:: BISCOITO DA SORTE

08/10/2007 Por Alexandre D’Assumpção.

 

Capítulo dois: Suicide is Painless.

Aline respira fundo e deixa a água entra no seu pulmão enquanto imagina que numa outra vida, ela poderá ser feliz. No momento que finalmente consegue ver a famosa luz e estende os braços para essa tal liberdade, mãos fortes agarram as suas e ajudam-na a subir para um barco.

Dois homens cujo rosto não consegue ver - e se conseguisse, quando se lembrasse, teriam a imagem de suas fantasias – falam sobre os perigos daquela praia e de sua sorte de alguém tê-la visto.

Os comentários de sempre sobre o valor da vida também são lembrados e ela é devolvida para a rua. Derrotada, ainda decide se deitar na rua e ser esmagada pelo primeiro carro, mas depois de dormir e ser acordada pelos primeiros raios de sol, (ainda viva) ela se conforma e decide ir pra casa.

Assim que chega, desaba na cama e antes de apagar totalmente, pensa: “Cara, eu faria qualquer coisa pra me vingar desse escroto”.

Entre sonhos picotados, ela se imagina numa pia cerimonial, cortando o reflexo da lua com uma faca e clamando por sua vingança. Piedosa, a senhora dos caminhos avisa que em breve, conversarão sobre o assunto.

Depois de dormir um dia inteiro, acordar oito da noite e ouvir as mesmas ladainhas de seus pais, ela decide caminhar um pouco. Sem perceber, vai parar em um hospital de freiras que nos fundos, tem um cemitério.

Logo de cara, é recebida por um imenso morcego (branco) das catacumbas. Passado o susto inicial, decide se sentar num túmulo e ouvir Phields of Nephlin em seu MP4. O peso de uma mão em seu ombro a interrompe a assusta. Ela se vira e vê um imenso negro que a chama para uma conversa.

“Aline, certo?” – Diz o homem com voz de cadáver.
“Como você sabe meu nome?” – Pergunta a menina apavorada. “Nunca nos...”
“Você quer vingança, certo?” – Corta – “ Eu estou aqui pra isso.”
“ Como...?”
“Você realmente daria qualquer coisa pra se vingar?”
“Sei lá...”
“Sim ou não?”
“Sim.”
“Vá até o terceiro túmulo, quebre o pescoço do gato que encontrar lá e regue o túmulo com o sangue dele. Depois jogue um pouco do seu sangue. Se sua vontade for forte, o resto acontece.”

Após olhar para o lugar, ela tenta perguntar-lhe algo, mas o negão não estava mais lá. Assustada, fica por algum tempo pensando em seu “delírio” e se deveria realmente conferir o que foi sugerido.

Continua...

 

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