Monitoramento de plantas exóticas invasoras nas áreas de influência da transposição do rio São Francisco (PISF)

Um dos principiais empreendimentos de infraestrutura atualmente em andamento no Brasil é a Integração do rio São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional (PISF). O PISF foi iniciado em 2007 com o objetivo de facilitar o acesso das populações humanas das regiões mais secas do Nordeste a água do Rio São Francisco e é composto por dois eixos independentes de canais com extensão de 260 km e 217 km, respectivamente, que atravessam os Estados de Pernambuco, Ceará e Paraíba na região da Caatinga. A Caatinga ocupa 11% do território brasileiro e apresenta alta riqueza de ambientes e de espécies, incluindo espécies endêmicas. Entretanto, é também o bioma menos estudado, com um déficit de informações quanto a sua biodiversidade. Dentre os Biomas existentes no território brasileiro, a Caatinga é considerada um dos mais ameaçados, com sobre-exploração de recursos naturais, deterioração pela ação humana e uma minúscula porcentagem do Bioma protegido por unidades de conservação. Em termos de espécies vegetais introduzidas, já foram identificadas 205 espécies exóticas estabelecidas no Bioma Caatinga. Destas, 155 são consideradas naturalizadas (possuem populações autossustentáveis em escala local), o que representa de 3,4% do total de espécies vegetais do Bioma, e ao menos 20 espécies exóticas já desenvolvem processos de invasão biológica em larga escala (p. ex., Prosopis juliflora, Nicotiana glaucae Calotropis procera).

Neste projeto, que engloba a totalidade do PISF, nós queremos entender a relação entre uma grande obra de infraestrutura e os processos ecológicos de disseminação e invasão de espécies exóticas, e quais são os efeitos dessa relação para a biodiversidade da Caatinga. Queremos também usar o conhecimento ecológico produzido para elaborar medidas de prevenção e mitigação de impactos de invasões biológicas que possam ser adotados por empresas e poder público no PISF e em outras grandes obras de infraestrutura. Em trabalhos preliminares realizados neste último ano, já detectamos 23 plantas exóticas colonizando as margens dos canais da transposição, incluindo situações onde já há formação de populações invasoras adentrando áreas de Caatinga. Contudo, ainda há muito habitat disponível ao longo dos 477 km de canais para que os processos de colonização continuem e se acentuem nos próximos anos. Por isso, existe atualmente uma oportunidade ímpar para estudarmos processos de colonização de espécies exóticas e exóticas invasoras em tempo real e a tempo de elaborar e propor medidas de prevenção e mitigação de possíveis impactos ecológicos causados por espécies exóticas invasoras que se beneficiam dos canais do PISF para se proliferar.

Projeto em colaboração com o NEMA da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Prof. Renato Garcia Rodrigues)