ARTIGO: O pretinho básico.

30/09/2007 Por Alexandre Assumpção.

 

Por esses dias eu recebi um o e-mail de uma judia comentando sobre uma negra. Segundo ela, estava arrependida de ter colocado uma funcionária negra em sua empresa. Não me culpem se ela quer criar uma ginocracia multiétinica e descobriu o óbvio: Na sociedade atual, o que muda não é a cor da pele, mas a bagagem cultural dessa pessoa.  Antes de assumir que – por essa menina - eu vestiria o capuz branco e ainda levaria gasolina extra pras cruzes, vamos ao ponto do dia.

Os EUA – originalmente – eram uma colônia de fugitivos. Protestantes anglo saxônicos brancos que pegaram seu barquinho e fugiram da rainha louca que queria a todo custo cortar suas cabeças.  Com o passar do tempo, vários outros fugitivos sócio culturais fizeram dessa a sua terra. E quando a coisa apertava, compravam uns negrinhos na áfrica pra pegar no pesado. Essa miscigenação cultural nos deu uma das mais proeminentes fontes de produtos culturais do último século.

 Com crise de consciência e só pra dizer que não tinham um pretinho aqui e ali, criaram o sistema de cotas. Mas... Numa mídia criada por moleques judeus, que viviam em meio a outros garotos igualmente brancos... Onde colocar o negrinho compulsório? E o mais importante: Como escrever sobre negros sem ser? Como seriam estes negros? Seria como escrever sobre mulheres em que se tiravam todos os discursos lógicos deixando só o Fru Fru?

Este foi o grande problema dos quadrinhos americanos, que foi mais ou menos resolvido a partir dos anos 70, com a explosão da Black Exploitation em toda a mídia e foram “contratados” criadores negros pra falar dos assuntos do “Gueto”. Apesar de nem todos os negros viverem nele.

Indagação ingênua... O que os Brasileiros têm a ver com isso? Resposta com outra pergunta: Onde estão os pretos dos quadrinhos? Num país de negros e mulatos deveríamos ter mais “Pelés”, não é verdade? Levando-se em conta que o apelido “Gibi” surgiu por causa de um menino negro, fica a questão: Todos tiveram Banzo e  voltaram pra África que era o lugar deles? Idiota isso.

Criadores, muitos de vocês são negros, mulatos e ainda assim pensam em personagens arianos? A literatura de super-heróis (as outras também) já provou que precisa de todas as representações. Olha o Depak Choprah falando da índia e colocando personagens “reais”. Que tal você fazer o mesmo?

 Sim, estatisticamente falando, o Brasil também é um país em que teoricamente a maioria de leitores é “caucasóide”, mas quando você para pra ver, com o equilíbrio do poder aquisitivo estamos entrando na fase da diferença cultural.  Já que é assim, que tal mostrar pros leitores negros que eles têm representação?

Não precisa surgir um “Hooper X” e escrever uma “White Hating Goons”, já que (no Filme de Kevin Smith) nem mesmo ele acreditava em suas pregações, mas fazer algo que nos mostre como algo além dos costumeiros empregados de TV e marginais de quadrinhos que temos sido, mas como as criaturas urbanóides e cosmopolitanas que realmente somos. E quem melhor pra escrever sobre isso do que quem sente na pele a “dor e a delicia” de ser quem se é?

No final das contas, quando bem escritos, personagens de todas as etnias são portas de entrada para novos leitores.

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E tome zine, zine, zine, zine, zine em papel de xérox

O futuro é preto e branco, e todo branco e preto pode

Ter.

Fanzine – Hanói Hanói.

 

 

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Alex Assumpção é Roteirista, e já está há mais de dez anos envolvido no meio independente, atualmente, fora seus roteiros, esta publicando textos no seu blog pessoal O Sumpa Sabe.

 

 

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