Por que medimos coisas usando campos de futebol, cavalos e monumentos?
Por que medimos coisas usando campos de futebol, cavalos e monumentos?
04 de setembro de 2026
Por Bianca Marins Teixeira
Quando pensamos em medidas, geralmente lembramos de metros, centímetros, quilômetros e litros. Essas unidades fazem parte do nosso dia a dia e ajudam a comparar distâncias, tamanhos, volumes e pesos. Mas medir nem sempre foi tão simples. Antes da criação de sistemas padronizados, diferentes povos encontraram maneiras curiosas de medir o mundo usando partes do corpo, animais, objetos do cotidiano e até construções conhecidas. E algumas dessas medidas continuam sendo utilizadas até hoje!
O pé como medida
Você sabia que existe uma unidade de medida chamada pé? Antes da padronização das medidas, era comum utilizar partes do corpo como referência. Afinal, as pessoas sempre tinham as mãos, os braços e os pés disponíveis para fazer comparações.
O problema é que cada pessoa possui um corpo de tamanho diferente. Para evitar essa variação, algumas sociedades associaram determinadas medidas a padrões estabelecidos por reis ou autoridades. Atualmente, o pé (foot) continua sendo utilizado principalmente em países como os Estados Unidos e o Reino Unido. Um pé equivale exatamente a 30,48 centímetros. É por isso que, em alguns países, a altura de uma pessoa pode ser informada em pés e polegadas, em vez de metros e centímetros.
Tatames como medida no Japão
No Japão, encontramos um exemplo ainda mais interessante: o tatame. O tatame é um tipo tradicional de esteira utilizada nos ambientes internos das casas japonesas. Com o passar do tempo, o tamanho dos cômodos passou a ser frequentemente descrito pela quantidade de tatames que cabem neles. Assim, em vez de dizer simplesmente que uma sala possui determinada área, é possível encontrar descrições como “6 tatames”.
O tamanho tradicional de um tatame varia conforme a região e o tipo utilizado, portanto ele não funciona como uma unidade universal perfeitamente fixa. Ainda assim, essa forma de descrever ambientes continua sendo muito conhecida no Japão. É um ótimo exemplo de como um objeto do cotidiano pode se transformar em uma referência para imaginar o tamanho de um espaço.
Outra curiosidade aparece quando falamos sobre pints, uma unidade utilizada para medir volumes em alguns países. À primeira vista, pode parecer que um pint é sempre a mesma coisa. Mas não é bem assim!
No Reino Unido, o pint imperial equivale a aproximadamente 568 mililitros. Já o pint americano, utilizado nos Estados Unidos, equivale a aproximadamente 473 mililitros. Ou seja: pedir “um pint” no Reino Unido não significa receber exatamente a mesma quantidade que receberia nos Estados Unidos. Essa diferença mostra como duas regiões podem utilizar o mesmo nome para uma unidade de medida, mas estabelecer valores diferentes.
Imagine ouvir que uma área possui 100 mil metros quadrados. Você provavelmente consegue entender o número, mas pode ser difícil imaginar o tamanho real daquele espaço. Agora imagine alguém dizendo que a área corresponde a aproximadamente 14 campos de futebol. A comparação pode ser muito mais fácil de visualizar!
Por isso, campos de futebol aparecem frequentemente em notícias brasileiras para ajudar o público a compreender o tamanho de grandes áreas, como terrenos, florestas, incêndios ou áreas desmatadas. Um campo de futebol é uma boa referência visual, mas não é uma unidade oficial de medida.
Esses exemplos mostram que as medidas também fazem parte da cultura. No Japão, um ambiente pode ser relacionado ao número de tatames. Nos Estados Unidos, distâncias podem ser expressas em milhas e volumes em pints ou galões. No Reino Unido, algumas dessas mesmas unidades possuem valores diferentes.
Em outros lugares, referências históricas e culturais também influenciaram a maneira como as pessoas medem e descrevem o mundo. Por muito tempo, isso funcionou bem dentro de cada sociedade. O problema aparecia quando era necessário comparar medidas entre diferentes regiões.
Por que precisamos de padrões?
Imagine tentar construir uma ponte se cada engenheiro utilizasse um “pé” de tamanho diferente. Ou negociar uma quantidade de líquido sem saber se o pint utilizado é britânico ou americano. Seria uma grande confusão!
Por isso, sistemas padronizados de medidas foram desenvolvidos. O Sistema Internacional de Unidades (SI) estabelece padrões utilizados mundialmente para grandezas como comprimento, massa, tempo e volume. Mesmo assim, unidades tradicionais continuam presentes no cotidiano de muitos países e culturas.
No fim das contas, medir não significa apenas colocar um número em alguma coisa. É também encontrar uma maneira de entender e comunicar o tamanho, a distância, o peso ou a grandeza do mundo ao nosso redor. E talvez seja justamente por isso que algumas das maneiras mais curiosas de medir tenham sobrevivido ao longo dos séculos.
Referências
MORAES, Fernanda Carpintero de. Um passo de cada vez: conhecendo as unidades de medida através da sua história. 2019. Dissertação (Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/11630. Acesso em: 4 set. 2026.
NEMER, Luciana; THURLER, André; KLEIN, Igor. O desenho da figura humana para a expressão na arquitetura: origem e construção. Revista Prumo, Rio de Janeiro, v. 3, n. 5, p. 13, 2018. DOI: 10.24168/revistaprumo.v3i5.840. Disponível em: Revista Prumo – PUC-Rio. Acesso em: 4 set. 2026.
SPEROTTO, Fabíola Aiub. Unidades de medidas. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande (FURG), 2013. Disponível em: https://repositorio.furg.br/server/api/core/bitstreams/3bbb5ed3-5c35-474b-94f1-21bdd1d1931a/content. Acesso em: 4 set. 2026.
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