ARTIGO: Mas... Política numa hora dessas?

10/09/2007 Por Alexandre Assumpção.

 

Shimamoto

Nova conversa com o Emir, (Ribeiro) outra pulga atrás da orelha.

Responda rápido: Onde foram parar os quadrinistas da última geração? Se para você, os “velhotes” estão entre trinta e quarenta anos, minha pergunta procede. E é assim, apavorado que me pergunto onde todos foram parar e temo ter descoberto um buraco negro devorador de criadores.

O que me assusta? Eu vi Flávio Colin, Shimamoto, Gedeone... Vivos. Acompanhei o crescimento de Laerte, Glauco e Angeli e vi muitos dos que estão “bombando” surgirem. E isso é mais do que pode ser dito dos que vieram depois.

Minha geração é o “elo perdido” que guarda as histórias dos antigos. (ou mantém o parco contato com os reclusos ainda vivos) No entanto, 90% dos representantes de minha geração desaparecerão na poeira depois de algum tempo. Desolador e verdadeiro a menos que os milhares de artistas que se proliferam descubram alguma solução para o dragão que nos impede de ir para as bancas e destrói qualquer mercado possível ou provável.

A desculpa de que “é Brasil”, não cola mais... Aos trancos e barrancos as coisas funcionaram até finalmente morrerem nos anos 80.  Nos últimos vinte anos tudo que temos feito tem sido imaginar soluções isoladas para um mal nacional. Ainda assim, pipocam vários títulos que sequer esquentam as cadeiras.

Vendas diretas ou localizadas tem sido um maravilhoso placebo, mas não é a solução. E mais uma vez temos quadrinistas migrando pro cinema, pra TV, pra publicidade e pra tantos lugares que o buraco negro volta a pairar sobre nós.  Os agitadores de hoje serão os pais de amanhã e isso vai cada vez mais afunilando o mercado. A menos que encontremos alguma solução real, em pouco tempo as bancas serão um cruel Sahara sacrificando a todos os esforçados o bastante para tentar algo.

Sabe, sempre que eu me lembro do pessoal que passou, entendo que hoje, temos um belo diferencial: A Internet nos une a velocidade que o correio nunca conseguiu alcançar.  E talvez seja essa a salvação dos quadrinhos em banca.

Lembram-se da “Mítica” lei dos 10% que estamos pleiteando a mais de meio século? Ela pode ser uma das soluções que buscamos. Que tal tentar? Se protestos mundiais foram organizados através de bits e bytes que fizeram história, creio que podemos fazer o mesmo. E no processo, outro mito, a “Associação Nacional dos Quadrinhistas” poderia decolar. Um grupo nacional unido e que, como os partidos, teria células locais, funcionaria bem.

Sem bairrismos ou estilo, apenas quadrinistas de todo o país se reunindo na defesa de sua mídia de escolha.  Que tal começarmos com um abaixo assinado para que façam o que realmente queremos?

Mais importante do que ressuscitar velhos conceitos republicando os trabalhos dos “mestres”... Está na hora de lutar para garantir o surgimento de novos. Existe uma lei sendo pleiteada há tanto tempo que do grupo original só três (ou menos ainda) continuam vivos.

Não seria o momento de consultar um destes “Epícuros” e perguntar à vossa sapiência o que pode ser feito sobre o assunto?

Um só grupo com o poder da quantidade. Que tal? Aproveita gente, porque nunca se sabe de quem será o próximo réquiem. Vai que é de alguém realmente imprescindível?  Comparado com “nunca mais”, vinte anos é fichinha.

Vamos fazer política, crianças?

 

Obs.: Se alguém começar, me chamem que eu assino! Eu participo de qualquer grupo que faça a diferença.  E dos que não fazem também... Fiz parte do fã-clube de “Barrados No Baile”.

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Alex Assumpção é Roteirista, e já está há mais de dez anos envolvido no meio independente, atualmente, fora seus roteiros, esta publicando textos no seu blog pessoal O Sumpa Sabe.

 

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