:: BISCOITO DA SORTE

31/10/2007 Por Alexandre D’Assumpção.

 

Capitulo quatro: Guloseima do destino.

Aline dormiu o dia todo e nem mesmo todos os ruídos de uma casa onde paredes têm ouvidos a incomodaram. Seus roncos, entretanto, silenciaram a casa por muitos momentos.  Incomodado com o barulho que atrapalhava seus gritos, o pai parou de bater na mãe e deu cintadas nela.  Quando percebeu que não teria o prazer do medo ou dos gritos, voltou para a esposa.

As sirenes da ambulância acordaram Aline. Minutos antes de fecharem a porta, ela ainda consegue ver a mãe entrando com o crânio afundado de tantos socos. No momento em que o sorriso cínico e ou sem graça se encontram ela lembra que se não tivessem achado maconha na sua gaveta ela já teria dado parte de seu “genitor”. Paz armada.

 Furiosa e frustrada voltou pro seu quarto e tirou o farnel da mochila. Encarou por alguns momentos tanto o bilhete quando o que quer que estivesse dentro do pano fedendo a urubu morto.

No bilhete estava escrito:

Arranque um pedaço, mastigue como se fosse chiclete e depois faça o pedido. O impossível será medido por sua vontade.

Seu estômago não agüentou o conteúdo do farnel e enxotou o lanche do dia anterior.

Um crânio perfurado pelo tiro de uma 45.  A vitima foi pega pelas costas. O projétil explodiu a testa deixando seus miolos mexidos à mostra e ainda havia a versão sinistra dos “vermes do coco” dançando entre as partes podres. Há coisas que uma dama não deveria ver. Aline medrou e hesitou até seu pai socar a porta trancada.

Prendeu o nariz e deu as primeiras mastigadas imaginando um gosto de fel que não veio. “Como Chiclete” foi o truque. Tinha gosto de chiclete de morango. E ela mastigou até finalmente engolir fazendo o pedido.

“Quero uma família como as da TV!”

As batidas na porta foram diminuindo até parar. Espantada, ela se colocou atrás da porta com medo de que o próximo barulho fosse o pesado pé de seu pai tomando uma atitude decisiva.

“Abre a Porta, menina... Vem jantar.” – Diz uma voz feminina e tão delicada quanto gostaria que a de sua mãe fosse. Será que...

 Temerosa, ela abre a porta e é beijada pela mãe. Trinta quilos mais magra, bem cuidada e feliz.

“Pegou no sono, Né? Minha estudante preferida tem de se cuidar mais...”

A morena transita por uma casa irreconhecivelmente feliz e realizada localizada numa zona Além da imaginação. Jantou numa mesa com dois estranhos sorridentes que falavam de seu dia como se sempre tivessem feito isso.

 Ela teve a prova de que precisava e passou o resto da noite arquitetando sua vingança. Na cesta de revistas de seu novo banheiro, encontra uma revista antiga dos “Quatro Fantásticos”. Aline sorri. Teve sua idéia.

 

Continua...

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