Artigo: O Futuro Não é mais como era antigamente...

15/12/2007 por Alexandre Assumpção.    

 

Esta é uma idéia antiga, mas recentemente eu vi uns exercícios curiosos de futurologia e decidi brincar nessa caixinha de areia também... Mas do meu jeito.

Desde Nostradamus, todos querem imaginar o amanhã; e por isso, muitos já foram tidos como loucos; bruxas e etc. Nós quadrinhistas brincamos com outro tipo de futurologia: científica e social. E usamos um nome herdado da literatura e do cinema: Ficção Científica.

Desde que Julio Verne idealizou máquinas capazes de submergir ou nos levar a distantes recônditos do universo surgiram vários “Professores Pardais” sugerindo “tecnobugingangas” que com o tempo deixaram de fazer sentido. Seguimos modas ou suposições de que esta ou aquela vertente nos levará ao futuro, mas às vezes nos esquecemos de que o futuro está sendo construído agora. 

Em 2007, vivemos além do futuro imaginado por todos os criadores e profetas do fim do mundo e ainda assim, com poucas mudanças funcionais. Não nos tornamos os cabeções evoluídos, não fizemos contato aberto com aliens, à magia não dominou e o mundo continua aqui.

Irving Allen ficaria espantado ao ver que seu futuro não aconteceu e vivemos (quase) como em seu tempo. (Túnel do Tempo se passava no distante 1998) Isaac Asimov teve de acertar o maquinário de sua “Fundação”. O Home PC distribuído pela IBM tornou o gigantesco Ominivac tão obsoleto que ele teve de criar o Microvac, um computador menor e dez vezes mais veloz do que o anterior.

Nossa futurologia é diferente e torna quase tudo feito até a primeira metade do século passado um exercício “Steampunk*, Mesmo que nem todos os delírios de Willian Gibson, e seu movimento Cyberpunk, que tomaram o mundo a partir dos anos 80 tenham se realizado, o computador veio para mudar a cara dos nossos futuros fictícios.

Os futurologistas atuais lidam com conceitos curiosos como nanotecnologia, semicondutores, redes neurais, processadores quânticos e várias tecnologias que se já não estão sendo empregadas no nosso dia a dia se tornaram a moda ou o salva-vidas do ano seguinte.

A nova futurologia (ao mesmo) confirma e desmente tudo que veio até então.  O Skype de Hoje é o Videofone de ontem, O trem que flutua sobre semicondutores e as esteiras dos aeroportos são as calçadas rolantes de então e o chip implantado no cérebro para recuperar os movimentos perdidos dos tetraplégicos é o tão falado Chip do Neuromancer. Já existem ciborgues experimentais onde membros amputados são substituídos por pedaços funcionais de tecnologia de ponta e robôs multiuso.

Os robôs são um capítulo a parte, já que há para todos os tipos e funções: Há robôs explorando planetas e locais cheios de minas terrestres e o que dizer dos japoneses que se passam por humanos? Será que em pouco tempo vamos ter Inteligências artificiais realmente funcionais como nos filmes?  Já existem estudos sobre o uso da teoria das possibilidades para a criação de máquinas que respondam com a mesma velocidade de nossas perguntas. E o que dizer dos realistas, aqueles que realmente parecem humanos.

Qual o futuro? Os Pos Bis do Perry Rodhan? A Rose dos Jetsons ou precisaremos do John Connor para nos liderar na batalha final?  Isso realmente importa? Mas se importar, crie uma história interessante sobre o assunto.

De 20 mil Léguas Submarinas até a primeira guerra mundial, quando o conceito do submarino foi usado para fins militares pela primeira vez se passaram quase 70 anos. O futurologista moderno não tem esse tempo. A tecnologia está indo cada vez mais para a micro escala, e em velocidade vertiginosa, tornando possíveis ou descartando tudo que se provar inútil para o desenvolvimento da espécie. 

A ficção cientifica romântica está perdendo espaço para a realidade e se o criador não souber das tendências corre o risco de ficar defasado a menos que se assuma Steampunk ou retrô. E a necessidade de ação mata certos desenvolvimentos. Estamos na época do Playstation e da internet e isso criou um novo tipo de leitor.

 Um amigo costuma dizer que não tem paciência para ler grandes massas de quadrinhos e textos, já que na net tudo flui muito mais rápido. Uma prova disso é que se eu passar de duas páginas você vai achar meu texto chato e arrastado. Este é o leitor do futuro, algo que nenhum futurologista pensou é que no meio de toda a tecnologia dependeríamos dela com naturalidade desde que se tornassem partes funcionais em nossas vidas.

A nova futurologia é prática, não estética. Guarde suas roupas de alumínio e busque um computador “vestível” antes de seguir em Missão para Metaluna ou imagine algo mais visual do que desligar a luz da terra quando disser: “Klaatu Baraka Nicto”.  E não se esqueça: Colocar uma turbina nas costas pode te torrar.

 

*O Homem Grilo uma vez me disse que tinha outro nome, mas todo mundo conhece Steampunk ou Retro Tecnologia, não é?

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