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Por que não existem mangás brasileiros?

Editoras e artistas tem culpa no mercado estagnado

19/05/2007 por Adriano Izhar

 Mangá nacional só nos EUA!

 

Estudos indicam que o estilo japonês de revistas em quadrinhos “mangá” é o mais popular no mundo e o Brasil é um de seus celeiros. São dezenas de revistas mensais influenciando um número imenso de artistas. Só que quando o leitor decide produzir seus próprios gibis, encontra uma dura realidade.

            A política da maioria das editoras é apenas publicar mangás japoneses traduzidos sem dar espaço para trabalhos dos artistas locais. Porém, se as editoras não abrem oportunidades, os artistas não organizam portfólios que convençam patrocinadores a lançar um mangá nacional. O problema é cultural e ambos os lados tem responsabilidade:

 

Editoras

 

         JBC, Conrad e Panini põem mangás traduzidos nas bancas todo mês, mas não possuem olheiros para identificar artistas brasileiros talentosos e não criam concursos de desenhos e roteiros, limitando o mercado local.

            O coordenador editorial da Conrad, Alexandre Linares, explica a ausência de publicações de quadrinhos no estilo nipônico nas bancas nacionais: “os desenhistas nacionais de HQs que gostam do estilo mangá devem se inspirar em construir uma identidade própria. Ainda há muita coisa que beira o plágio”.

            Mas os autores contestam a originalidade do material publicado nas grandes editoras. Diogo Farias Lima, conhecido como Nexus, co-criador da revista Zoorama, (imagem acima) estilo de quadrinho japonês onde os personagens misturam características humanas e animais, conta que há pouco material como o que ele faz por aqui, mas que mesmo assim não conseguiu apoio: “recebemos propostas indecentes dos editores brasileiros e artista tem que pagar as contas como qualquer um”, desabafa. Acabou lançando a revista nos Estados Unidos e fazendo sucesso por lá.

 

Artistas

 

          Porém, de acordo com Sérgio Peixoto, que trabalha com mangás no Brasil há quinze anos, a maioria dos desenhistas locais possui a mentalidade de que irão ficar ricos e famosos com a publicação de suas obras em fanzines (revistas de pequenas tiragens). “Estúpida ilusão” afirma Peixoto, contando sua experiência: nos anos 90: ele editou a revista Megaman e decidiu publicar histórias originais feitas por brasileiros do que traduzir as japonesas. Recebeu mais de seiscentas amostras de desenhos, mas apenas dez artistas estavam preparados para o mercado profissional Para se ter uma idéia do amadorismo nacional, Peixoto chegou a receber desenhos de uma criança de cinco anos de idade acompanhados de uma carta da mãe pedindo para dar uma chance ao garoto.

            Os mangakás (desenhistas de mangá) locais chegam a demonstrar alienação ao mercado. O pesquisador de mangás e animês e também colaborador desse site, Tiago Bacelar, afirma que o mangá brasileiro Holy Avenger foi bem sucedido por retratar temas populares entre os apreciadores do gênero: histórias medievais com dragões, amazonas, elfos. “Os desenhistas tem que estar sintonizados com o público”, afirma.

 

Caminhos

 

          O mercado está fechado para mangás brasileiros. Isso é um fato. Mas os profissionais do ramo indicam alternativas. Publicar em fanzines até conseguir uma oportunidade nas grandes editoras, possuir um portfólio com quadrinhos e não com ilustrações, para mostrar o conhecimento do artista na arte seqüencial, freqüentar cursos e eventos do meio para conhecer artistas e editores são soluções válidas para os artistas iniciantes.

            E a crítica às editoras é que deveriam valorizar mais o desenhista local. A Conrad é a única que possui espaço em seu site para análise de material.. Difícil acreditar que a publicação de pelo menos uma revista de mangá brazuca quebrasse os cofres dessas empresas.

 

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