:: BISCOITO DA SORTE

14/11/2007 Por Alexandre D’Assumpção.

 

Capitulo cinco: Fiat Lux.

Depois de passar todo o final de semana boquiaberta com as novas atitudes de seus velhos pais, ela voltou a pensar nas velhas certezas e no nome de sua vítima.  “Luciano”.  E este virou seu mantra nas três horas seguintes.

 Ter sua imagem no telão da faculdade pra ser vista por quem quisesse não é uma boa lembrança. Por mais que ela sinta certa lisonja com tantos avistamentos. No meio do caminho se divertiu com a idéia de misturar os pedaços de miolo com seus biscoitos de morango preferidos. Não poderia haver melhores biscoitos da sorte.

Passando pelo bar que seus colegas chamam de escritório, ela não consegue fugir dos olhares e dos risos mudos. Sua queda em desgraça estava sendo exibida em videotapes pirata. Todos compraram a pegadinha da esquisita.

O som dos risos substituiu o zumbido relaxante e quando o preto íntimo foi revelado em público, ela começou a ver tudo vermelho.  

Colegas de classe paravam para cumprimentá-la e destilar sarcasmo assassino. Mal sabem eles que podem se tornar vitimas de seu próprio remédio. No momento que encontra Luciano, ela range os dentes. De alvo de seu desejo para o de sua vingança.

 Dizem que o oposto do amor é a indiferença. Se todo o seu ódio for amor canalizado, Luciano era o homem mais importante de sua vida, mas não soube aproveitar.   Quando ele sai do bar, Francis Black berra estrofes de “Here Comes Your Man”. O universo é irônico. Aline retira um dos biscoitos do pacote, come com vontade e faz um pedido.

Seu algoz a encara vitorioso e debochado sem perceber a fumaça no bolso onde guarda isqueiros e cigarros. Assustado, tenta apagar chamas incapazes de extinguir.  Com a calça em chamas, tenta encontrar salvação se jogando num chafariz. 

“Puta merda!” Foram suas famosas últimas palavras antes de sentir o cheiro do liquido em que se banhava. Pouco depois de olhar desesperado para sua vítima, o algoz se torna uma tocha humana explosiva matando com o arque respirava todos os que se divertiam no ponto zero da explosão.

Meses depois, quando finalmente conseguirem consertar a praça e reabrir os bares, ainda encontrarão ossos e pedaços de tecido queimado.

 Com a explosão, Aline é arremessada numa banca de jornal e desmaia. Quando finalmente acorda, está no soro com um braço e algumas costelas quebradas.  Um jornalista fedendo a cigarro tenta tirar respostas sobre o impossível incidente do universitário explosivo.  Tremulo, ele quase enfia o micro gravador em sua boca mais de uma vez.

Pessoa errada. Ela aprendeu a mentir.

Continua. 

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