O Styling teve origem nos Estados Unidos, durante o período da crise de 1929, na qual era necessário que o país conseguisse sair desse momento delicado em que vivia e para isso era preciso aumentar as vendas, o que segundo Karl Marx era necessário, visto que somente pelo consumo o produto realmente se torna produto. Dessa forma, o Styling foi inserido para transformar os produtos deixando-os cada vez mais bonitos com o intuito de atrair mais compradores, esse fato muitas vezes não considerava a questão técnica e funcionalidade do produto a ser comprado. Assim “muitos eletrodomésticos, moveis de aço e outros objectos acusam esta tendência renovada para estruturas não já aerodinâmicas, mas rectilíneas que, não obstante, perderam a dureza e a rigidez da linha racionalista de outrora, para assumirem uma nova maleabilidade acentuada por motivos claramente ornamentais (DORFLES, 1991, pag. 51).
Porém, é possível observar que a partir da inserção desse novo estilo existiram opiniões divergentes principalmente em relação a uma parte dos profissionais da área do design, críticos e especialistas, os quais defendiam algo que se opunha as mudanças e que preservasse as regras da sociedade, ou seja, não achavam que fossem necessários os tipos de modificações que esse estilo estava disposto a trazer para mudar o estilo de vida da população e a maneira de compra do mercado daquela época. Nesse contexto, “o styling poderia ser considerado como uma forma de arte popular, ou seja, como uma espécie de subcategoria artística cujo valor estético é tão-só aleatório” (Reyner Banham, Machine Aesthetics, in The Arch. Ver., 1955, pag.171)
Mas por outro lado, ainda existiam aqueles que defendiam esse novo estilo e consequentemente começaram a criar também um novo gosto em relação aos produtos, isso fez com que tais produtos modificados fossem comprados principalmente pelas grandes massas e dessa maneira esse estilo permanecesse como sendo necessário durante muito tempo e dessa forma era perceptível que por mais que uma parte fosse contrária ao design industrial, era preciso cada vez mais de produtos novos e com estilo atual para lucrar cada vez mais e dessa maneira tentar estabilizar o caos econômico em que vivia determinada parte da sociedade. Essa situação, faz com que a população procure somente o prazer imediato, colaborando para a confirmação da ideia da corrente hedonista de Aristipo de Cirene, o qual acreditava que a felicidade era atingida através da satisfação completa de seus desejos e da negação do sofrimento, e desse modo levavam ao prazer, o que permitia que isso passasse a ser o propósito de vida das pessoas, ou seja, buscar o prazer através da compra de produtos, atendendo assim seus desejos momentâneos. Nesse viés, como a maioria dos designers tinham conhecimento desse fato, buscavam cada vez mais focar em instigar a compra por meio da beleza e elegância dos objetos.
Mesmo com toda rejeição e com vários pontos para serem melhorados, em relação a evolução da sociedade, o Styling também foi um aspecto bastante positivo, pois de certa forma colaborou para que novos modelos de produtos surgissem e uma maneira para reerguer a economia de diversos países, inclusive os Europeus, que de imediato foram contra essa ideia, mas abriram mão em prol do crescimento econômico, visto que segundo Raymond Loewy, entre dois produtos de igual qualidade e preço o que tiver mais elegante venderá mais. Nesse âmbito “pôde constatar-se que o tipo de styling a americana foi chamado a abrir uma brecha também na Europa, enquanto a situação econômico-social do nosso continente reclamou a sua aplicação. Não faltam os exemplos desse aspecto do styling europeu. Basta nos aludir aqui ao conhecido caso da máquina Lexicon «Olivetti» redesenhada por Nizzoli e aplicada ao novo modelo Diaspron que, embora piorando relativamente à primeira na linha construtiva (sem qualquer razão técnica para isso), tornou mais apetecível a sua aquisição, dada a renovação exterior do produto.” (DORFLES, 1991, pag.52)
Diante disso “o caso do styling nos deve deixar elucidados acerca da natureza equívoca do design industrial, que se caracteriza precisamente, por construir um elo entre o domínio da estética e o da produção a tal ponto que é impossível prescindir de um elemento publicitário e do engodo comercial mesmo nos casos em que talvez pareça ser respeitado com mais rigor o imperativo único da função e da «forma óptima»” (DORFLES, 1991, pag.53). Nesse contexto, o styling por si só, preocupa-se somente com a questão de vendas e beleza do produto, o que realmente pode ter um lado bastante perigoso, visto a questão do consumismo exacerbado que é presente principalmente nos dias atuais, o que muitas vezes pode ser caracterizado como doença, uma vez que, o indivíduo compra muitas vezes somente para saciar seus desejos, não tendo nenhuma utilidade para o produto. Esse consumo desenfreado reflete também no meio ambiente, tanto na questão de descarte inadequado de lixo quanto na retirada de matérias primas da natureza para a produção dessa grande quantidade de objetos consumidos.
De maneira geral, é possível concluir que existem grandes discordâncias em relação ao styling, alguns concordam que ele foi essencial para determinadas mudanças e evoluções pontuais durante esse período e assim se tornou essencial e outros defendem que o melhor seria se manter sem nenhuma transformação desse tipo. Levando em consideração o aspecto evolutivo socialmente falando esse estilo foi de grande importância e uma experiência válida para o crescimento tanto social quanto econômico, já em relação a questão do consumismo, pode se tornar algo fora do controle e que não seja saudável para determinados indivíduos, tal fato já era defendido por Raymond Loewy, o qual defendia que o desenho industrial era para trazer melhorias para a vida da população e não destruí-las, além de questões ambientais que também pode ser um ponto a ser prejudicado pelo consumo incontrolável. Porém, é válido afirmar que o lado proveitoso o styling fala mais alto, dessa maneira “o nosso veredicto acerca do styling não é tão pessimista como o de muitos especialistas europeus (particularmente ingleses, como Paul Reilly), que se mostram absolutamente hostis a essa orientação do design industrial.” (DORFLES, 1991, pag. 52).
REFERÊNCIAS:
NORAT, M. E SILVA, A. Consumismo exacerbado e meio ambiente como vítima da indústria. Revista direitos sociais e políticas púbicas (UNIFAFIBE), São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.unifafibe.com.br/revista/index.php/direitos-sociais-politicas-pub/article/view/1045 acesso em: 12 de fevereiro de 2022
Porto Editora – hedonismo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-02-12 23:31:42]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$hedonismo
DORFLES, G. O design industrial e a sua estética. Lisboa, 1991.
Texto desenvolvido por Mariana Martinho de Oliveira para a disciplina Introdução ao Estudo do Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).