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 ACREDITAREM NO QUADRINHO NACIONAL? ::..


 

 

O QUE FALTA PARA AS EDITORAS

 ACREDITAREM NO QUADRINHO NACIONAL?

09/04/2007 Por Vagner Francisco 

 

            Já disse nessa coluna, uma vez, que num bate-papo com um editor (um proprietário de Editora e tal), ao ser perguntado acerca de sua Editora publicar material nacional, ele respondeu que os editores estavam interessados 'noutras' coisas – coisas essas, quadrinhos estrangeiros – e me incentivou a publicar de forma independente. Hoje, esse tal ex-editor escreve quadrinhos nacionais, divulga quadrinhos nacionais e até diz estimular os quadrinhos nacionais.

 

Sempre penso em como o mundo dá voltas!

 

Qual o problema do quadrinho nacional? Está nos criadores/produtores, nos editores ou nos leitores? Materiais de qualidade têm de sobra. Basta dar uma folheada em fanzines como o QI, que divulgam quadrinhos independentes e logo encontraremos bons exemplos do melhor do nosso quadrinho. Às vezes, nem precisamos ir tão longe; revistas independentes como Areia Hostil, Manicomics, Brado Retumbante, Garagem Hermética, Quase, Juke Box e por aí vai, volta e meia nos premiam com materiais de altíssima qualidade.

 

Porém, parece que a coisa não deslancha. Como disse em minhas últimas colunas, entrei uma vez numa banca e a vi tomada por vários novos títulos editados pela Panini, mas nenhum com grande apelo comercial. O que fez a Panini acreditar nesses materiais? Eu também gostaria de saber.

 

Será que tudo é mesmo uma grande conspiração, como Emir Ribeiro insiste em nos fazer acreditar?

 

Embora respeite a opinião do veterano artista, sou obrigado a descordar. Não acredito em conspiração, mas sim, em falta de interesse por parte dos editores em acreditar no nosso material. Mas como diz o ditado "água mole em pedra dura (todo mundo sabe resto...)", acredito que forçando os editores a olhar para o nosso quadrinho, um dia, todos terão que reconhecer o nosso potencial.

Até porque, mesmo melhorando a qualidade das revistas -  falando mais especificamente em termos de Marvel e DC - as histórias continuam a ser fracas. Essa história da morte do Capitão América parece jogada publicitária e lembra em muito com a morte do Super-Homem, na década passada. Personagens vêm e vão e continuam a bagunçar com a cabeça do leitor. Incrível como ninguém consegue escrever uma boa história do Homem-Aranha casado! E por aí vai...

A grande verdade por trás disso tudo é que publicar material estrangeiro é mais barato e prático porque já vem com seu público cativo e não necessita de experimentações. Tirando isso, não há mais nada! Publicar quadrinhos brasileiros não é correr risco. Vide o caso do Crânio, criação de Francinildo Sena, por exemplo. É difícil algum leitor nunca ter ouvido falar do personagem. Sendo assim, caso venha a ganhar uma série por uma editora, ele também já teria seu público-alvo cativo. Mesmo caso é o da Cabala, do Cometa, do Galo Costa, do Bucha, da Mulher Estupenda e por aí vai.

 

Basta uma coisa para ver o nosso mercado funcionar direitinho: os editores acreditarem nele! Qualidades, temos para dar e vender!!


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