ARTIGO: Pela porta da cozinha...

29/07/2007 por  Alexandre Assumpção

 

Recentemente entraram em contato comigo pedindo dicas e pessoas. Parece que  com o Glass House estabelecido todos  querem ser a próxima Artecomix.

Seria  comico se não fosse trágico. Não é estranho imaginar que tem pessoas trabalhando, fazendo sucesso e ainda assim – para nós – permanecem completos estranhos?  Nomes como Al Rio, Ivan Reis e outros cujos nomes me escapam só viram “de domínio público” na tradução, já que são crias destes estúdios que oferecem artistas para o exterior.

Num país que absorve os próprios artistas, como a Espanha, por exemplo, seria a evolução natural de um trabalho bem feito. No Brasil, virou a “única opção” de uma publicação mensal remunerada.  Não vamos entrar nas questões “volta de editor”, “tirar do próprio bolso” e “nunca ter retorno financeiro” que distanciam tanto os artistas quanto aqueles que querem ser profissionais de suas artes e criam o mercado da cópia e da adaptação, já que este é um pré-requisito: Abandonar o estilo próprio na busca do artista da moda e a cada moda...

Apesar de todos os contras, os prós são sedutores...  Quando entrevistado no Soares, André Diniz, um dos mais proeminentes e ativos quadrinhistas desta geração considerou os quadrinhos seu “Perde pão”. E é verdade, já que o que realmente paga suas contas são os livros de informática e ilustrações feitas para várias editoras.

Do preço do estilo próprio ao outro extremo, temos leitores que passaram à vida lendo apenas traduções e sempre sonharam fazer parte da equipe criativa deste universo. E já que estes não se importam de entrar pela casinha do cachorro, a porta da cozinha é agradável, apesar da alta rotatividade normal de meios em que a oferta é maior que a demanda.   

Só aconselho aos amigos que conheçam seus contratantes. Línguas diferentes, histórias parecidas. 

 

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Alex Assumpção é Roteirista, e já está há mais de dez anos envolvido no meio independente, atualmente, fora seus roteiros, esta publicando textos no seu blog pessoal O Sumpa Sabe.

 

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