Apresentação

XIVº Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Literatura Cortês
Lisboa | 22-27 de Julho de 2013

Paródias corteses / Paródias da cortesia

Mais do que sobre textos considerados individualmente, a paródia assenta, na Idade Média, sobre géneros literários. Tendo como horizonte referencial conjuntos textuais ordenados e coerentes que simultaneamente se espelham e se opõem no interior de um sistema que, apesar da sua forte estruturação, permanece aberto ou permeável à interacção dialógica, a paródia revela assim uma literatura consciente de si própria bem como das estratégias retóricas que sustentam os diferentes discursos poéticos.

Daí o surgimento de novas formas paródicas essencialmente a partir do século XIII. Com efeito, paralelamente à paródia baseada no contraste entre a imitação estilística e a inversão semântica que será cultivada durante toda a Idade Média (e muito para lá desta época), desenvolvem-se, no século XIII, modelos que vários críticos contemporâneos se apressaram a interpretar como emblema da modernidade literária medieval, nomeadamente pelo modo como desconstroem, deslocam, combinam ou reinvestem topoi, esquemas narrativos e registos discursivos pertencentes a esferas poéticas distintas.

No entanto, ciente de que a paródia não é um fenómeno que se restringe a uma dimensão puramente narrativa, textual ou intertextual, o XIVº Congresso da Sociedade Internacional de Literatura Cortês deseja igualmente abrir a reflexão a outras manifestações artísticas (música, iconografia, etc.) que dialogam e confluem incessantemente, na Idade Média, com o domínio da representação poética.