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QUE FALTA FAZ UM MERCADO ESTÁVEL DE QUADRINHOS

19/01/2007 Por Vagner Francisco

 

Em maio de 2001, uma greve sem precedentes organizada pelos sindicatos dos roteiristas e atores (e atrizes) americanos estava marcada para, literalmente, parar Hollywood.

   Os motivos: contratos deveriam ser reexaminados, levando em conta a distribuição, acesso à internet, TV a cabo e o ali então crescente mercado de DVD.

   Antes de a greve chegar às vias de fato, os grandes Estúdios e suas respectivas equipes já estavam se mobilizando para não deixar a maior indústria do entretenimento parar.

   Astros milionários como Kevin Spacey (o Lex Luthor de Superman – O Retorno) e Michael J. Fox (o Marty McFly, de De Volta Para o Futuro) doaram grandes somas de dinheiro para ajudar os colegas profissionais que não teriam condições de sobreviver alguns meses sem pagamento.

   Antenados com essa possibilidade de alguns roteiristas e realizadores de cinema ficarem alguns meses sem emprego, os editores-chefes das duas maiores Editoras de quadrinhos dos EUA, resolveram se mexer. Principalmente, Joe Quesada, que então recém-assumia o cargo de manda-chuva na Marvel.

   Ele correu atrás de Kevin Smith, Bob Gale, Quentin Tarantino e, acreditem, até Steven Spielberg recebeu um convite informal!

   Kevin Smith que já era um fã e roteirista dos quadrinhos independentes, foi fácil contratar. Ainda mais porque ele fora escalado para escrever as aventuras de um de seus heróis preferidos: o Demolidor. Bob Gale, roteirista da trilogia De Volta Para o Futuro, veio para substituir Smith, na revista do Homem Sem Medo. Já Tarantino recusou o convite e Spielberg nem tomou conhecimento do fato.

   Como não sou chegado nos filmes do Spielberg, fiquei até feliz que ele não quis se meter com a 9ª arte.

   De qualquer maneira, Hollywood, para alegria de muita gente, não parou e todos encontraram um final feliz. Ao menos, é o que parece.

   Mas essa ameaça de greve me fez pensar no que aconteceria se uma greve de roteiristas numa Rede Globo, por exemplo, poderia fazer aos quadrinhos. Será que caso uma editora nacional convidasse, algum novelista teria ‘capacidade’ de escrever uma boa obra quadrinhística?

   Geralmente, costumo assistir a alguns capítulos aleatórios de novelas para saber como anda o nível dos diálogos dos personagens. Há alguns que são sofríveis. A maioria, acredito eu.

   Mas há bons contadores de histórias nos folhetins da emissora carioca. Um roteirista que poderia criar uma excelente obra em quadrinhos, em minha opinião, atende pelo nome Carlos Lombardi, cuja novela, chamada Pé Na Jaca, está indo ao ar de segunda a sábado às 19:00h.

   Carlos Lombardi me chama a atenção desde 1994, com a novela Quatro Por Quatro. As tramas que ele cria misturam quadrinhos, cinema e cultura pop em geral. Os personagens são bem específicos e fáceis de se identificar. E seus enredos não ficam no lugar comum; elas chacoalham o telespectador.

   É claro que ele também erra. Após o acerto (e sucesso de Quatro Por Quatro), fiquei ligado para saber se ele conseguiria acertar novamente. Vira-Lata, sua novela seguinte me agradou bastante, mas não conseguiu ser tão bacana. Depois desta, ele voltou com Uga-Uga e Kubanakan e, sinceramente, foram duas tragédias! Já a série O Quinto dos Infernos, apesar do apelo erótico, não segurou o pique. E como bem disse o veterano diretor de cinema, Mike Nichols, “se você errar num trabalho, basta acertar no próximo”, então é o que Carlos Lombardi está fazendo com Pé Na Jaca.

   É triste saber que não há um mercado de quadrinhos sólido no Brasil, porque seria muito interessante ver projetos diferentes de roteiristas diferentes. Desenhistas não nos faltam e roteiristas - ao contrário do que muita gente pensa – estão aí ao nosso redor sempre com materiais de qualidade, independente da mídia.

 

Vagner Francisco é Roteirista, publica suas Hqs regularmente no Prozine Areia Hostil, escreve artigos para o Fanzine Justiça Eterna e é editor do Fanzine VAL, personagem de sua autoria. È nosso mais novo Colonista e colaborador, seja bem Vindo Vagner!