16 de junho de 2025
Por Marcela D. Ferrari
Foto: Conemat.IA
Você sabia que o “pai da matemática” ocidental teve como mestres os sacerdotes egípcios?
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Tales de Mileto é comumente lembrado como o iniciador da filosofia e da matemática grega. No entanto, o que poucos livros escolares contam é que parte fundamental de sua formação aconteceu... no continente africano. Mais precisamente, no Egito Antigo.
De acordo com relatos históricos de autores como Heródoto e Diógenes Laércio, Tales teria viajado ao Egito, onde conviveu com sacerdotes e estudiosos egípcios. Foi lá que aprendeu técnicas fundamentais de geometria, proporção e medição de terras — conhecimentos milenares utilizados, por exemplo, para calcular a altura das pirâmides com base em suas sombras.
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O uso de cordas para formar ângulos retos, a análise da posição do Sol para medir alturas e a elaboração de registros detalhados sobre esses saberes faziam parte do currículo das chamadas “Casas da Vida”, verdadeiras universidades localizadas nos templos egípcios.
Conforme o artigo “Raízes Africanas da Filosofia Grega”, o Egito — conhecido como Kemet pelos próprios africanos — foi um centro de saber e espiritualidade que influenciou direta e profundamente o pensamento grego. Pesquisadores da linha afrocêntrica, como Cheikh Anta Diop, Théophile Obenga e Molefi Kete Asante, sustentam que muitos dos chamados “pais” do pensamento ocidental foram, na verdade, alunos do legado africano
Resgatar esse capítulo da história da matemática é uma forma de combater o racismo epistêmico, que ainda apaga as contribuições africanas no campo científico. Como aponta o filósofo sul-africano Mogobe Ramose, negar o pensamento filosófico e matemático africano é uma forma de negar também a humanidade de seus povos.
Devemos reconhecer que o saber é construído em rede, atravessando culturas e fronteiras — e que a África teve (e tem) um papel fundamental nessa construção.
Fonte: GRANETTO, Daniel Roberto Duarte. Raízes africanas da filosofia grega: a perspectiva da afrocentricidade. Bauru-SP: Centro Universitário Sagrado Coração – UNISAGRADO, 2022. Artigo produzido na disciplina de Metodologia da Pesquisa em História, sob orientação da Prof.ª Dra. Lourdes Madalena Gazarini Conde Feitosa e do Prof. Dr. Roger M. M. Gomes.