Classificada como uma das nações economicamente mais pobres da América do Sul, a Bolívia precisou enfrentar a pandemia da Covid 19 imersa nos desafios socioeconômicos e no conturbado cenário político.
O resultado das eleições de 2019 que reelegeram Evo Morales foi contestado pela oposição e a auditoria realizada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou falhas no processo eleitoral. Entretanto, um grupo de pesquisadores alega falhas na análise estatística que provocou a renúncia do então presidente Evo Morales (G1, 2020).
Após Jeanine Áñez se autodeclarar presidente interina da Bolívia, novas eleições foram marcadas para 3 de maio e a chegada da pandemia afetou em cheio as campanhas eleitorais (Ópera Mundi, 2020). Alterada para a primeira semana de agosto e depois para o dia 6 de setembro, as eleições foram adiadas pela terceira vez para 18 de outubro e desencadeou uma série de protestos e bloqueios pelo país (Carta Capital, 2020).
Além do risco a saúde e a contrariedade às recomendações de todas as autoridades sanitárias, as manifestações impediram a passagem de caminhões com oxigênio e suprimento para o atendimento aos contaminados pelo novo corona vírus (Carta Capital, 2020). Segundo o Comitê Científico sobre Covid-19 do Ministério da Saúde da Bolívia, a falta de equipamentos, insumos e profissionais é o maior desafio boliviano no enfrentamento da pandemia (SBPC, 2020).
Inicialmente, quando o país contava com doze casos no dia 10 de março, foram decretados o toque de recolher entre 17h00 e 5h00, o fechamento das fronteiras e a suspensão de voo internacionais e do transporte interdepartamental (Veja, 2020). Com a propagação do vírus, as medidas de contenção foram endurecidas e consideradas autoritárias por sindicatos e parte da população (RFI, 2020).
A punição em até dez anos de prisão a desinformação sobre a Covid-19 - vista como violação da liberdade de expressão – e a renúncia de todos os membros do comitê científico que assessorava a presidente Jeanine Áñez, alegando que o governo tomava direções não democráticas, evidenciam uma crise politico sanitária ao qual o país está submerso (UOL, 2020).
O ajuste no número de óbitos decorrentes da pandemia no início de setembro acirrou ainda mais as questões políticas e as indagações sobre as medidas adotadas para conter o avanço do corona vírus. Os últimos levantamentos apontam 133.222 contaminados e 7800 mortes, e as autoridades epidemiológicas afirmam que não há subnotificação nem manipulação dos números (Estado de Minas, 2020).
Como em todo o mundo, a onda de solidariedade e apoio coletivo tem sido fundamentais no enfrentamento da pandemia. Foram criadas cápsulas informativas sobre prevenção nas línguas nativas das comunidades indígenas bolivianas e o respeito a medicina tradicional. Essa ajuda mútua fortaleceu e organizou as comunidades na luta contra a Covid (Pagina Siete, 2020).