AMINOACIDOS

Os aminoácidos formam a estrutura das proteínas e são essenciais para o corpo humano.
>> Malhadores e esportistas são as pessoas que mais se beneficiam com a suplementação de aminoácidos porque eles
ajudam no reparo, crescimento e desenvolvimento do tecido muscular.
>> Os aminoácidos são essenciais para a produção de mais de 50 mil proteínas e mais de 15 mil enzimas, incluindo as enzimas
digestivas, que devem estar em ótimo funcionamento para que você possa aproveitar ao máximo a sua alimentação e
suplementação.
>> Os aminoácidos também influenciam no seu humor, na concentração, na agressividade, na atenção e no sono.

Os aminoácidos isolados são mais rapidamente absorvidos e assimilados do que as proteínas. Eles influenciam atividades
farmacológicas e fisiológicas, como, por exemplo: o anabolismo, a regulação hormonal e as funções neurotransmissoras.

As principais fontes desses  aminoácidos são a carne, o leite e o ovo.

AGORA PRECISO FALAR DAS PROTEÍNAS
Depois que uma proteína é ingerida, as enzimas digestivas a quebram em aminoácidos. Os aminoácidos são, então, usados 
individualmente para a criação de novas proteínas e enzimas.
As proteinas são pertencentes a classe chamada construtora, ela participam ativamente em processos de catálise, crescimento,
coagulação e transporte de oxigênio. As proteínas são formadas por cadeias de alfa-aminoacidos, essas cadeias possuem
vinte alfa-aminoacidos.

As proteínas são classificadas de acordo com seu valor nutricional . Uma proteína completa contém todos os aminoácidos
essenciais em quantidades suficientes para manter o balanço de Nitrogênio e sustentar o crescimento . Uma proteína é
completa também quando possui alto valor biológico . As proteínas existentes na carne de vaca , de galinha , do peixe ,
no leite e nos ovos são proteínas com alto valor biológico ou proteínas completas .

Proteínas incompletas são aquelas que não possuem quantidades suficientes de aminoácidos necessários para o balanço
de nitrogênio e para o crescimento do organismo, como é o caso dos existentes nos cereais, nas leguminosas e vegetais
em geral .

Valor biológico = capacidade da proteína reter nitrogênio na célula .

Balanço nitrogenado positivo é quando a ingestão de proteínas são consumida em quantias adequadas , se a
ingestão for menor que o gasto ocorre um balanço nitrogenado negativo (catabolismo).

Ao contrário do glicogênio os a.a. (alfa-aminoacidos ) podem ser transportados para todas áreas do organismo onde forem
necessários, 20% deste vai para a corrente sangüínea e o resto fica no fígado.

OS 20 Aminoácidos ( Essenciais e Naturais )

Essenciais : não são sintetizados pelo organismo humano , devem ser fornecidos pela dieta , são 8 totais .
São eles: arginina, fenilalanina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, serina, treonina, triptofano e valina.

Não essenciais, ou dispensáveis : são os que são sintetizados pelo organismo humano a partir de outros aas , são
13 no total . 
São eles :alanina, asparagina,cisteína, glicina, glutamina, histidina, prolina, tirosina, ácido aspártico, ácido glutâmico

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Apresento-lhes os 20 Aminoácidos:

Alanina : componente principal do tecido de conexão , elemento intermediário do ciclo glucose-alanina , que permite que os
músculos e outros tecidos tirem energia dos aas (alfa-aminoacidos) e obtenham sistema de imunização , ajuda a melhorar
o sistema imunológico.


Cistina : contribui para fortalecer o tecido de conexão e ações antioxidantes no tecido, ajuda na recuperação , estimula
atividade das células brancas no sangue e ajuda a diminuir a dor de inflamação , essencial para a formação de pele e cabelo.

Ácido glutâmico: percussor da glutamina , prolina , ornitina , arginina , glutathon e gaba , fonte potencial de energia ,
importante no metabolismo do cérebro e metabolismo de outros aas.

Glutamina: a.a. mais abundante, importante nas funções do sistema imunológico, importante fonte de energia especialmente
para os rins e intestinos durante restrições calóricas , no cérebro ajuda à memória e estimula a inteligência e a concentração.

Glicina: ajuda na fabricação de outros a.a. (alfa-aminoacidos) e é parte da estrutura da hemoglobina e cytocromos
( enzimas envolvidas na produção de energia) tem um efeito calmante e é usado muitas vezes para tratar pessoas maníacos
depressivas e pessoas agressivas , reduz a vontade de comer açúcar , produz glucagon , que mobiliza glycogen.

Ornitina: ajuda aumentar a secreção de hormônio do crescimento em doses altas, ajuda no sistema imunológico, nas funções
do fígado e na cicatrização.

Prolina: importante na formação de tecido de conexão e músculo do coração, facilmente mobilizado para energia muscular,
o ingrediente mais importante do colágeno.

Serina: importante na produção de energia das células, ajuda a memória e funções do sistema nervoso, melhora o sistema
imunológico , produzindo imunoglobulinas e anticorpos.

Taurina: ajuda na absorção e eliminação de gorduras, atua como neuro-transmissor em algumas áreas do cérebro e retina.
Ajuda para uma melhor absorção da creatina pelo organismo.

Isoleucina: usado para energia pelo tecido muscular, usado para prevenir perda muscular em pessoas debilitadas, essencial
na formação de hemoglobina.Um dos aas da cadeia BCAA.

Leucina: usado como fonte de energia, ajuda a reduzir a queda de proteína muscular, modula o subir dos percussores
neuro-transmissor pelo cérebro assim como soltar das encefálicas, que impedem a passagem dos sinais de dor para o
sistema nervoso, promove cicatrização da pele e ossos quebrados. Também faz parte dos BCAAs.

Valina: a.a. interligado (em corrente), não é processado pelo fígado, ativamente absorvido pelo músculo, influencia a tomada
pelo cérebro de outros neuro-transmissores (triptofano, fenilalanina, tirosina).

Histidina: absorvem ultravioleta na pele, importante na produção de células vermelhas e brancas, usado no tratamento de
anemias, doenças alérgicas, artrite, reumatismo e ulceras digestiva.

Lisina: baixos níveis podem diminuir a síntese protéica, afetando o músculo e tecidos de conexão, inibe vírus, usado no
tratamento de herpes simples, este a.a (alfa-aminoacidos) + vitamina forma a L-carnitina.
L-cartinina é um bioquímico que possibilita ao tecido muscular a usar oxigênio com maior eficiência retardando a fadiga,
ajuda no crescimento ósseo, auxiliando a formação do colágeno, a fibra protéica que produz ossos, cartilagem e outros
tecidos conectivos.

Methionina: percussor da cistina e da creatina, ajuda a aumentar os níveis antioxidantes (glutathione) e reduzir os níveis
de colesterol no sangue, ajuda a remover restos tóxicos do fígado e ajuda na regeneração do fígado e rins.

Fenilalanina: maior percussor da tirosina melhora o aprendizado, memória, temperamento, e alerta mental, usado em
alguns tipos de depressão, elemento principal na produção de colágeno, tira o apetite.

Treonina: desintoxicastes, ajuda a prevenir o aumento de gordura no fígado, componente importante do colágeno, é baixo
nos vegetarianos.

Triptofano: percussor principal da serotonina neuro-transmissor que oferece efeito calmante, estimula a produção de GH,
encontrados nas fontes de comidas naturais, promove sonolência , por isso deve ser consumido à noite.

Arginina: pode aumentar a secreção de insulina e glucagon e GH , ajuda na reabilitação de ferimentos , formação de
colágeno e estimula o sistema imune , percussor da creatina , acido gama amino buturico ( GABA , um neuro-transmissor
do cérebro ) , pode aumentar a contagem de esperma e a resposta T-lymphocyte.

Cisteina: ajuda a prevenir danos oriundos de álcool e tabaco, estimula a atividade das células brancas no sangue.

Tirosina: percussor dos neuro-transmissores dopamina, norepinefrina e epinefrina, assim como a tireóide, GH, melanina
(pigmento responsável pela cor do cabelo), aumenta a sensação de bem estar. 

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BCCA
Os aminoácidos BCAA (cadeia ramificada) compõem-se de Isoleucina, Leucina e Valina, e representam um terço das
proteínas do tecido muscular. Essa contribuição significativa os torna essenciais para a construção dos músculos e para o
aumento de energia nas células musculares. Eles também são convertidos em outros aminoácidos quando surgem
deficiências. 

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Resumo das principais ações dos aminoácidos. 

Todos na forma L , com exceção da metionina e fenilalanina( DL ) :


Promovem o aumento da massa muscular :
arginina - carnitina - alanina - leucina - isoleucina - valina 

Aumento da histamina :
carnitina - dimetilglicina 

Ajudam a abaixar a pressão sanguínea :
GABA - taurina - triptofânio 

Diminuição da dor :
metionina - triptofânio - DL-fenilalanina 

Melhora dos sintomas da doença de Parkinson :
triptofânio - tirosina - L-Dopa - metionina - GABA - treonina 

Insônia :
triptofânio - GABA - taurina - glicina 

Agressividade ( promove melhora nos sintomas ) :
triptofânio - GABA - taurina 

Diminuem o colesterol e os triglicérides 
arginina - carnitina - glicina - metionina - taurina 

Promovem a liberação do hormônio do crescimento ( GH ) :
arginina - glicina - triptofânio - valina - ornitina - lisina 

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Aminoácidos de cadeia ramificada e suas relações com a prática
de atividades físicas e com a saúde

Resumo

Evidências comprovam que, atualmente, jovens esportistas e frequentadores de academias vêm utilizando suplementos
alimentares a base de proteínas de maneira excessiva  e sem controle e supervisão profissional. Assim, o objetivo deste
ensaio bibliográfico é apresentar alguns argumentos, com base em evidências, sobre a utilização da suplementação
alimentar a base de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA – Brainched-Chain Amino Acid)I, sua associação e relações
com a prática de atividades físicas, bem como as consequências de seu uso. Para tanto, buscou-se informações em artigos
científicos disponibilizados em bases de dados como Scielo, Pubmed, Science Direct, Directory of Open Access Journal,
bem como em literatura especializada. Os resultados dos trabalhos analisados apontam algumas discordâncias entre os
estudos, observando-se que o conhecimento sobre seus efeitos geram dúvidas, sobretudo quanto ao uso por períodos
prolongados e os reais efeitos desta prática. Desta forma, fica bastante clara a necessidade de que mais pesquisas de
intervenção sejam realizadas, a fim de se obter resultados mais conclusivos a respeito do tema, pois, aparentemente, a
 discussão está longe de ser esgotada.

Unitermos: BCAA. Suplementação alimentar. Proteínas. Atividade física

Introdução

·         Este ensaio aborda um foco temático bastante importante na atualidade: o uso de suplementos alimentares. Mais
especificamente, considerando-se estudos que demonstram o uso significativo de suplementos protéicos, principalmente
por jovens freqüentadores de academias de ginástica e esportistas em geral (Pereira, Lajolo e Hirschbruch, 2003; Santos
e Santos, 2002), este estudo tenta discutir e apresentar evidências importantes sobre as relações entre o uso de 
suplementos a base de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA – Brainched-Chain Amino Acid) e as possíveis conseqüências
destes para a prática de atividades fí
sicas e esportes, bem como para a saúde dos usuários.

·         Para a prática de exercícios físicos ou de esportes, é primordial que se tenha energia suficiente para garantir um melhor
desempenho e, conseqüentemente, retardar o início da fadiga (Aoi, Naito, Yoshikawa, 2006). Desta forma, é de suma importância
que no planejamento e organização de um programa, além das atividades típicas de treinamento e de repouso, uma alimentação
adequada deva ser considerada. As necessidades nutricionais diárias, não somente protéicas, são dependentes de fatores como
intensidade,
freqüência, duração e tipo das atividades/exercícios, bem como composição corporal, idade, sexo e nível de treinamento
dos indivíduos, os quais a tornam um tópico de discussões bastante complexo (Lemon, 2000). Sendo assim, a nutrição torna-se um
fator importante para que os objetivos estabelecidos no planejamento sejam mais facilmente atingidos.

·         A nutrição corresponde aos processos de ingestão de alimentos e conversão destes em nutrientes, os quais são utilizados
para manutenção das funções orgânicas. Esses processos envolvem macro e micronutrientes que são utilizados com finalidade
energética (carboidratos, lipídios e proteínas), para a construção e reparo dos tecidos (proteínas, lipídios e minerais), para a
construção e manutenção do sistema esquelético (cálcio, fósforo e proteínas) e para regular a fisiologia corpórea (vitaminas,
minerais, lipídios e água); evidentemente, uma nutrição apropriada constitui o alicerce para o desempenho físico. (McArdle, Katch
e Katch, 2003; Santos e Santos, 2002)

·         O papel das proteínas e dos aminoácidos na atividade física durante longo tempo não recebeu a devida importância.
Estudava-se principalmente o metabolismo de carboidratos e gorduras, sendo as proteínas bastante ignoradas. O interesse
aumentou consideravelmente a partir da década de 70, quando evidências foram apresentadas de que o exercício afeta o
metabolismo de proteínas/aminoácidos, e que esses contribuem significativamente no rendimento durante o exercício
prolongado. (Feitg e Wahren, 1971; Rossi e Tirapegui, 1999).

·         Constituídas por cadeias de aminoácidos, além de servirem de substrato energético para o crescimento e desenvolvimento
do organismo, as proteínas também desempenham funções diversas como: regulação do metabolismo, transporte de nutrientes,
catalisadores naturais, defesa imunológica, receptores de membranas, dentre outras. Quando não usadas imediatamente pelo
organismo para a síntese de outras proteínas ou tecidos, são importantes no fornecimento de energia para outras funções orgânicas.
A ingestão diária recomendada deve variar de 0,8 a 1,0 g/kg/dia, quantidade que garante as funções vitais desempenhadas por esse
macro nutriente. Em fases especiais da vida como na infância e adolescência, nos períodos de gestação e lactação e em casos
de patologias em que ocorrem perdas deste nutriente, a ingestão poderá ser aumentada. Dessa forma, o consumo diário
deverá ser adaptado de acordo com as necessidades dos indivíduos (Malina e Bouchard, 2002; Paiva, Alfenas e Bressan, 2007)

·         Para indivíduos que participam de programas de atividades físicas regularmente, as recomendações de uma ingestão
diária de proteínas variam. Segundo Lemon (2000), a ingestão de proteínas para pessoas envolvidas em exercícios de resistência varia
de 1,2 a 1,4 g/kg/dia, e já para os engajados em exercícios de força, as recomendações de 1,6 a 1,8 g/kg/dia, parecem ser suficientes.

·         Segundo a Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva, a ingestão diária de proteínas para indivíduos fisicamente ativos deveria
ser de 1,4 a 2,0 g/kg/dia, as quais não somente auxiliam como também aumentam as adaptações decorrentes do treinamento.
(Campbell et al., 2007)

·         O uso de aminoácidos de forma suplementada tem sido bastante difundido entre praticantes de exercícios e atletas de diversas
modalidades (Marquezi e Lancha Jr., 1997). Tornou-se foco de estudo de pesquisadores das áreas da nutrição e da fisiologia do
exercício, principalmente, com o intuito de desvendar quais os possíveis efeitos sobre a performance e a composição corporal, bem
como sobre a saúde dos sujeitos que fazem uso deste tipo de nutriente.

 Aminoácido de cadeia ramificada – BCAA

·         Os aminoácidos de cadeia ramificada conhecidos como BCAA (Branched Chain Amino Acids), compreendem três
aminoácidos essenciais: valina, leucina e isoleucina. De todos os aminoácidos isolados consumidos, apenas os aminoácidos
essenciais apresentam uma sustentação teórica para a sua administração. Eles não são sintetizados no organismo humano devendo,
por isso, ser ingeridos na dieta ou na forma de suplementos dietéticos, os quais são apresentados na forma de cápsulas, comprimidos,
pó, tabletes e na forma líquida. Nos alimentos, podem ser encontrados nas carnes e outros produtos de origem animal, ricos em proteínas.

·         Pouco se sabe a respeito das dosagens diárias recomendadas. Dessa forma, foram encontradas pesquisas envolvendo crianças e
adultos que sugerem proporções que vão de 77 a 154 mg/kg/dia, bem como estudos que sugerem a não utilização de suplementação
de BCAA para atletas, devido a carência de evidências consistentes a respeito do tema. (Mager, Wykes, Ball, Pencharz, 2003;
Kurpad, Regan, Raj, Gnanou, 2006; Kazapi e Tramonte, 2003; Alves, 2005; Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, 2003).


Possíveis efeitos da suplementação com BCAA

·         Um grande número de estudos indica que são vários os efeitos decorrentes da suplementação de BCAA, antes, durante e após a
prática de atividades físicas, como mostrados a seguir.

Ação anabólica e anticatabólica

·         Os estudos descritos a seguir, realizados com indivíduos fisicamente ativos ou não, sugerem que a suplementação com BCAA,
antes ou imediatamente após o exercício, pode estimular a síntese protéica e diminuir danos ao tecido muscular, devido ao fato
de a suplementação suprir as necessidades dietéticas destes aminoácidos, preservando os estoques musculares. Resultados encontrados
permitem supor que a ingestão de BCAA estimularia a liberação de hormônios como a testosterona, o hormônio de crescimento (GH) e a
insulina, aumentando, assim, a síntese de proteínas (Bacurau, 2003).

·         Em estudo de revisão realizado por Blomstrand et al. (2006), os BCAA, particularmente a leucina, podem apresentar efeitos
anabólicos no metabolismo de proteínas, aumentando significativamente a taxa de síntese e diminuindo a taxa de degradação de proteína
na musculatura em repouso, após o exercício. Os BCAA apresentam efeitos anabólicos no músculo humano durante a fase de
recuperação, após exercícios de resistência, porém durante os exercícios, os respectivos efeitos não são claros, necessitando maiores
estudos
(Blomstrand e Saltin, 2001).

·         Resultados semelhantes foram encontrados por Koopman et al. (2005) os quais experimentaram, em homens adultos, a
ingestão de proteínas, leucina e de carboidratos, de forma isolada ou associada. Os autores concluíram que a ingestão associada de
proteína e leucina estimulou a síntese muscular de proteína e melhorou o equilíbrio protéico de todo o corpo, comparado com a ingestão
isolada de carboidrato.

·         A Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (2003) sugere dados parecidos, afirmando que se ingeridos juntamente
com soluções de carboidratos, após treinos intensos, os aminoácidos essenciais podem promover uma melhor recuperação do esforço
seguido de aumento da massa muscular.

·         Shimomura et al. (2004) constataram que a suplementação com BCAA antes e depois do exercício teve efeitos benéficos por
diminuir danos musculares induzidos pelo exercício, além de promover a síntese muscular de proteínas; sugerindo a possibilidade de
que a suplementação com BCAA tenha utilidade positiva em relação à prática de exercícios e esportes. Efeitos semelhantes foram
encontrados por Greer et al. (2007) em homens universitários destreinados, durante exercícios prolongados de resistência.

Serve de substrato para a gliconeogênese

·         Os BCAA são desaminados no tecido muscular formando a alanina, que por sua vez, deixa o músculo e vai para o fígado
onde é convertida em piruvato e, posteriormente, em glicose (ciclo glicose-alanina) contribuindo para a manutenção da glicemia durante
exercícios prolongados. Os BCAA atuam no ciclo da alanina-glicose servindo de substratos para a produção de glicose
(Lancha Jr., 1996, Marquezi e Lancha Jr., 1997; Alves, 2005);

·         Os BCAA, particularmente a leucina, também podem servir como importantes doadores de nitrogênio no cérebro
(Hood e Terjung,1990), por meio dos grupos amina, com a finalidade de síntese de glutamato. A leucina, não sendo uma
substância neuroativa, pode seguramente transitar pelo cérebro e ser usada como uma fonte de NH2 com o propósito de sintetizar
o glutamato. Sendo um aminoácido importante no metabolismo humano, o glutamato é o produto da transaminação do
α-cetoglutarato, participando na produção de metabólitos como o piruvato ou o oxaloacetato, que participam em vias metabólicas
como a gluconeogénese e na glicólise. (Yudkoff et al., 2005).

 Envolvimento na resposta imunológica

·         Durante exercícios de resistência, há uma diminuição dos níveis plasmáticos de glutamina, cuja função principal é servir de
fonte de energia para importantes células do sistema imunológico. Já que os BCAA servem de substrato para a síntese de glutamina,
sua administração após o exercício aumentaria as concentrações da mesma, diminuindo assim a incidência de infecções nos atletas
(Zamberlan, 2001; Alves 2005);

·         Os BCAA são também absolutamente essenciais na responsividade dos linfócitos a agressões e são necessários para apoiar
outras funções de células do sistema imunológico. Em ratos, a restrição dietética de BCAA prejudicou vários aspectos da função
imunológica apresentando aumentos na suscetibilidade para agentes patogênicos.Pacientes pós-cirúrgicos ou com infecção foram
submetidos a doses intravenosas de BCAA e mostraram melhora no sistema imunológico, com resultado melhorado frente aos
processos infecciosos. (Calder, 2006).

Economia nos estoques de glicogênio muscular

·         O inter-relacionamento entre BCAA e o metabolismo de glicose foi primeiramente reportado estando associado com
o ciclo glicose-alanina. Os estudiosos acreditavam que havia um fluxo contínuo de BCAA dos tecidos viscerais, pelo sangue, para o
músculo esquelético, onde ocorria a transaminação dos BCAA, proporcionando nitrogênio (da molécula amina) para a produção
de alalina e piruvato; a alanina movimentava-se do músculo para o fígado, para apoiar a gliconeogênese hepática. Embora tenha
sido uma hipótese bastante debatida, evidências indicaram que este mecanismo respondia por 40% da produção endógena de
glicose durante exercício prolongado. (Layman et al., 2003)

·         Shimomura et al. (2000), em experimento com cobaias encontraram resultados que sugerem que uma dieta rica em BCAA
preserva as reservas de glicogênio do fígado e da musculatura esquelética durante exercício, e que a diminuição na atividade complexa
de deidrogenase do piruvato nestes tecidos, pelos BCAA dietéticos, está envolvida nestes mecanismos.

·         Resultados semelhantes, também por meio de experimento animal, sugerem que uma suplementação crônica com
BCAA não apresentou influência sobre o desempenho de ratos treinados submetidos a teste de exaustão, em protocolo que
utilizou atividades na água. Porém, a suplementação de BCAA (a 4.76% na dieta recomendada para manutenção de roedores)
foi efetiva no aumento das concentrações do glicogênio hepático após 1 h de exercícios ou imediatamente depois do teste
de esgotamento, efeito considerado dose-dependente. (Araujo Jr et al., 2006).

Retardo da fadiga central em exercícios prolongados

·         Sabe-se que os BCAA e o triptofano-livre competem entre si, em situações em que os níveis plasmáticos de BCAA se
encontram reduzidos (exercícios prolongados); isto facilitaria a entrada de triptofano-livre no cérebro (SNC), levando à
geração de 5 hidroxi-triptamina, precursor da serotonina, que por sua vez é um mediador potencial da fadiga central. Portanto,
acredita-se que a suplementação de BCAA poderia reduzir a formação da serotonina, retardando assim a fadiga e
conseqüentemente, melhorando o desempenho esportivo.
(Newsholme e Blomstrand, 2006; Zamberlan, 2001; Willians, 2004; Bacurau, 2001, Kazapi e Tramonte, 2003).

·         Por outro lado, alguns estudos apontam efeitos que colocam em discussão a administração desse suplemento com o
intuito de retardar a fadiga central

·         Wagenmakers et al. (1991) e MacLean e colaboradores (1993) citados por Zamberlan (2001), verificaram em seus
estudos um aumento da concentração plasmática de amônia em decorrência da ingestão de altas doses de BCAA.
Esta pode ser tóxica ao cérebro e também afetar negativamente o metabolismo muscular.

·         Kazapi e Tramonte (2003) também relatam que “não se sabe ao certo a quantidade de BCAA necessária para impedir a
entrada de triptofano no cérebro; quantidades muito elevadas são mal toleradas e prejudiciais, atrasam a absorção de líquidos
e contribuem para a desidratação” (p.184). Ou seja, em doses altas existe a possibilidade de transtornos gastrintestinais como
a diarréia, bem como comprometimento da absorção de outros aminoácidos (Alves, 2005).

·         Uchida, Bacurau, Aoki e Bacurau (2008) estudaram os efeitos da suplementação com BCAA em homens saudáveis
com média de idade de 22,2 anos durante exercícios de endurance, até a exaustão, por meio de estudo experimental com
desenho “duplo cego”, usando BCAA e placebo. Em conclusão ao estudo, os autores afirmam que a suplementação de BCAA
não afetou o desempenho dos sujeitos no teste de corrida até a exaustão.

Considerações finais

·         Os efeitos da suplementação de aminoácidos sobre a performance em exercícios e nos esportes, atualmente têm se constituído
em importante objeto de estudo, visto que sua comercialização e utilização, com objetivos variados, têm crescido.

·         A partir deste trabalho sobre a suplementação com os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), observa-se que o consumo
pode ser benéfico, ingerido sozinho ou associado a outros nutrientes, se confirmada a necessidade e, desde que com
acompanhamento de profissionais da área da saúde, como médicos, nutricionistas e educadores físicos.

·         Considerando-se todo o potencial de informações a respeito deste importante foco temático, notaram-se algumas discordâncias
entre os estudos, observando-se que o conhecimento sobre seus efeitos geram algumas dúvidas, sobretudo quanto ao uso por
períodos prolongados.

·         Conclusivamente, com relação aos efeitos da suplementação de BCAA, fica bastante clara a necessidade de que
mais pesquisas científicas sejam realizadas, pois a discussão está longe de ser esgotada.


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