22 de junho de 2025
Por Marcela D. Ferrari
Foto: Conemat.IA
O recente ataque dos Estados Unidos ao Irã reacendeu o debate sobre os interesses por trás das guerras contemporâneas. Muito além dos discursos diplomáticos e estratégicos, os números revelam um sistema global movido por lucros bilionários, onde a matemática se torna uma ferramenta crucial para interpretar a realidade.
Uma Bomba de US$ 3,5 Milhões Entre os armamentos utilizados ou mobilizados para esse ataque, destaca-se a Massive Ordnance Penetrator (MOP), uma bomba com capacidade de penetrar bunkers subterrâneos, pesando cerca de 13 toneladas. Seu custo estimado é de US$ 3,5 milhões por unidade.
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Agora imagine: em um único ataque com dez dessas bombas, seriam gastos US$ 35 milhões — o equivalente a mais de R$ 190 milhões.
Quantas escolas poderiam ser construídas com esse valor?
Quantas famílias poderiam ser alimentadas ou quantos hospitais poderiam ser equipados?
Os dados disponíveis mostram que empresas como Lockheed Martin, Raytheon Technologies e Northrop Grumman tiveram alta nas ações logo após o ataque, confirmando um padrão histórico: os lucros da indústria bélica crescem em tempos de conflito.
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Essas empresas produzem armas como a MOP, aviões B-2 Spirit e sistemas de mísseis utilizados em conflitos globais. A matemática permite comparar: O custo de cada arma Os contratos fechados com governos A valorização de ações na bolsa A relação entre os gastos militares e os investimentos sociais
Tudo isso envolve tratamento de dados, leitura de gráficos, porcentagens, proporções, escalas, interpolação de valores temporais — conteúdos presentes no currículo da Educação Básica, mas raramente abordados de forma crítica.
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A matemática que transforma exige que estudantes questionem os dados, não apenas os reproduzam. Perguntas possíveis em sala de aula: Por que uma bomba custa mais que um hospital? Quem lucra quando uma guerra começa? Como identificar manipulações em gráficos apresentados na mídia? Por que o discurso de “defesa” custa tanto — e a paz, tão pouco?
Uma Aula que Vai Além do Quadro Incluir esse tipo de análise na escola é uma forma de formar cidadãos críticos, capazes de entender o mundo pelos dados que o sustentam. Ao invés de apenas resolver equações, os estudantes aprendem a interpretar as estruturas econômicas e políticas do planeta, fazendo da matemática uma ferramenta de justiça e cidadania.
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