ARTIGO: Menos é Mais…

28/08/2007 por Alexandre Assumpção.

 

Imagem retirada do site gastonlagaffe.com

Como estou escrevendo? Mande e-mail para mim se eu te atropelar! Mas não se esqueça: Críticas, comentários e sugestões de pauta sempre são bem-vindos.

Abri pra me criticarem, logo posso criticar os outros. Certo?

 

Vou usar o espaço pra dar uma dica de estilo: “Menos é mais!”

“O Ribombar dos trovões radiantemente iluminou o céu enquanto o ilustre rapaz teve sua extremamente ansiada vingança”.

 Você compraria algo com esse estilo de texto? Se disser “não” está mentindo… Somos crias da Marvel e isso é um pastiche do material do Stan Lee.  E não se espante, mas ainda hoje tem pessoas que acreditam que a verborragia é uma demonstração de inteligência.  Outros mais espertos criaram a “lei das 250 palavras”.

 

A lei funciona assim: Cada página deve ter entre balões recordatórios e onomatopéias. – no máximo do máximo – 250 palavras. Isso permite que o artista trabalhe sem medo de ter seu material destruído por balões desnecessários. “Narrativa visual” lembra?

Textos sucintos e imagens seqüenciadas… Onde eu ouvi sobre isso?

 

É claro que é bom lembrar de que assim como no cinema e na TV, o texto tem de passar credibilidade e a dica de verbalizar cada texto e diálogo antes de mandar pra alguém é “danada de boa”. Se ouça cada vez que escrever um texto e não se espante se não conseguir conter o riso. As frases de impacto dos quadrinhos são ridículas mesmo.  Na TV e no cinema, elas são mais temidas que praga de mãe muçulmana.  E repare que temos roteiristas de quadrinhos nas duas mídias.

 Todas essas frases medonhas são uma herança dos pulps, que só tinham… Textos! Sim, é verdade, meus amiguinhos! Nos pulps, os roteiristas tinham um recurso para passar climas e atiçar a imaginação de toda uma geração de leitores. Se é que vocês me entendem

 

No momento que as imagens entram, o desenhista vai fazendo o clima e as palavras vão perdendo a função. Você pode ter uma história inteira muito bem narrada sem um único diálogo.  E isso só engrandece o roteirista, que se esforça pra criar a dinâmica perfeita sem a necessidade de textos ridículos.  O texto lá de cima pode ser definido numa única imagem de impacto. O falecido desenhista Mike Weringo comentou sobre isso no livro “Pannel Discussions”, numa reclamação “Branca” do amigo e eterno parceiro “Tod Dezago”, que matou com texto desnecessário uma cena dramática do Homem-Aranha*.

 

Bem, roteiristas também fazem besteiras. Tragam tochas e ancinhos. E apesar de termos manuais hoje em dia, eles não ensinam Síntese. E poder de síntese é imprescindível em qualquer material.  Não adianta tentar ser Shakespeare nos quadrinhos... Neil Gaiman e Alan Moore, que são o mais próximo disso também simplificam o texto. Se o leitor não te compreender é morte certa.

Se bem me lembro, bem antes de mim, André Diniz e Gian Danton fizeram o mesmo comentário. O Diniz aproveitou pra debochar das piadinhas do Homem-Aranha. Confesso que desde “Os Grandes Enigmas da Humanidade”, um pulp excelente feito no traço da Turma da Mônica, aprendi a respeitar o Diniz, que (na minha opinião) soube compensar todas as fraquezas de seu traço com roteiros simples, diretos e extremamente fluidos.  Já o Danton, bem… O material dele é referência do meu curso de roteiro.

 

*Não tenho a traduzida, mas pra quem quiser garimpar, a cena foi “ao ar” no Sensational Spider Man, 21, numa página que Peter remexe os antigos pertences do Tio Ben.

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Alex Assumpção é Roteirista, e já está há mais de dez anos envolvido no meio independente, atualmente, fora seus roteiros, esta publicando textos no seu blog pessoal O Sumpa Sabe.

 

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