O NOVO QUARTETO FANTÁSTICO E OUTRAS HISTÓRIAS...

22/07/2007 Por Vagner Francisco

 

            Que quadrinhos são cultura de massas todo mundo sabe; mas é interessante perceber como esse segmento tem sedimentado públicos distintos nos últimos anos.

            Quadrinhos (e seus personagens) servem de fonte de inspiração para tudo: de lancheiras a filmes; de músicas a novelas.

            Uma das mais recentes influências é a imagem que abre nosso texto. Acima eis o Quarteto Fantástico – não a criação de Stan Lee e Jack Kirby, de 1961, ou uma versão “Ultimate”, mas sim as maiores estrelas do clube catalão de futebol, Barcelona. Lionel Messi, Thierry Henry, Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o são realmente fantásticos e a torcida catalã acredita que, juntos, eles farão jus ao apelido. Outros quartetos também chamados de fantásticos já apareceram pelos lados do futebol; o próprio malfadado “Quadrado Mágico” (Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Ronaldo), da seleção brasileira pré-Copa de 2006, um ano antes fora chamada de Quarteto Fantástico, na Copa das Confederações. A única diferença era que Adriano, atacante da Inter de Milão, estava no lugar do Fenômeno. Naquela vez, com Adriano, o Brasil levou a taça. Um ano depois, com Ronaldo e seus impressionantes 99kg, o Brasil não conseguiu passar a França.

 

            No Brasil, um time de futebol já ganhou muitos apelidos oriundos das HQs: o Palmeiras. Em 2002, quando estava prestes a ser rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, a equipe era conhecida como Lanterna Verde, já que passou a maior parte do campeonato nas últimas posições. As torcidas também buscaram inspiração nas HQs para exaltar tanto a força como a esperteza do time, exibindo imagens do Hulk, o gigante verde da Marvel e do Mancha Negra - inimigo do camundongo Mickey - desta vez, pintado de verde por motivos óbvios.

 

            Na música, também não faltaram tributos às lendas dos quadrinhos.

 

            Mas é no cinema que esses personagens ganharam muito mais força – e não fora com essas adaptações canhestras que pululam ano após ano nas telas dos cinemas, mas sim com claras declarações de amor à mídia.

            Em 1995, muito antes de sonhar aparecer (ou passar vexame, depende do seu ponto de vista) nas salas dos cinemas, o viajante cósmico, Surfista Prateado, teve seu nome e poderes mencionados, pelo personagem de Denzel Washington, numa conversa com Gene Hackman, no filme Maré Vermelha, dirigido por Tony Scott. Essa citação fora escrita por Quentin Tarantino, o Midas do cinema independente e fã inveterado de quadrinhos.

            Tarantino já havia feito antes, em 1993, no filme Amor à Queima-Roupa, ao conceber um protagonista atendente de Comic Shop. Interpretado por Christian Slater, Clarence se fã de Homem-Aranha e Nick Fury. Aliás, no filme é possível ver algumas edições da revista americana no chefão da S.H.I.E.L.D., desenhadas por Jim Steranko.

            Mas é no clímax de Kill Bill Volume 2 que Tarantino mata a pau. Quando a Noiva (Uma Thurman) fica frente a frente com seu algoz, Bill (David Carradine), ela ouve algo inesperado. Bill filosofa a respeito da vida dela, fazendo um paralelo com o Super-Homem e seu esforço em parecer um ser humano normal, ao se “disfarçar” de Clark Kent.

            Brandon Routh, o cara que interpretou Super/Clark - e irmão gêmeo de Reynaldo Gianechini – em Superman O Retorno, ano passado, disse que aqueles diálogos usados em Kill Bill 2 convenceram-no a ser o Homem de Aço para uma nova geração.

            Pra finalizar há também Corpo Fechado, estrelado por Bruce Willis e Samuel L. Jackson e dirigido e escrito por M. Night Shyamalan. Embora o filme tenha recebido um nome místico, é puramente uma declaração de amor aos quadrinhos. Shyamalan nunca escondeu sua vontade de fazer uma continuação e isso pode acontecer algum dia. Vamos torcer.

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