Homeostasia no corpo humano;
Sistema de controle da homeostasia;
Sistemas de Feedback ou Retroalimentação positiva e negativa;
Desequilíbrios homeostáticos.
Estimados alunos,
Vamos começar a estudar a Anatomofisiologia Humana que é a união das ciências Anatomia e Fisiologia. A anatomia vem do grego ana = em partes; tomein = cortar), estuda a constituição estrutural do corpo humano, enquanto a fisiologia (do grego physis = natureza; logos = estudo) estuda a estrutura e a funcionalidade dos diferentes componentes orgânicos que devem estar em equilíbrio, ou seja, em homeostase ou homeostasia. A homeostase, nada mais é, do que a manutenção das condições estáveis, constantes no meio interno, para que haja equilíbrio entre todos os arranjos orgânicos. A homeostase ocorre em nível celular e corporal, isto é, tanto nas células isoladas como nas integradas, nos fluidos corporais, tecidos e órgãos.
O corpo humano sofre inúmeras pressões externas e internas, as quais promovem o desequilíbrio na homeostase corpórea. Esse desequilíbrio deve imediatamente ser restabelecido, a fim de que, não ocorra nenhum prejuízo estrutural e funcional.
A homeostase é restabelecida através do mecanismo de retroalimentação também conhecido como feedback, através de ações antagônicas positivas ou negativas.
Aguardo vocês para compartilharmos essa aprendizagem!
Independentemente de raça, sexo ou idade, o corpo humano possui alta complexidade pois é formado por diferentes tipos de íons, átomos, moléculas, células, tecidos, órgãos e sistemas. O funcionamento do organismo, ocorre através de uma determinada classificação hierárquica de níveis de organização (Figura 1).
O primeiro nível de organização do corpo humano é o nível químico, sendo representado pelos íons, átomos e moléculas que são estruturas químicas fundamentais para a manutenção da vida. A combinação de átomos e moléculas promove a formação do segundo nível de organização, o nível celular representado pelas células.
O segundo nível de organização do corpo humano é representado pelas células, que são as unidades estruturais e funcionais que formam todos os organismos vivos. O corpo humano é formado por aproximadamente 10 trilhões de células que trabalham em conjunto, e cada uma delas possui funcionalidades específicas como produção de energia, proteção, reprodução, entre outras.
O terceiro nível organizacional do corpo humano é representado pelos tecidos, que se formam quando diferentes tipos de células se agrupam. Entre os principais tipos de tecidos encontrados em nosso organismo, podemos citar os tecidos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Esses tecidos podem fazer parte do revestimento externo ou da constituição dos órgãos do corpo humano.
O quarto nível de organização estrutural corresponde aos órgãos, os quais são distribuídos pelo corpo e possuem funções e formatos específicos, sendo que os principais são representados pelo cérebro, coração, pulmões, fígado, rins, pâncreas, intestino, baço e bexiga. São os responsáveis pela formação dos vários tipos de sistemas que constituem.
O quinto nível hierárquico são os sistemas orgânicos. Um sistema é um grupo de órgãos que juntos executam determinada tarefa. Os sistemas orgânicos são: tegumentar, esquelético, articular, muscular, cardiovascular, respiratório, digestivo, urinário, reprodutor, nervoso, endócrino e linfático.
O sexto nível de organização é o organismo, o qual é formado por todos os sistemas funcionando de maneira integrada e constituindo o indivíduo vivo.
O organismo necessita que todas as variáveis estejam completamente em equilíbrio para o seu correto funcionamento.
Um exemplo é a regulação da temperatura. Quando a temperatura corporal encontra-se muito elevada, podem ocorrer mudanças no estado mental do indivíduo além do comprometimento de órgãos e possivelmente a sua morte.
A manutenção da homeostasia ocorre quando o meio interno mantém os parâmetros físicos e bioquímicos sem alterações discrepantes. Isso ocorre devido aos vários processos fisiológicos que acontecem de maneira coordenada. Alguns processos como digestão, excreção e respiração garantem que o meio interno consiga obter nutrientes e oxigênio suficiente para as células e impedem que substâncias tóxicas causem danos ao organismo sendo eliminadas (Figura 2).
A manutenção do ponto de equilíbrio do organismo é continuamente passível de ser modificada, e a homeostase consiste na capacidade que o corpo possui em detectar essas modificações e reagir às mudanças provocadas por esses fatores indutores. Os sistemas de controle fisiológico mantém a variável regulada dentro de uma faixa desejada durante a homeostase. Quando a variável estiver fora da faixa, o sensor é ativado e sinaliza o centro regulador o qual promove a alteração do efetor, para que o mesmo exerça a ação de regulação (Figura 3).
A homeostase térmica é um dos vários mecanismos que requerem constantemente o monitoramento do sistema de controle. Esse tipo de homeostase pode ser garantida pelo tremor dos músculos esqueléticos que geram calor em momentos de baixa temperatura assim como a liberação de suor que tem como objetivo resfriar o corpo em temperaturas elevadas.
A homeostase química também é regulada pelo sistema de controle. Um importante exemplo é o controle da glicemia que compreende os mecanismos utilizados para a manutenção das taxas normais de glicose no sangue, pela produção de insulina (quando a glicemia está alta) e glucagon (quando a glicemia está baixa).
Eliminação de dióxido de carbono e a absorção de oxigênio pelos pulmões; a excreção de ureia e o equilíbrio das concentrações de água e íons pelos rins. Além de todas essas variáveis, outras que precisam ser constantemente observadas são a pressão arterial, frequência cardíaca e pH dos líquidos corporais.
A homeostase é mantida através de sistemas de retroalimentação que dividem-se em feedbacks positivos e negativos. Nessas retroalimentações, ocorrem eventos onde a condição corporal passa por constantes monitoramentos, modificações e avaliações. As condições monitoradas no processo de homeostasia podem ser ocasionadas por alterações no ambiente interno ou por estímulos provenientes do ambiente externo. É por meio do feedback que ocorre a regulação da secreção hormonal e outros processos como o controle da pressão arterial e da temperatura corporal.
O feedback negativo é o processo de retroalimentação mais recorrente do organismo, sendo considerado o mecanismo primário para a manutenção da homeostase.
O feedback positivo aumenta o estímulo que gera o desequilíbrio fazendo com que os valores fiquem ainda mais diferentes do padrão. Esse feedback ocorre com menor frequência no organismo e nem sempre é benéfico, uma vez que o organismo não é programado para voltar à estabilidade.
Os sistemas de retroalimentação possuem receptores responsáveis por monitorar as alterações e enviar informações para um centro de controle. Esse centro de controle avalia a informação recebida e gera sinais e impulsos químicos direcionados para componentes efetores. Esses efetores, ao receberem os impulsos, produzem respostas que alteram condições controladas. Em casos de aumento da pressão sanguínea, os barorreceptores enviam impulsos para o encéfalo, o qual interpreta as informações e envia impulsos nervosos ao coração, que diminui a frequência cardíaca restaurando a condição controlada.
Os desequilíbrios homeostáticos compreendem alterações no ambiente interno do corpo devido a interrupções na interação de processos responsáveis pela regulação do organismo.
Alguns desequilíbrios homeostáticos podem ser caracterizados pela presença de sintomas como náuseas e cefaleias e sinais como sangramento, inchaço, vômitos, diarreia, febre etc. As doenças causam um amplo leque de desequilíbrios homeostáticos apresentando inúmeros sintomas e sinais reconhecíveis.
Podem causar desequilíbrio na homeostase, como os baixos níveis de sódio que promovem aumento na entrada de água no interior das células e, em altas concentrações, resultam na falta de acesso à água ocasionando a sede.
Promove desidratação, tonturas, náuseas, dores de cabeça e queimaduras, prejudicando as células da pele, assim como estimulando processos apoptóticos e de envelhecimento causados por contato direto com raios ultravioleta e radicais livres, responsáveis pelo desencadeamento de estresse oxidativo e de câncer de pele sendo outro exemplo de desequilíbrio da homeostase.
Podem comprometer a homeostasia, em nível metabólico, pois as enzimas funcionam em processos que convertem o alimento consumido em energia podem ser ativadas ou inibidas pelo uso de fármacos. Alguns sintomas relacionados ao comprometimento das funções enzimáticas incluem fadiga, diarreia e inflamação crônica, incluindo constipação, gases e distensão abdominal.
Provoca modificações hormonais que comprometem a homeostase. Os hormônios são produzidos por glândulas específicas responsáveis pelo funcionamento e o desenvolvimento de determinadas partes do corpo. Miomas, irregularidades menstruais e síndrome pré-menstrual são indicativos de desequilíbrio hormonal no organismo feminino. Em homens, os distúrbios hormonais, como a queda na síntese do hormônio testosterona, começam a desencadear-se após os 40 anos de idade, sendo evidenciados em problemas que afetam a micção, ereção, libido e complicações associadas com a próstata.
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