Sistema urinário
Funções
Estruturas (néfron, formação de urina – filtração, reabsorção, secreção, ureteres, bexiga urinária, uretra)
Sistema digestório
Tipos de digestão
Digestão mecânica
Digestão química
Estruturas (boca, faringe e esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso)
Neste capítulo, vamos abordar a anatomia e fisiologia do sistema urinário e digestório.
O Sistema Urinário é responsável pela excreção de substâncias prejudiciais ou que estão em excesso no organismo, através da urina. É constituído por dois rins e pelas vias urinárias, formada por dois ureteres, a bexiga urinária e a uretra.
O processo de excreção inicia pela filtração do sangue, quando o mesmo chega até os rins, onde é filtrado através néfrons e a seguir ocorre o processo de reabsorção de algumas substâncias, como a glicose, aminoácidos, água, entre outras que voltam para o sangue. Além disso, através da secreção as substâncias tóxicas são encaminhadas para os ureteres, bexiga e uretra, por onde são expelidas mantendo a homeostase corporal.
O sistema digestório é responsável pela digestão dos alimentos transformando-os em moléculas menores que serão absorvidas, pois são extremamente necessárias para gerar energia para todo o organismo. Este processo ocorre por meios mecânicos e químicos. É formado pelo tubo digestório (boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso) e os órgãos anexos (glândulas salivares, dentes, língua, pâncreas, fígado e vesícula biliar).
A maioria dos alimentos são degradados e os nutrientes são absorvidos via intestinal, porém as substâncias não absorvidas no nível gástrico, como as fibras, são excretadas através das fezes.
O sistema urinário é formado por vários órgãos, cuja função é filtrar as impurezas do sangue, produzir e eliminar a urina, que excreta as substâncias tóxicas orgânicas.
Regula o equilíbrio hídrico e eletrolítico do organismo; a osmolaridade e volume do sangue; regula o pH e a pressão sanguínea; produz hormônios (eritropoetina, renina); excreta substâncias tóxicas orgânicas.
O sistema urinário é formado por 2 rins (direito e esquerdo) e pelas vias urinárias (2 ureteres, bexiga e uretra).
Possuem a forma de feijão e estão localizados no abdome, à direita e à esquerda da coluna vertebral, sendo que o rim direito encontra-se um pouco abaixo do rim esquerdo devido à presença do fígado. Acima de cada rim, na parte superior, estão as glândulas supra-renais que fazem parte do sistema endócrino.
Responsáveis pela filtração do sangue, sendo o local onde se forma a urina, composta por 95% de água, 3% de ureia, cloreto de sódio e ácido úrico.
Possuem duas margens: uma côncava e outra convexa. Na convexa, entra a artéria renal, que leva ao rim sangue arterial e sai a veia renal, que retira o sangue venoso do rim, levando-o para a veia cava inferior; também sai o ureter. Está envolvido por uma cápsula renal fibrosa.
O parênquima renal é formado por 2 camadas: o córtex (externa) e a medula (interna).
O córtex renal contém 90% da vascularização renal e numerosos néfrons, que são as unidades funcionais dos rins, responsáveis pela formação da urina.
A urina formada é coletada em um sistema de cálices renais menores, que se abrem nos cálices maiores, que desembocam na pelve renal e, posteriormente, a urina passa para o ureter. A região do rim que contém os cálices, a pelve renal, o ureter e os vasos renais é chamada de seio renal.
A medula renal consiste de 8 a 18 pirâmides renais que se agrupam formando os ductos que coletam a urina formada nos néfrons. A base das pirâmides é voltada para o córtex e o ápice para a medula. No vértice de cada pirâmide, localiza-se a papila renal.
É constituído por um glomérulo e pelos túbulos renais. O glomérulo é formado pelos capilares glomerulares, que se ramificam e formam uma rede a qual está coberta pela cápsula de Bowman, que detém o líquido, e passam a formar uma sequência de tubos (ou túbulos): túbulo proximal, alça de Henle, túbulo distal, túbulo conector, túbulo coletor e ducto coletor.
O sangue chega aos rins pela artéria renal, se ramificam em arteríolas e se ligam aos capilares glomerulares, local onde ocorre a filtração.
Os vasos eferentes se tornam em capilares peritubulares, que circundam os túbulos renais e passam a formar as veias que formam as veias renais que saem do rim pelo hilo.
A formação da urina ocorre através de 3 processos: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular.
Ocorre na cápsula glomerular, que consiste no extravasamento de parte do plasma sanguíneo do glomérulo renal para a cápsula de Bowman. Esse líquido extravasado é chamado de filtrado, constituído por toxinas e água e sais minerais em excesso. A seguir, o filtrado passa para o túbulo proximal, alça de Henle, túbulo distal e ducto coletor.
Serve para reabsorver os componentes necessários para o metabolismo celular e, dessa forma, voltar para o sangue. No túbulo contorcido proximal são reabsorvidos a glicose, aminoácidos e vitaminas. Na alça de Henle e túbulo contorcido distal ocorre reabsorção de água, sódio, potássio. Porém, as substância tóxicas como a ureia, o ácido úrico, o excesso de sais minerais e um pouco de água permanecem nos túbulos renais, formando a urina.
Movimento de água e solutos do plasma dos capilares peritubulares ou células dos túbulos renais para dentro do lúmen dos néfrons Ocorre principalmente no túbulo distal e no ducto coletor. É um processo oposto ao da reabsorção, pois os íons hidrogênio, potássio, amônia e medicamentos presentes nos capilares são lançados no interior do túbulo renal garantindo a eliminação pela urina.
São dois tubos musculares compridos e finos com início no rim, desde a pelve renal até a bexiga, onde desemboca através do óstio ureteral.
A urina chega à bexiga urinária por ação da gravidade e também através dos movimentos peristálticos ureterais.
Órgão muscular em forma de bolsa que serve como um reservatório de urina até a sua eliminação. Suas paredes contêm o músculo detrusor da bexiga, que é delimitada pelos dois orifícios que recebem os ureteres e o orifício interno da uretra, que é conhecida como trígono da bexiga (corresponde a um triângulo com a base para cima).
A bexiga urinária armazena, em média, de 200 a 300 mililitros de urina, mas pode armazenar até 800 mililitros.
A bexiga se enche pela ação do sistema nervoso simpático que está relacionado ao enchimento da bexiga urinária e o parassimpático ao seu esvaziamento.
Canal muscular que conduz a urina da bexiga urinária ao meio externo. Termina em um orifício chamado meato urinário.
Apresenta dois esfíncteres:
1. Esfíncter interno: Localizado no início da uretra e cuja contração é involuntária e impede a saída da urina da bexiga.
2. Esfíncter externo: Apresenta contração voluntária, permitindo o controle da vontade de urinar até certo limite.
A uretra feminina só conduz urina e a masculina conduz urina e esperma.
O rim é responsável pela produção de três hormônios: renina, eritropoietina e 1,25-diidrocolecalciferol.
É secretada pelas células justaglomerulares renais, as quais secretam o angiotensinogênio.
Estimula a medula óssea a produzir as hemácias, evitando a anemia.
Produzido nos túbulos proximais, é a forma ativa da vitamina D, pois promove a absorção de cálcio no intestino.
O Sistema digestório é formado por um longo tubo muscular associado aos órgãos e glândulas que participam da digestão.
É responsável pela quebra dos alimentos em partículas menores, absorção dos nutrientes e por eliminar o material não digerido.
Corresponde à trituração e fragmentação dos alimentos em partículas menores, facilitando a ação dos sucos digestivos. Ex.: mastigação, deglutição e movimentos peristálticos.
Corresponde às reações químicas nas quais os alimentos são degradados em moléculas mais simples. Ex: enzimas.
O trato gastrointestinal, que é formado pela boca (língua, dentes, saliva), faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno, íleo) e intestino grosso (ceco, cólon, reto, ânus). Associadas a esses órgãos, estão as glândulas acessórias, também chamadas de glândulas associadas, que são as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas.
Constituída pela língua, úvula, saliva e dentes.
A língua tem como função sentir o sabor dos alimentos e envolver o alimento na saliva. A úvula auxilia na deglutição e na fonação. A saliva é produzida pelas glândulas salivares que umidifica e amolece os alimentos, além de digerir o amido pela enzima amilase. Os dentes têm a função de triturar, amassar, furar e rasgar os alimentos, transformando-os em partículas menores.
O adulto tem 32 dentes: 4 incisivos (cortar), 2 caninos (rasgar e furar), 4 pré-molares (amassar e triturar) e 6 molares (amassar e triturar).
Está situada no final da cavidade bucal, é um canal de 12 a 13 cm de comprimento, comum aos sistemas digestório e respiratório. Por ela passam o alimento, que se dirige ao esôfago, e o ar, que se dirige à laringe.
O esôfago é o canal que liga a faringe ao estômago, localiza-se entre os pulmões, atrás do coração, e atravessa o músculo diafragma, que separa o tórax do abdômen.
O bolo alimentar triturado leva para percorrer até o estômago em torno de 5 a 10 segundos.
O estômago é um órgão em forma de bolsa localizado inferiormente ao diagrama.
É dividido em: cárdia, fundo, corpo e porção pilórica.
Cárdia: Está localizada na transição entre esôfago e estômago.
Fundo: É a porção superior em forma de cúpula
Corpo: É a porção central que ocupa maior parte do estômago.
Porção pilórica: É uma área estreitada na região terminal.
No estômago, ocorre a liberação do suco gástrico, composto pelo ácido clorídrico e a pepsina. O ácido clorídrico fragmenta as proteínas, facilitando a ação das enzimas. A pepsina, por sua vez, atua quebrando as proteínas em polipeptídeos menores.
O bolo alimentar misturado ao suco gástrico passa a ser chamado de quimo e o alimento permanece no estômago por cerca de 2 a 6 horas.
É dividido em três porções: duodeno, jejuno e íleo, podendo apresentar mais de seis metros de comprimento e onde ocorre a maior parte do processo de digestão acontece.
O duodeno possui em torno de 25 cm e é onde ocorre a mistura do quimo com as secreções pancreáticas, do fígado e do próprio intestino delgado como:
Produzido pelo pâncreas, composto por uma solução alcalina rica em bicarbonato e também por enzimas, tais como a tripsina e a quimiotripsina, que atuam nas proteínas; as nucleases pancreáticas, que atuam nos ácidos nucleicos; e a lipase pancreática, que atua nos lipídios.
É produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar. Os sais biliares atuam como emulsificantes, ou seja, funcionam como detergentes.
São secretadas pelo intestino as enzimas como a maltase (quebra a molécula de maltose em 2 moléculas de glicose), a sacarase (quebra a molécula de sacarose em 1 molécula de glicose e 1 molécula de frutose) e a lactase (quebra a molécula de lactose em 1 molécula de galactose e 1 molécula de glicose).
As vilosidades intestinais aumentam a capacidade absortiva intestinal.
No duodeno, ocorre a maior parte da digestão e no restante do intestino delgado ocorre a absorção de nutrientes.
Após o alimento sair do duodeno, segue para o jejuno (2,5 m) e depois para o íleo (3,5 m). Após a ação de todas as substâncias presentes no intestino delgado, o quimo passa, então, a ser chamado de quilo.
Possui em torno de 1,5 m, corresponde à porção final do sistema digestório, formado pelo ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmóide e reto.
É responsável pela formação da massa fecal e reabsorção de água, processo esse que se iniciou no intestino delgado.
O reto termina em um estreito canal anal, que se abre no ânus, onde as fezes são eliminadas.
À medida que o alimento vai passando pelo sistema digestório, vai sendo digerido e vai recebendo as seguintes denominações:
ALIMENTO + SALIVA = BOLO ALIMENTAR
BOLO ALIMENTAR + SUCO GÁSTRICO = QUIMO
QUIMO + SUCO PANCREÁTICO + SUCO ENTÉRICO + BILE = QUILO
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Coordenação e Revisão Pedagógica: Claudiane Ramos Furtado
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Diagramação: Marcelo Ferreira
Ilustrações: Rogério Lopes
Revisão ortográfica: Ane Arduim