Determinação do efeito da urbanização em abelhas nativas e avaliação de land sharing e land sparing como estratégias de conservação

Atualmente, a urbanização é o tipo de uso da terra que mais cresce globalmente, e o seu papel na mediação da diversidade de abelhas nativas ainda é pouco compreendido. Diferentes componentes dos ambientes urbanos podem substituir os recursos florais e de nidificação necessários para a sobrevivência das abelhas, e, dentre os efeitos provocados estão mudanças na composição da comunidade, nas redes de polinização e homogeneização biótica.

Apesar de todos os efeitos negativos citados, muitas espécies de abelhas persistem em áreas urbanas, demonstrando que essas áreas podem atuar como locais de refúgios. Dessa forma, é necessário um entendimento mais completo sobre como a cidade pode ser planejada para esse fim. Uma das abordagens que tem sido discutida a respeito do planejamento urbano para a conservação da biodiversidade é o compartilhamento da terra (land sharing) versus economia de terra (land sparing). No primeiro caso, a paisagem é gerida com menor intensidade para permitir a coexistência de vegetação e ambiente urbano num mosaico, enquanto no segundo, a preservação da terra permite a retenção de grandes, embora isolados, fragmentos de hábitat em toda a paisagem que contribuem para os objetivos de conservação.

À medida que a ecologia urbana avança na ciência da ecologia, devemos atualizar a compreensão do papel das cidades na conservação de abelhas, a fim de engajar os planejadores urbanos e residentes na melhoria do hábitat dos polinizadores como uma prática de conservação. Como as abelhas são um grupo-chave de polinizadores em todo o mundo tanto para as plantas nativas como para as cultivadas, elas podem ser prontamente usadas para ilustrar a importância dos serviços ecossistêmicos, funções dos ecossistemas e capital natural.

O objetivo geral do projeto é determinar os efeitos da urbanização sobre comunidades de abelhas nativas. Dentre os objetivos específicos estão:

1. Avaliar se a diversidade, a abundância, e a composição da comunidade de abelhas nativas diferem ao longo de um gradiente de urbanização.

2. Determinar se, em áreas urbanizadas, a abundância de plantas exóticas altera a diversidade, abundância e composição da comunidade de abelhas nativas.

3. Avaliar qual modelo de paisagem urbana, land sharing ou land sparing, melhor contribui para a conservação de abelhas nativas.


Projeto da doutoranda Karla Palmieri Tavares Brancher e financiado pelo programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro 2019.