa se apresentar urgente ao navio do Almirante Nunes que partirá bem cedo, disse o pai. Afonso não consegue entender o que está acontecendo e tenta argumentar, mas o pai, no limite dos nervos e aos berros, diz que foi ameaçado em perder o emprego, além de ter sua reputação manchada na corte e em toda a cidade do Rio de Janeiro; nervoso e sacudindo os ombros de Afonso, diz que a causa de tudo isso é seu envolvimento com a filha de um deputado do Império. Tonto com tanta informação inesperada, Afonso anda de um lado ao outro da sala sem conseguir emitir qualquer palavra ou mesmo soltar um grito de raiva. Antes que conseguisse colocar seus pensamentos no lugar, seu pai o pressiona para que não perca tempo, ele mesmo irá leva-lo ao navio e apresenta-lo ao amigo Almirante.
Quando Afonso chega em casa após o trabalho encontra sua mãe, Dona Lindalva, chorando no canto da cozinha. Assustado e curioso, pois faz um bom tempo que não vê sua mãe chorar, questiona o que está acontecendo; sem conseguir dizer qualquer palavra e com os olhos cheios de lágrimas, ela faz um sinal com a cabeça apontando o canto da sala, Afonso corre para ver o que é e encontra uma mala aberta, quase pronta; Abílio entra na cozinha e ordena que o rapaz recolha suas coisas pessoais e feche a mala. Será enviado para Portugal, está designado a trabalhar no porto de Lisboa e precisa se apresentar urgente ao navio do Almirante Nunes que partirá bem cedo, disse o pai. Afonso não consegue entender o que está acontecendo e tenta argumentar, mas o pai, no limite dos nervos e aos berros, diz que foi ameaçado em perder o emprego, além de ter sua reputação manchada na corte e em toda a cidade do Rio de Janeiro; nervoso e sacudindo os ombros de Afonso, diz que a causa de tudo isso é seu envolvimento com a filha de um deputado do Império. Tonto com tanta informação inesperada, Afonso anda de um lado ao outro da sala sem conseguir emitir qualquer palavra ou mesmo soltar um grito de raiva. Antes que conseguisse colocar seus pensamentos no lugar, seu pai o pressiona para que não perca tempo, ele mesmo irá leva-lo ao navio e apresenta-lo ao amigo Almirante.
Às 4hs da manhã o navio deixa o porto do Rio de Janeiro rumo à Lisboa, Afonso vê a cidade se afastando, e com suas pernas bambas ele não resiste, ajoelha-se e chora, não conseguiu enviar qualquer aviso à sua amada Carminha.
Às 4hs da manhã o navio deixa o porto do Rio de Janeiro rumo à Lisboa, Afonso vê a cidade se afastando, e com suas pernas bambas ele não resiste, ajoelha-se e chora, não conseguiu enviar qualquer aviso à sua amada Carminha.
Os dias passavam e Carminha não tinha notícias de Alfredo, ela circulava diariamente pelo cais do porto após o expediente de trabalho e não encontrava seu amado, imaginou que ele talvez esteja se esquivando em vê-la novamente, a pressão sofrida no último domingo pode tê-lo assustado.
Os dias passavam e Carminha não tinha notícias de Alfredo, ela circulava diariamente pelo cais do porto após o expediente de trabalho e não encontrava seu amado, imaginou que ele talvez esteja se esquivando em vê-la novamente, a pressão sofrida no último domingo pode tê-lo assustado.
Num fim de tarde, caminhando pelo largo do paço, a moça encontra um senhor que Alfredo frequentemente lia suas cartas, cumprimentou-o e perguntou se tinha alguma notícia do rapaz, mas o senhor, muito triste por não ter mais quem leia e escreva suas correspondências, diz que ele partiu em um navio mercante com destino à Portugal para trabalhar no porto de Lisboa. Os olhos de Carminha encheram-se de lágrimas e ela correu para casa, bateu a porta ao entrar e subiu para o quarto, desabou na cama em prantos e com a cabeça cheia de dúvidas: por que ele não me contou sobre esta viagem? Por que não envia uma carta explicando o que houve? Será que deixou de me amar?
Num fim de tarde, caminhando pelo largo do paço, a moça encontra um senhor que Alfredo frequentemente lia suas cartas, cumprimentou-o e perguntou se tinha alguma notícia do rapaz, mas o senhor, muito triste por não ter mais quem leia e escreva suas correspondências, diz que ele partiu em um navio mercante com destino à Portugal para trabalhar no porto de Lisboa. Os olhos de Carminha encheram-se de lágrimas e ela correu para casa, bateu a porta ao entrar e subiu para o quarto, desabou na cama em prantos e com a cabeça cheia de dúvidas: por que ele não me contou sobre esta viagem? Por que não envia uma carta explicando o que houve? Será que deixou de me amar?
Dona Lucinda ouvindo os barulhos e o choro da filha, encosta-se à porta do quarto mas prefere não incomodar, conhece os motivos da tristeza de Carminha e não tem o que lhe dizer, de certa forma ela é cúmplice dos planos do marido.
Dona Lucinda ouvindo os barulhos e o choro da filha, encosta-se à porta do quarto mas prefere não incomodar, conhece os motivos da tristeza de Carminha e não tem o que lhe dizer, de certa forma ela é cúmplice dos planos do marido.
Em Lisboa, apesar do trabalho árduo que lhe foi encarregado, Afonso não deixa de pensar em sua querida Carminha. Todas as noites chora em profunda solidão, não consegue compreender porque sua amada não responde as cartas que enviou explicando o que havia acontecido, sua cabeça também mergulha em dúvidas: Será que ela não acredita em mim? Será que está com raiva e não me ama mais?
Em Lisboa, apesar do trabalho árduo que lhe foi encarregado, Afonso não deixa de pensar em sua querida Carminha. Todas as noites chora em profunda solidão, não consegue compreender porque sua amada não responde as cartas que enviou explicando o que havia acontecido, sua cabeça também mergulha em dúvidas: Será que ela não acredita em mim? Será que está com raiva e não me ama mais?
É uma sexta-feira agitada e mais um navio português atraca no porto do Rio de Janeiro, o responsável pelas correspondências desembarca com um grande pacote e corre direto para o Paço Imperial encontrar o deputado Francisco Botelho. Juntos, espalham todas as cartas e buscam pacientemente cada envelope que esteja endereçado à Carminha. Já fazia parte do plano, desde que o rapaz partiu para Portugal o deputado interceptou cada correspondência, tinha o conhecimento que o “mulato” sabe ler e escrever, certamente tentaria se comunicar com a filha através de cartas para contar sobre os motivos da viagem e os planos em afasta-los desse romance.
É uma sexta-feira agitada e mais um navio português atraca no porto do Rio de Janeiro, o responsável pelas correspondências desembarca com um grande pacote e corre direto para o Paço Imperial encontrar o deputado Francisco Botelho. Juntos, espalham todas as cartas e buscam pacientemente cada envelope que esteja endereçado à Carminha. Já fazia parte do plano, desde que o rapaz partiu para Portugal o deputado interceptou cada correspondência, tinha o conhecimento que o “mulato” sabe ler e escrever, certamente tentaria se comunicar com a filha através de cartas para contar sobre os motivos da viagem e os planos em afasta-los desse romance.
Carminha não sai mais do quarto para fazer seus passeios pela cidade e passa o dia inteiro em sua cama. Diversas vezes sua mãe a encontrou chorando quando tentava lhe trazer alguma refeição, a moça não tem mais ânimo para almoçar e jantar com a família. Dona Lucinda começa a se preocupar com a situação da filha, tentou conversar com o marido algumas vezes para encontrar alguma solução em anima-la, mas o deputado sempre diz que é frescura dos jovens, que é passageiro e logo estaria desfilando pelas ruas da cidade com seus belos vestidos.
Carminha não sai mais do quarto para fazer seus passeios pela cidade e passa o dia inteiro em sua cama. Diversas vezes sua mãe a encontrou chorando quando tentava lhe trazer alguma refeição, a moça não tem mais ânimo para almoçar e jantar com a família. Dona Lucinda começa a se preocupar com a situação da filha, tentou conversar com o marido algumas vezes para encontrar alguma solução em anima-la, mas o deputado sempre diz que é frescura dos jovens, que é passageiro e logo estaria desfilando pelas ruas da cidade com seus belos vestidos.
Num certo dia, em mais uma tentativa de Dona Lucinda convencer o marido a encontrar uma solução para o bem da filha, Carminha ouve uma discussão dos pais, e num momento de exaltação e irritação, o Deputado afirma que não se arrepende em ter pressionado o pai de Afonso a enviá-lo para Portugal, fez tudo pensando no melhor para a filha.
Num certo dia, em mais uma tentativa de Dona Lucinda convencer o marido a encontrar uma solução para o bem da filha, Carminha ouve uma discussão dos pais, e num momento de exaltação e irritação, o Deputado afirma que não se arrepende em ter pressionado o pai de Afonso a enviá-lo para Portugal, fez tudo pensando no melhor para a filha.
A moça, decepcionada e triste, logo caiu em depressão profunda; não se alimenta e chora o dia inteiro, para piorar, em uma outra discussão entre seus pais, Carminha descobre que o pai interceptou todas as cartas enviadas por Alfredo, mas agora ela não tem mais forças para lutar, há dias está com febre alta, o corpo fraco, pensamentos confusos, náuseas e desmaios.
A moça, decepcionada e triste, logo caiu em depressão profunda; não se alimenta e chora o dia inteiro, para piorar, em uma outra discussão entre seus pais, Carminha descobre que o pai interceptou todas as cartas enviadas por Alfredo, mas agora ela não tem mais forças para lutar, há dias está com febre alta, o corpo fraco, pensamentos confusos, náuseas e desmaios.
Muito preocupada com a saúde da filha, Dona Lucinda chama o médico da família para examiná-la e nenhum dos procedimentos trouxe um bom resultado, nada fez efeito e o quadro só piorou. Os dias passam e Carminha fica mais fraca, além da febre alta e contínua, não consegue ficar acordada por mais de dez minutos. Sr. Francisco, outra vez usando seus benefícios como deputado, consegue trazer o médico particular da família imperial, mas desta vez o diagnóstico foi pior, o médico garantiu que a moça tem poucos dias de vida. O deputado, desesperado com a notícia, agarra os ombros do médico e diz que é impossível, que ninguém morre de amor. O experiente médico discorda e afirma que por amor, ou a falta dele, Carminha contraiu um quadro sério de angústia e tristeza que comprometeu sua alimentação e prejudicou a saúde. Dona Lucinda cai de joelhos em prantos, agarra-se à barra da calça do médico implorando pela vida da filha, mas infelizmente o doutor confirma que não há mais nada a fazer, apenas aguardar por um milagre.
Muito preocupada com a saúde da filha, Dona Lucinda chama o médico da família para examiná-la e nenhum dos procedimentos trouxe um bom resultado, nada fez efeito e o quadro só piorou. Os dias passam e Carminha fica mais fraca, além da febre alta e contínua, não consegue ficar acordada por mais de dez minutos. Sr. Francisco, outra vez usando seus benefícios como deputado, consegue trazer o médico particular da família imperial, mas desta vez o diagnóstico foi pior, o médico garantiu que a moça tem poucos dias de vida. O deputado, desesperado com a notícia, agarra os ombros do médico e diz que é impossível, que ninguém morre de amor. O experiente médico discorda e afirma que por amor, ou a falta dele, Carminha contraiu um quadro sério de angústia e tristeza que comprometeu sua alimentação e prejudicou a saúde. Dona Lucinda cai de joelhos em prantos, agarra-se à barra da calça do médico implorando pela vida da filha, mas infelizmente o doutor confirma que não há mais nada a fazer, apenas aguardar por um milagre.
Durante a noite, no cais do porto em Lisboa, Alfredo deita-se sobre as enormes caixas de cargas para olhar as estrelas e lembrar-se dos momentos maravilhosos com sua amada, ele adormece e durante a madrugada acorda assustado com um pesadelo; no sonho, Carminha aparecia ajoelhada em um quarto escuro implorando para salvá-la. O rapaz sentiu que havia algo errado acontecendo, desesperado ele corre pelo cais do porto e descobre que um navio partirá para o Rio de Janeiro logo pela manhã e encontra um jeito para embarcar nesta viagem.
Durante a noite, no cais do porto em Lisboa, Alfredo deita-se sobre as enormes caixas de cargas para olhar as estrelas e lembrar-se dos momentos maravilhosos com sua amada, ele adormece e durante a madrugada acorda assustado com um pesadelo; no sonho, Carminha aparecia ajoelhada em um quarto escuro implorando para salvá-la. O rapaz sentiu que havia algo errado acontecendo, desesperado ele corre pelo cais do porto e descobre que um navio partirá para o Rio de Janeiro logo pela manhã e encontra um jeito para embarcar nesta viagem.
Apesar de ser um lindo dia de sábado, a casa do deputado está triste. Carminha dorme profundamente, sua respiração é fraca e ela arde em febre, seus pais recebem amigos e parentes que vieram para conforta-los enquanto esperam por um milagre ou a morte chegar.
Apesar de ser um lindo dia de sábado, a casa do deputado está triste. Carminha dorme profundamente, sua respiração é fraca e ela arde em febre, seus pais recebem amigos e parentes que vieram para conforta-los enquanto esperam por um milagre ou a morte chegar.
Neste mesmo dia o navio Português atraca no porto do Rio de Janeiro. Sem perder tempo, Afonso desembarca e corre sem pausas até a Rua do Ouvidor nº32, a casa de sua amada. Precisava vê-la com urgência e decidiu enfrentar o deputado, mesmo que sua atitude coloque em risco o emprego e a reputação de seu pai, o bibliotecário Abílio Teixeira.
Neste mesmo dia o navio Português atraca no porto do Rio de Janeiro. Sem perder tempo, Afonso desembarca e corre sem pausas até a Rua do Ouvidor nº32, a casa de sua amada. Precisava vê-la com urgência e decidiu enfrentar o deputado, mesmo que sua atitude coloque em risco o emprego e a reputação de seu pai, o bibliotecário Abílio Teixeira.
Chegou ao destino suado e sem fôlego, bateu três vezes à porta e ninguém atendeu, tentou novamente, desta vez com três batidas mais fortes, então o deputado Francisco Botelho veio à porta e espantou-se com a presença do mulato, sentiu o sangue subir-lhe a cabeça e os olhos arregalaram de raiva, está agora diante do culpado por toda a desgraça de sua filha. Com muitos gritos e totalmente descontrolado, ele tenta impedir a presença do rapaz à sua porta e solicita que chamem os guardas para prendê-lo, Afonso resiste à agressividade do deputado e insiste em ver Carminha, grita que não sairá da porta enquanto não falar com sua amada. Dona Lucinda interfere a discussão e tenta convencer o marido a permitir a entrada do rapaz, talvez seja melhor para a filha, mas o deputado está irredutível, não cede e o agride chamando-o de assassino. Afonso espantado com a acusação e com um choro preso na garganta, insiste, grita e implora para saber o que aconteceu com sua amada.
Chegou ao destino suado e sem fôlego, bateu três vezes à porta e ninguém atendeu, tentou novamente, desta vez com três batidas mais fortes, então o deputado Francisco Botelho veio à porta e espantou-se com a presença do mulato, sentiu o sangue subir-lhe a cabeça e os olhos arregalaram de raiva, está agora diante do culpado por toda a desgraça de sua filha. Com muitos gritos e totalmente descontrolado, ele tenta impedir a presença do rapaz à sua porta e solicita que chamem os guardas para prendê-lo, Afonso resiste à agressividade do deputado e insiste em ver Carminha, grita que não sairá da porta enquanto não falar com sua amada. Dona Lucinda interfere a discussão e tenta convencer o marido a permitir a entrada do rapaz, talvez seja melhor para a filha, mas o deputado está irredutível, não cede e o agride chamando-o de assassino. Afonso espantado com a acusação e com um choro preso na garganta, insiste, grita e implora para saber o que aconteceu com sua amada.
As coisas pioram, os curiosos aglomeram-se na rua, os amigos e parentes apoiam o deputado e os guardas acabam de entrar na Rua do Ouvidor. No meio de tanto alvoroço e escândalos, Dona Lucinda ouve uma voz rouca e fraca chamando por Afonso, Carminha está caída nos degraus da escada próximo à porta do seu quarto, havia despertado com a voz de seu amado e se arrastou para vê-lo. Todos seguravam o queixo de tamanha surpresa, a moça que estava condenada à morte despertou ao ouvir a voz do rapaz que insistia para vê-la. Afonso abre um espaço entre as pessoas, entra na casa e corre até Carminha que, fraca e debulhando em lágrimas, consegue esboçar um sorriso apaixonadamente aliviado.
As coisas pioram, os curiosos aglomeram-se na rua, os amigos e parentes apoiam o deputado e os guardas acabam de entrar na Rua do Ouvidor. No meio de tanto alvoroço e escândalos, Dona Lucinda ouve uma voz rouca e fraca chamando por Afonso, Carminha está caída nos degraus da escada próximo à porta do seu quarto, havia despertado com a voz de seu amado e se arrastou para vê-lo. Todos seguravam o queixo de tamanha surpresa, a moça que estava condenada à morte despertou ao ouvir a voz do rapaz que insistia para vê-la. Afonso abre um espaço entre as pessoas, entra na casa e corre até Carminha que, fraca e debulhando em lágrimas, consegue esboçar um sorriso apaixonadamente aliviado.
No dia seguinte, um domingo lindo e ensolarado, Alfredo vai à casa de Carminha para visita-la e surpreende-se ao ver sua amada atender a porta. Com um belo vestido, um largo sorriso e a alegria espontânea de sempre, ela o convida para um passeio e um café. O rapaz, ainda atordoado com a surpresa, olha para os pais da moça que estão observando da sala de recepção espantados com tamanho milagre; Cumprimentam Afonso e consentem o passeio do jovem casal.
No dia seguinte, um domingo lindo e ensolarado, Alfredo vai à casa de Carminha para visita-la e surpreende-se ao ver sua amada atender a porta. Com um belo vestido, um largo sorriso e a alegria espontânea de sempre, ela o convida para um passeio e um café. O rapaz, ainda atordoado com a surpresa, olha para os pais da moça que estão observando da sala de recepção espantados com tamanho milagre; Cumprimentam Afonso e consentem o passeio do jovem casal.
É primavera na bela cidade do Rio de Janeiro, numa segunda feira bem cedo, Alfredo e sua amada chegam juntos à Rua Direita nº18 e abrem as portas da Livraria “Milagres do Amor”, que além da venda de bons livros e uma sala para leitura, tem um excelente café com quitutes franceses e um espaço para alfabetização gratuita com as aulas ministradas pela professora Carminha.
É primavera na bela cidade do Rio de Janeiro, numa segunda feira bem cedo, Alfredo e sua amada chegam juntos à Rua Direita nº18 e abrem as portas da Livraria “Milagres do Amor”, que além da venda de bons livros e uma sala para leitura, tem um excelente café com quitutes franceses e um espaço para alfabetização gratuita com as aulas ministradas pela professora Carminha.