:: BISCOITO DA SORTE

30/09/2007 Por Alexandre D’Assumpção.

 

Capítulo Um: Youtube.

A festa do final de semestre... Aline está com medo, prazer e tudo que seu coração sagitariano possa ter.

Tudo ao mesmo tempo.

Será que a transformação da dentuça escondida por trás dos óculos, rabo de cavalo e calças semi baggy dois números maiores numa Afrodite moderna emplacaria? Perguntas demais para uma cabeça que começa a sentir os efeitos da “tapa na pantera”.

A borboleta ainda estava saindo da pupa. Até ontem, a Afrodite moderna era uma menina desengonçada de aparelho e com calças semi baggy dois números acima pra combinar. Depois de um “tapa na pantera” ao por do sol todas as questões se liquefizeram e perderam a importância. E se o efeito passar rápido, na mochila tem mais “esquecimento instantâneo”. É pra isso que os amigos servem, certo? Os bons amigos... Diga-se de passagem.

Se bem que a proposta de ver os seios pequenos ocultos dentro do top apertado e descobrir a geografia que aquela calça específica para “Calipigias” denunciava eram boas gazuas. Os feirantes e os camelôs aprovaram. Talvez os formadores de opinião concordem.

Iluminado pelo luar, seu reflexo moreno na praia de Boa Viagem faz com que ela se sinta “La Belledejour”.  Tímida, acerta os óculos e dá seu belo sorriso dentuço.

Não leva muito tempo para chegar e a música certamente já chegou antes dela. A um quarteirão de distância, já consegue ouvir Concrete Blonde cantando “Tomorrow Wendy”.

O sorriso morre e ela pensa em auspícios. As pernas tremem, mas depois do primeiro passo, todos os caminhos levam pra frente. Os poucos que a reconhecem se espantam com a transformação, o que a deixa radiante.

Conhecidos de seu “alvo” sorriem pra ela e um deles (o DJ) acena para ela enquanto os primeiros acordes de “Roadhouse Blues” enchem a sala.

Ele desce ainda surpreso com as mudanças e a nova atitude da “Nerd” e diz algo sobre saber que havia uma borboleta escondida naquele casulo. Sorrisos, diferentes danças, álcool, um pouco de ácido e misturas que em outras situações temeria. Como descobriria depois: “A confiança é uma puta”.

Pela primeira vez da noite, os dois aparecem no telão.  Sua ultima boa lembrança da: Um beijo de quase quinze minutos que termina com um convite para o terraço. Carinhos, carícias um lençol no chão, um casal olhando o luar e por um minuto, ele pede para acertar a mochila.

Uma noite perfeita... Em todos estes anos, ele sequer a reparou, mas nos últimos meses, algo estava diferente e os dois “se acertaram”. Todos a viram andando com o poeta dos bares, o homem com as palavras certas, o que nunca terminava a noite sozinho.

E esta seria a noite dela. No calor do momento, Aline fala que sua primeira noite estava sendo tão boa quanto imaginava e que nunca entendeu o motivo de ser recusada pelos idiotas que a cercavam, mas logo ficou em silêncio. Precisava de fôlego para seu ruidoso orgasmo.

Após ficarem alguns minutos abraçados, ele pediu licença para descer. Uma banda tocaria ao vivo e ele, o organizador, não poderia se ausentar tanto.
Ele parte com um beijo delicado. Quinze minutos depois, já arrumada e pronta para encontrá-lo, ela faz o mesmo.

Imaginando que as risadas fossem de algum vídeo de humor da internet, vira-se para o telão e quase desmaia. Sua intimidade estava lá, exposta e quando pensa que nada pode piorar, é assombrada por seu comentário sobre a primeira noite, editado para colocá-la como uma rejeitada desesperada para que lhe fizessem o favor de tirar a virgindade.

Antes de partir, olha nos olhos de Luciano, que até a pouco... E ainda foi capaz de gravar sua transa com uma câmera escondida na mochila. Saindo do campus, vai para a praia e após entrar na agia, continua andando até finalmente começar a afundar.

Nunca mais seria tão humilhada.

Continua...