..:: PORQUE UMA ADAPTAÇÃO DOS QUADRINHOS

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PORQUE UMA ADAPTAÇÃO DOS QUADRINHOS

PARA OS CINEMAS NUNCA SAI COMO O ESPERADO?

31/03/2007 Por Vagner Francisco

 

            Muito bem. Decidi escrever esse texto após assistir ao filme do Motoqueiro Fantasma (então, antes de continuar, quero dizer que vou falar um pouco desse filme. Por isso, caro (a) leitor (a), caso ainda não o tenha assistido, por favor, não leia esse texto ainda. Assista ao filme primeiro e aí você estará liberado para ler minhas linhas. Ou então, esqueça essa besteirada de filme e leia o texto à vontade, eh, eh).

 

            O diretor de Motoqueiro Fantasma chama-se Mark Steven Johnson; ele também dirigiu o filme do Demolidor, o Homem Sem Medo, em 2003. Todos sabem que o filme do herói cego foi  uma droga e um fracasso de bilheteria tão grande que quase afundou a carreira de Ben Affleck, o protagonista do filme. O fato é que o diretor (esse tal de Mark Steven Johnson) disse na época que o filme ficou ruim porque o estúdio interviu em seu trabalho por várias vezes, já que eles queriam algo nos moldes do supersucesso Homem-Aranha, que havia estreado um ano antes e feito uma enorme bilheteria mundial. Por isso, os chefões do estúdio obrigaram Mark Steven a inserir cenas românticas (entre Matt Murdock e Elektra, você já sabia disso, óbvio, de quem mais seria?) e uma trilha sonora voltada para o pop-rock.

            Tudo bem, Mark Steven Johnson deu essa desculpa esfarrapada para o engodo que foi Demolidor – nós também levamos em conta toda a canastrice de Ben Affleck no papel principal. Mas e para Motoqueiro Fantasma? Qual é a desculpa? Ele já disse que fez o filme do Espírito da Vingança do jeito que queria. Era para ser bom, então? Pois não o é! Nem um pouquinho.

            Se a Marvel queria realizar um filme para adolescentes, nem isso conseguiu. Motoqueiro Fantasma provavelmente vai se tornar herói do meu sobrinho de nove anos, no máximo. A trama é boboca; os personagens parecem estar encenando um teatro infantil de escola e os diálogos conseguem ser piores do que a pior História em Quadrinhos do planeta.

            Eu acreditava que com Nicolas Cage à frente (ele já havia tentado interpretar outros personagens de quadrinhos antes, como o Super-Homem e o Demolidor) - um excelente ator, “oscarizado”, respeitado e inteligente, o filme seria muito bom. Pior: Cage consegue destruir ainda mais o personagem, interpretando um Johnny Blaze caricato até a alma. Outro ponto interessante é que o próprio roteiro não se sustenta com suas próprias leis: no filme, Johnny Blaze se torna o Motoqueiro Fantasma à noite e perto do mal. Puro papo furado; quando a história atinge seu clímax, o Espírito da Vingança já está aparecendo até de dia e nos faz lembrar de um isqueiro: acende-apaga-acende-apaga. É ridículo!

 

            O mais inacreditável é o fato desse fraco diretor e insípido roteirista conseguirem tantos bons talentos para seus filmes. Em Demolidor, ele tinha, além do Affleck, Jennifer Garner (da série Alias), Collin Farrell (de Miami Vice e Alexandre), Joe Pantoliano (de Matrix e Bad Boys) e Kevin Smith. Já com Motoqueiro Fantasma, ele conseguiu unir Nicolas Cage, Eva Mendes (de Por Um Triz e + Velozes + Furiosos), Peter Fonda (de Sem Destino), Sam Elliott (de Hulk e Estrela Solitária) e Wes Bentley (de Beleza Americana). Ou o cara realmente é bom de lábia ou tem muito ator e atriz por aí com o aluguel atrasado.

 

            E já que estou bombardeando um filme baseado em quadrinhos, às vezes fico pensando em como é que quase ninguém consegue acertar um filme do gênero. Salvo algumas exceções, como o primeiro Superman (de 1978), os dois Blade, Hulk, Batman Begins e vá lá, o Maskara, o primeiro Homem-Aranha e O Corvo (o filme póstumo de Brandon Lee), de resto só criou-se bombas!

 

            Ah, sim. Para terminar, uma excelente notícia para os fãs de Preacher, a criação que muitos consideram como máxima de Garth Ennis. O tal Mark Steven Johnson já está negociando com um canal de tv a cabo, a adaptação da saga do pastor Jesse Custer como uma série, onde cada episódio será adaptado de uma edição impressa da revista. Com certeza, Mark Steven Johnson tem muito que destruir ainda.

 

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