HIDROSTÁTICA
Moacyr Marranghello
Atualizado por: Prof. Gelson Barreto
Moacyr Marranghello
Atualizado por: Prof. Gelson Barreto
Conceitos e aplicações de massa específica e pressão;
A relacionar as várias unidades de pressão e pressão atmosférica;
A compreender e operacionalizar o princìpio de Stevin;
A compreender e operacionalizar o princìpio de Pascal;
A compreender e operacionalizar o princìpio de Arquimedes.
O termo hidrostática refere-se a equilíbrio de líquidos. Como o líquido mais abundante no nosso planeta é a água, na prática, os seus conceitos falam principalmente desse líquido.
Para termos ciência desses conceitos, fazemos uma contextualização sobre uma definição matemática que relaciona a massa de um corpo e seu volume, atentando para as conversões de unidades, e diferenciando o conceito de massa específica e densidade. Pressão, suas unidades, suas aplicações, suas derivações como a pressão atmosférica e suas implicações diárias serão abordadas, tais como princípio de Pascal, que é um multiplicador de forças; princípio de Stevin, que relaciona a pressão atmosférica com a pressão hidrostática; e o princípio de Arquimedes, que determina que um corpo tenha um peso aparente no líquido menor que fora dele.
Massa específica ou massa volumétrica de uma substância é a razão entre a sua massa e o volume ocupado por ela. Para simbolizar a massa específica de uma substância, utiliza-se a letra grega, mü (𝜇). Assim, matematicamente, podemos escrever que a densidade ou a massa específica de alguma coisa pode ser determinada pela Equação 1.
Equação 1
Pode-se também fazer uma associação em relação ao peso de uma substância ou corpo. Assim, gera-se uma nova grandeza, o PESO ESPECÍFICO.
Alguns autores costumam denominar a massa específica de densidade (d). Outros preferem chamar de densidade a massa específica relativa. A massa específica relativa é o valor da massa específica de uma substância tomada em relação à massa específica de outra substância atribuída como referencial. Por exemplo, como a massa específica da água mede 1 000 kg/m3 e a do mercúrio metálico mede 13 600 kg/m3, dizemos que a densidade (ou massa específica relativa) do mercúrio mede 13,6, isto é, que sua massa específica é 13,6 vezes maior que a massa específica da água.
Onde: m é a massa (g, kg); V é o volume (cm3, m3).
𝜇 (𝑑) é massa específica, densidade em g/cm3 ou em kg/m3.
Considerar:
É a razão entre a força aplicada perpendicularmente e a área de contato. Matematicamente, a pressão é obtida, por:
Onde: Força (N); A, Área (cm2,m2), Pressão (N/m2 é Pascal)
“Uma pessoa em pé com a base dos dois pés no solo. Após, com apenas um pé apoiado no solo. Em que situação ela estará em maior equilíbrio, mais confortável?”
Com os dois pés no solo, a área de contato é maior, portanto a força é distribuída por essa área diminuindo a pressão, sendo mais confortável.
“Pegue uma caneta, pressione levemente a ponta dela contra a palma da mão, ela vai machucar você. Agora, vire a caneta e pressione novamente com a mesma força contra a palma da mão. Assim, a caneta não machuca a mão, por quê?”
Tentando manter a mesma força, quando a ponta da caneta está apoiada, a área é menor, aumentando a pressão. Virando-se a caneta, a área aumenta e diminui a pressão, ou seja, o que machuca, na verdade, é a pressão sofrida.
Como os líquidos não possuem formas definidas, ocupando os volumes e formas dos recipientes em que estão contidos, a sua pressão é determinada por:
𝑝 = 𝜇𝑔ℎ
Equação 3
Onde:
ℎ é altura da coluna do líquido (m); 𝑔é aceleração da gravidade (m/s2);
𝜇 é densidade ou massa específica (kg/m3); 𝑝 é Pressão (N/m2).
A definição é a mesma: força dividida pela área. No entanto, como estamos envolvendo um fluido (o ar), pode-se adaptar o conceito.
Evangelista Torricelli (1608-1647), Físico e Matemático italiano que foi discípulo de Galileu, realizou um experimento com mercúrio, para determinar o valor da pressão atmosférica. Torricelli pegou um tubo de vidro de um metro, com uma extremidade fechada, encheu com mercúrio, tampou a outra extremidade com o dedo e virou o tubo, colocando-o na vertical dentro de uma bacia com mercúrio. O que ele esperava que ocorresse era que o mercúrio do tubo iria descer para a bacia. Mas isso não ocorreu bem assim, pois o mercúrio do tubo desceu até uma altura de 76 cm e estabilizou. Então, Torricelli concluiu que a coluna de 76 cmHg, exercia uma pressão na base do tubo que era equilibrada pela pressão atmosférica do local. Assim, o valor da pressão atmosférica seria de 76 cmHg (centímetros de mercúrio), ao nível do mar. Em unidades do Sistema Internacional:
“Uma situação bem comum é uma pessoa tomar um refrigerante de canudinho. Se essa pessoa estivesse na Lua, poderia tomar esse refrigerante com canudo?”
Obviamente não, por que a Lua não tem atmosfera.
Um corpo, quando mergulhado em um líquido, que está em contato com o ar, terá como pressão total a pressão atmosférica mais a pressão da coluna do líquido sobre ele conhecido como princípio de Stevin, Equação 4:
𝑝 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑝 𝑎𝑡𝑚 + 𝜇𝑔ℎ
Equação 4
Simplificadamente, uma coluna de 10 m de água equivale a uma pressão de 1 atm.
O físico, matemático e filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), ao observar a condição de equilíbrio em líquidos, verificou que isso depende da variação de pressão.
Assim, a relação matemática para equilíbrio em líquidos é dada pela Equação 5:
Sendo o princípio de pascal um multiplicador de forças.
Onde: a é a área menor; f é a força menor;
A é a área maior; F é força maior.
Uma aplicação direta:
Abordar a história de Arquimedes e suas realizações bem como a famosa situação em que foi contratado pelo Rei Hieron, para solucionar a dúvida se sua coroa era ou não de ouro puro, fato que deu origem a esse princípio, é o caminho mais tranquilo e objetivo para abordar o princípio de Arquimedes, conhecido como Empuxo.
Arquimedes de Siracusa (287 a.C.-212 a.C.) foi um matemático, físico, engenheiro, inventor e astrônomo grego (Figura 3). Ele observou que corpos mergulhados em fluidos sofrem a ação de uma força vertical para cima denominada de Empuxo, que é resultado da diferença de pressão entre a parte superior do corpo e a parte inferior.
Como dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar simultaneamente, tem-se a relação matemática para o Empuxo dada pela Equação 6.
𝐸 = 𝜇𝑔𝑉LD
Equação 6
Onde:
g → é aceleração da gravidade, g= 10 m/s2
𝜇 → é massa específica, densidade (kg/m3)
VLD → é volume do líquido deslocado (m3)
E → é Empuxo (N)
A relação entre a densidade do corpo (𝜇 C ) e do líquido (𝜇 L ) vai determinar se o corpo irá flutuar ou afundar no líquido.
a) Quando tem-se 𝜇 𝐶 < 𝜇 𝐿 :
Ao colocarmos o objeto no meio do recipiente com água, a sua tendência é subir ficando, pois nesse caso o Empuxo é maior que seu Peso.
b) Quando tem-se 𝜇 𝐶 = 𝜇 𝐿 :
Ao colocarmos o objeto no meio do recipiente com água, ele fica em equilíbrio. Pois o Empuxo é igual ao Peso.
c) Quando tem-se 𝜇 𝐶 > 𝜇 𝐿 :
Ao colocarmos o objeto no recipiente com água, a sua tendência é afundar, nesse caso o Empuxo é menor que seu Peso.
Um caso particular é quando um objeto chega ao fundo, tem-se assim novamente a condição de equilíbrio dada pela Equação 7.
𝑃 = 𝐸 + 𝑁
Equação 7
Onde N é a força de reação Normal do fundo sobre o corpo. Ambas em Newton.
Uma pergunta frequente é: Como um navio, com massa gigantesca, flutua (Figura 1)?
Como o seu volume é muito maior que a sua massa, a sua densidade é menor que 1, portanto menor que a densidade da água, sendo assim ele flutua.
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Coordenação e Revisão Pedagógica: Claudiane Ramos Furtado
Design: Gabriela Rossa
Diagramação: Marcelo Ferreira
Ilustrações: Rogério Lopes
Revisão ortográfica: Igor Campos Dutra