"A FEBRE DE AVATAR OU AS X RAZÕES PARA NÃO FALTAR"

Sinopse oficial:

 

“Apesar de confinado a uma cadeira de rodas, Jake Sully (Sam Worthington) , um ex- marine, continua a ser um combatente. Assim é recrutado para uma missão a Pandora, um corpo celeste que orbita um enorme planeta gasoso, para explorar um mineral alternativo chamado Unobtainium, usado na terra como recurso energético. Porém devido ao facto da atmosfera de Pandora ser altamente tóxica para os humanos, é usado um programa de avatares híbridos, que possibilita a transferência da mente de qualquer humano para um corpo nativo”.

 

 

 

 

 

 

 

Pandora, o corpo celeste


As história não é nova ou as várias ideias que compõe esta narrativa não são novas:

 

1- Filme em que o herói é deficiente (anti-herói);

2 - Filme em que Homens vivem efectivamente Os Sonhos, através de dispositivos tecnológicos;

3- Avatares híbridos construídos à semelhança de outros seres;

4- A exploração ficcional de outros da vida noutros planetas;

5- A luta por minerais valiosos noutros planetas;

6- A guerra entre humanos e extra-terrestres;

7- O conflito entre poder económico e preservação do ambiente.

 

 Sobre as fontes de inspiração do argumento de Avatar podemos falar de Metal Hurlant (antologia cómica francesa de ficção cientifica), Moebius (pseudónimo de Jean Giraud), o autor da banda desenhada francesa de ficção cientifica e fantasia, John Carter (personagem de banda desenhada, veterano da guerra civil americana, transportado para Marte), o mito da Pocahontas, Metropolis (o filme de Fritz Lang), entre muitos outros.

 

E nesta mixagem de ideias, temos outra mixagem de géneros, desde a ficção científica, à guerra e ao romance, o que nos leva a crer que cada vez mais nos chegam filmes às salas de cinema, sem grande argumento mas que nem por isso deixam de ser bons filmes. Porque nem só do argumento vive o filme e cada vez mais a tendência (tradicionalmente hollywoodesca), é para nos (pre)encher de acção e efeitos extraordinários, possibilitados pelas novas tecnologias digitais.


 Mas estas 2 premissas verosímeis são bem verdadeiras em Avatar:

 

 1 -      Parte-se da ideia de que os deficientes são em certa medida heróis, porque se esforçam muito mais para fazer o que uma pessoa com capacidades normais faz sem grande esforço. Como a incapacidade física em nada retira a capacidade intelectual ou emocional, uma pessoa em condições físicas diferentes, aprenderá a ver a vida a viver a vida, de uma forma diferente e alternativa... Ninguém antes tinha conseguido ganhar a confiança dos Navi´s e alguém ferido em combate é  já por si é um herói. Por todas essas razões, Jake Sully é o herói perfeito.


2-  Pandora: o corpo celeste com o recurso energético necessário à terra. A motivação para um realizador (principalmente em ficção cientifica) passa muitas vezes pelo encontro perfeito com o local onde filmar e por toda a transformação plástica ou criação de lugares e personagens, ou seja a criação de mundos inexistentes, e neste campo, a digitalização vem acelerar o processo de produção e rentabilizá-lo.


Apesar de tudo, há falta de consistência no argumento, uma vez que o estado da terra relativamente à necessidade do mineral, não está suficientemente explorado, para justificar a necessidade de guerra com Pandora. Assim, entramos na farsa do vilão com o poder destruidor v.s a impotência de biólogos antropólogos defensores da cultura e biodiversidade (uma ideia que não nos é totalmente desconhecida).

Mas Avatar é essencialmente 40% de imagem real e 60% de imagem artificial e 15 anos de trabalho. 

Para além de ser o filme com a maior produção de sempre, com valores que ultrapassam os 500 milhões de dólares (hoje em dia o investimento na produção também já é uma medida de marketing), há realmente uma força fabulosa neste trabalho ao nível da produção:

Para começar, Avatar conta com uma equipa de maquilhagem de cerca de 20 pessoas; e aqui se inicia a sua verdadeira espectacularidade:

Mais de 100 pessoas a trabalhar no departamento de arte, entre cenografia de maquete e carpintaria, e cenografia digital e design gráfico;

Um departamento de som com cerca de 40 pessoas (desde a captação de som, à mixagem, à re-gravação, à adição de efeitos sonoros);

Uma equipa de efeitos especiais, desde criadores de  moldes, técnicos de efeitos e de miniaturas, e de adereços com maquinagem), com mais de 30 pessoas; E com um departamento de efeitos visuais, de cerca de 1115 pessoas. Estamos a falar do grupo de pessoas que contribuiu para a criação dos 60% de imagem artificial e de toda a panóplia de efeitos de que o filme vive. E podemos referir alguns:

Criação de imagem 3D (pressupõe um trabalho de criação de imagem e posterior trabalho de textura, iluminação etc.);

Matte painting (o actor é filmado sobre um fundo azul ou verde, a imagem é posteriormente digitalizada e inserida no cenário pretendido);

Captura de movimento com técnicas motion capture (a imagem resultante integra todos os movimentos da interpretação do actor, e fica gravada em computador); Criação de espaço e cenário virtual e operação de câmara no espaço virtual (3D); Personagens criadas por computador de forma artificial (sincronização dos movimentos de fala com as vozes, expressões faciais etc.).

 

 

 








 


personagem em acção

  

As equipas fazem parte dos melhores estúdios de produção 3D do mundo: Weta Digital (Nova Zelânida), a companhia criada por Peter Jackson, a Framestore CFC, o maior estúdio de efeitos visuais e animação da Europa (Oxford), pelos estúdios Hybride-  Visual Digital Effects (Canadá); pela Prime Focus VFX (anterior Frantic Films, Canadá), ILM Digital Mattepaing (Canadá), Look effects (Hollywood e Brooklyn), Flame –Digital Visual Effects (California), Hydraulx – Visual Effects (Califórnia), BUF (França); Lightstorm Entretainment/ 20th Century Fox (um dos maiores estúdios americanos); Estúdios de animação Giant Studio (Los Angeles); Pixel Liberation Front (Califórnia); Lola Visual Effects (Califórnia), Prime Focus (Califórnia).

 

Referimos também os restantes departamentos de produção, de câmara e eléctrico, de guarda - roupa e adereços, de duplos, que contam igualmente com um grande número de pessoas a trabalhar, para a concretização deste filme

(para mais informações, clica em: http://akas.imdb.com/title/tt0499549/).


 

 

 

 

 



Pandora, a floresta

 

Na produção cinematográfica, tal como alguns exemplos da história dos media nos podem ensinar, há lugar para tudo: para filmes de autor (cinema de argumento), para o star system, para diversos géneros cinematográficos… mas a espectacularidade da tecnologia digital veio para ficar, seja quais forem as medidas de marketing, o trabalho está ai, preparado para responder às exigências do espectador futurista, que exige um cinema mais real e emocionante, uma experiência cinematográfica da qual ele também faz parte, como o cinema fantástico, de tecnologia 3D e Imax.

E por isso Avatar foi de antemão filmado em 2 sistemas a contar com a exibição: sistema normal: “lente flat ou scoop panorâmica), e sistema 3D, filmado com tecnologia Pace Fusion 3D (1 câmara que integra 2 objectivas HD), tendo em vista o  posterior visionamento com óculos de sistema 3D vision, para que o público possa visitar Pandora como Jake Sully o fez...


Fontes:

http://www.soundonsight.org/wp-content/uploads/2009/07/avatar2.jpg

http://www.unet.fi/fransblog/wp-content/uploads/2009/12/Avatar_Pandora.jpg

http://ci.i.uol.com.br/filmes/g/avatar_2009_g.jpg

 

 

Por Cláudia Almeida
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