CBIS 2026 aproximou competências digitais, APS, enfermagem e segurança do paciente

Em Brasília, o CBIS 2026 reuniu 829 inscritos e destacou competências digitais, APS, enfermagem e segurança do paciente.

O XXI Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS 2026) foi realizado de 23 a 25 de setembro, das 8h às 18h, no Royal Tulip Brasília Alvorada, em Brasília (DF), pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). O tema oficial foi “Inovação Ética e Sustentável na Saúde Digital Brasileira”. A organização também apresentou a edição sob a chamada “A Fronteira da Inovação Ética e Soberania Digital” e a descreveu como um “epicentro estratégico” da Saúde Digital no país — caracterizações institucionais da própria SBIS, não uma avaliação independente.

O congresso ocorreu no ano em que a entidade celebrou 40 anos de atuação em Informática em Saúde e Saúde Digital no Brasil. Segundo o balanço da organização, foram 829 inscritos, 105 atividades, até seis salas simultâneas, 34 painéis, cinco keynotes, 26 sessões orais de trabalhos científicos e cinco sessões de pôsteres, com mais de 130 professores e palestrantes convidados. 

A programação distribuiu, ao longo dos três dias, debates sobre inteligência artificial, telemedicina, interoperabilidade, Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), segurança e privacidade, saúde indígena, saúde suplementar, hospitais digitais, educação e competências digitais. Também houve showcases de interoperabilidade, uma Conectatona e demonstrações relacionadas à inteligência artificial.

Na abertura, em 23 de setembro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou a keynote que levava o mesmo nome do tema do congresso. A agenda incluiu ainda o coquetel de abertura e o painel “SBIS 40 Anos: Lições e Legado em Governança, Gestão e Sustentabilidade”. No segundo dia, Arthur Chioro falou sobre os desafios do Sistema Único de Saúde e a transformação digital, enquanto Ricardo João Cruz Correia abordou inteligência artificial, cidadania digital e equidade; a programação também previu palestra de Robin Austin sobre IA responsável na saúde. Lincoln Moura encerrou o terceiro dia com uma keynote sobre governança nacional de IA, seguida da cerimônia de encerramento e das premiações. 

Durante a abertura, Padilha apresentou números sobre a agenda digital do Ministério da Saúde: mais de 5 bilhões de registros na RNDS, 63 núcleos de telessaúde, mais de 10 milhões de teleatendimentos, 7 mil kits de telessaúde e cerca de 60 ferramentas de IA acompanhadas pelo ministério. 

O balanço também registrou 440 trabalhos submetidos — descritos pela SBIS como o maior volume da história do CBIS e 53% acima de 2024. Após a triagem, 224 foram aprovados: 115 artigos originais, 96 resumos expandidos e 13 trabalhos de iniciação científica, reunindo 640 autores. O processo envolveu 1.487 autores distintos, 107 avaliadores voluntários e 608 avaliações.

Seis trabalhos sobre transformação digital

O DIS/EPM esteve presente no CBIS2026 com  quatro artigos com a participação do prof. Ivan Torres Pisa e de integrantes da equipe do projeto Teste de Inteligência Digital em Saúde (IDs), desenvolvido no contexto da avaliação da literacia digital de trabalhadores da APS.    

O trabalho “Saúde digital na APS: proposição de um mapa de competências para profissionais do SUS” propõe, a partir de pesquisa documental e análise temática, 14 competências distribuídas entre conectividade, cidadania, criatividade e competitividade digital. A proposta busca apoiar a formação e a educação permanente de profissionais do SUS, mas ainda precisa ser validada empiricamente.

Na avaliação da versão Delta do Teste de Inteligência Digital em Saúde, 14 juízes — 11 especialistas e três profissionais da APS — analisaram 63 assertivas. Os resultados apontaram boa validade de conteúdo, mas também indicaram a necessidade de revisar 20 itens, especialmente formulações negativas e aspectos relacionados a atitudes e valores. O estudo representa uma etapa inicial, ainda dependente de outras análises psicométricas.

Outro estudo validou o conteúdo da versão 2025 do Teste IDs com a participação de dez especialistas. Os indicadores foram favoráveis, mas os avaliadores apontaram linguagem técnica excessiva, múltiplos conceitos em alguns itens e dificuldades nas formulações negativas. A contribuição está em aperfeiçoar um instrumento que poderá apoiar o diagnóstico de competências e ações de educação permanente na APS.

No campo da telessaúde, o professor Ivan Torres Pisa apresentou os resultados da Conferência de Consenso Nacional sobre o Modelo de Maturidade de Serviços de Telessaúde (TMSMM.br). O processo reuniu 21 gestores e especialistas de núcleos de telessaúde de todo o país e terminou com a assinatura unânime da Declaração de Consenso. A versão final alinhou as taxonomias de serviços à Portaria GM/MS nº 3.691/2024 — incorporando teleinterconsulta, teletriagem, telemonitoramento e teleorientação — e estruturou o modelo em 5 domínios, 64 serviços catalogados e 6 estágios de maturidade, com questionário de autoavaliação para os núcleos. A contribuição está em oferecer ao SUS Digital um referencial técnico para orientar governança, autoavaliação e melhoria contínua.

O docente também apresentou o Programa de Excelência em Gestão em Telessaúde (PEG Telessaúde), desenvolvido com Fiocruz, IFSP, INCA e RNP, com financiamento do Ministério da Saúde. O programa traduz o TMSMM.br em um ciclo prático de gestão, estruturado em quadros de indicadores — termômetro institucional, inventário operacional, funil de avaliação e balanço de valor público — e em um Plano de Ação Prioritário orientado a investimentos estruturantes. Entre os diferenciais estão as travas de consistência, que impedem o avanço de maturidade sem formalização legal, conformidade com a LGPD ou sustentabilidade orçamentária comprovada. A contribuição está em transformar o modelo de maturidade em um ciclo reprodutível de auditoria e geração de valor público.

Por fim, a revisão integrativa “O enfermeiro como mediador estratégico na transformação digital com foco na segurança do paciente” reuniu 16 estudos e defende que a enfermagem participe da configuração de alertas, protocolos e fluxos digitais. O artigo destaca que essa mediação pode fortalecer a segurança do paciente, desde que venha acompanhada de capacitação, comunicação entre equipes e supervisão clínica e ética.