Como formar acordes

O BRAÇO DO VIOLÃO OU GUITARRA E NOTAS MUSICAIS

Certamente conhece a escala musical convencional, certo ? Bom, por via das dúvidas aí vai:

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

É corrente repetir-se a a primeira nota da escala, neste caso o Dó, de tal modo que do ponto de vista prático teremos uma escala com 8 notas, sendo a oitava uma repetição da primeira. Deve também saber que cada uma das notas musicais é usualmente representada por uma única letra. Aliás, esta é a notação que iremos usar e, é também aquela que se encontra na maioria das revistas de música que podem ser adquiridas em bancas ou distribuidoras. Neste caso a escala musical comum pode apresentar-se da seguinte forma:

C D E F G A B C

Esta escala de 8 notas é conhecida por escala diatônica.

Em resumo:

C = Dó
D = Ré
E = Mi
F = Fá
G = Sol
A = Lá
B = Si

Ok ? Passemos à prática. Observe o braço da guitarra. Seria útil se tivesse uma a seu lado neste momento. Se prender a 2a corda no 1o traste terá um C (ah, convém lembrar que a primeira corda é a mais fininha, e a 6a a mais grossa). Obterá a sequência da escala musical se seguir o esquema abaixo:

Observe a distância (comumente denominada de intervalo) que separa cada uma das notas no braço do instrumento. Cada 2 trastes equivalem a 1 tom. Portanto, o intervalo entre C e D é de 1 tom, o mesmo ocorrendo entre D e E. Porém, entre E e F este intervalo é de apenas 1/2 tom, ou seja, de apenas 1 traste. Isto repete-se entre a 7a. e a 8a. nota da escala, ou seja, entre B e C. Uma das perguntas lógicas que se pode seguir a esta explicação é a seguinte: se existem apenas 7 notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá e si), que notas então são estas que ficam entre o C e o D, entre o D e o E e assim por diante ? Estas notas equivalem a 1/2 tom (apenas 1 traste) e, cada uma delas recebe o nome da nota que a antecede mais o sufixo sustenido (#) ou, o da nota que vem a seguir mais o sufixo bemol (b). Apenas para ilustrar vale dizer que num piano estas mesmas notas são tocadas nas teclas pretas, enquanto a escala convecional se obtem nas teclas brancas.

Parece complicado mas não é. A nota entre o C e o D (a do segundo traste) é então um C# ou Db, a do quarto traste um D# ou Eb. As notas seguintes são: F# ou Gb, G# ou Ab e A# ou Bb. Observe que, não há notas entre o E e o F, não existindo, portanto, o E# ou Fb. O mesmo ocorrendo entre o B e o C, ou seja, não existe B# ou Cb. Assim, do ponto de vista prático, existem na verdade 12 notas musicais, que são:

C C#(ou Db) D D#(ou Eb) E F F#(ou Gb) G G#(ou Ab) A A#(ou Bb) B

Esta escala completa com 12 notas musicais é conhecida como escala cromática. Baseado nisto e, conhecendo a nota que corresponde a cada uma das cordas soltas de uma guitarra com afinação tradicional, é possível deduzir a posição de cada uma das notas ao longo de toda a extensão do braço da guitarra. Veja o esquema abaixo:

A partir do 12o. traste o padrão de notas repete-se integralmente. Observe que neste traste as notas são exactamente as mesmas obtidas com as cordas soltas.

Decorar todas estas sequências é um bocado chato (para não dizer outra coisa). Entretanto, isto é fundamental para a compreensão dos princípios de formação de acordes, bem como para o desenvolvimento de solos e improvisações. Não precisa, porém, de tentar decorar tudo de uma vez só. Isto virá de forma mais ou menos natural, na medida em que o estudo do instrumento for avançando. Por outro lado, dê uma uma vista de olhos periódica neste esquema não lhe vai fazer mal nenhum .
 

ESCALAS MUSICAIS - INTRODUÇÃO

Se pedirmos, à praticamente qualquer pessoa, para repetir a escala musical, as chances são de que 11 em cada 10 indivíduos dirá: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó (ou C, D, E, F, G, A, B, C - lembra da lição I ?). Esta noção, embora possa ser útil para se iniciar um processo de aprendizagem de teoria musical é, ao mesmo tempo, uma crença da qual devemos nos afastar com a máxima urgência. Existem, na verdade, inúmeras escalas musicais, das quais pelo menos dois tipos básicos devem ser familiares àqueles que pretendem fazer alguma coisa "decente" com uma guitarra. Não pretendemos, nem vamos, esgotar aqui o assunto de escalas musicais, uma vez que o número de escalas possiveis de serem construidas no braço do instrumento é praticamente ilimitado, vamos apenas, como já mencionado, abordar os dois grandes tipos de escalas, a partir das quais na verdade se derivam todas as demais.

Podemos, em principio, dizer que as escalas podem ser maiores ou menores. A escala acima mencionada é a de Dó Maior (ou simplesmente de C). Note que a mesma não apresenta qualquer nota "sustenida" (#) ou "bemolizada" (b) e, por isto, é considerada uma escala sem acidentes.

Em qualquer escala pode-se sempre identificar as notas por uma seqüência numerada (ou graus), normalmente em algarismos romanos, como abaixo discriminado para a escala de C:

I II III IV V VI VII VIII

C D E F G A B C

Assim, a primeira nota (ou grau) da escala de C é o próprio C, a segunda é D, a terceira é E, e assim sucessivamente até a oitava que, obviamente, é novamente o próprio C. A nota correspondente ao I grau é também denominada de tônica (a que dá o tom, é claro). Observe o intervalo (ou distância) que separa cada uma destas notas. Da primeira (I), que é C, para a segunda (II), que é D, este intervalo é de 1 tom. Da segunda (II) para a terceira (III) que é E, esta distancia é também de 1 tom. Lembre-se, como visto na lição I, que 1 tom equivale a 2 trastes no braço da guitarra. Nesta escala a distancia só não é de 1 tom da III para a IV nota (de E para F), bem como da VII para a VIII nota (de B para C), nas quais esta distancia é de 1/2 tom ou, 1 traste no braço da guitarra. Se precisar volte e dê uma olhada na lição I. Reveja com especial antenção a questão dos intervalos entre as notas.

Em resumo as notas na escala de dó maior (C), e os intervalos que as separam, são as seguintes:

C tom D tom E semitom F tom G tom A tom B semitom C.

Neste momento o mais importante nisto tudo não são as notas desta escala de dó maior, que muito provavelmente já conhece á bastante tempo, mas sim os intervalos que as separam. Porque? Muito simples: as distancias que separam as notas nas escalas maiores são sempre as mesmas. Com esta informação, juntamente com aquelas constantes da lição I, deve então estar apto a construir qualquer escala maior. Como veremos mais adiante, o conhecimento de escalas é fundamental para o processo de solo e improvisação, isto para não falar na formação de acordes.

Pode-se, então, generalizar que a seqüência de notas numa escala maior, qualquer que seja ela, é sempre a seguinte:

I tom II tom III semitom IV tom V tom VI tom VII semitom VIII

Para chegarmos às escalas menores é inicialmente importante mencionar que estas são sempre derivadas do VI grau de uma escala maior. Como o VI grau da escala de C é A, então a escala de Am (lá menor) é a seguinte:

I II III IV V VI VII VIII

A B C D E F G A

Existem várias coisas importantes à se observar nestas duas escalas (C e Am). Calma, tudo isto tem uma grande aplicação prática, sim. Mas, vamos primeiro passar pelos aspectos teóricos (pelo menos 2 deles). Observe primeiro que a escala de Am é também uma escala sem acidentes, ou seja, sem sustenidos ou bemóis. Ela é na verdade uma seqüência da escala de C, ou seja:

(-------------Escala de Am---------------)
C D E F G A B C D E F G A
(--------------Escala de C---------------)

Por isto a escala de Am é considerada a relativa de C. Isto, do ponto de vista prático, significa que improvisações e solos podem ser feitos indiscriminadamente em qualquer uma das 2 escalas (veremos os desenhos ou formas destas escalas no braço da guitarra na lição III). Ou seja, se estiver a tocar uma música em C, pode improvisar em qualquer uma das duas escalas, ou seja, na de C ou na de Am sem qualquer problema (é provável que não saia nada agradável ao ouvido, pelo menos no princípio, mas não custa nada tentar).

Outra coisa importante é observar a distancia que separa cada uma das notas na escala de Am. Note que a sequência não é a mesma das escalas maiores. Os graus separam-se da seguinte forma:

I tom II semitom III tom IV tom V semitom VI tom VII tom VIII

O importante aqui é também que esta sequência é a mesma em todas as escalas menores. Não posso, entretanto, deixar de mencionar que esta escala que está sendo chamada de menor é, na verdade, a escala menor natural. Existem outros tipos de escalas menores mas, isto é uma história um pouco mais longa.

Para que se torne capaz de, sozinho, construir todas as escalas maiores e menores basta apenas mais uma informação, qual seja, a de que a forma mais adequada (e também fácil) de construir novas escalas maiores é a partir do V grau da escala maior anterior. Ou seja, partindo da escala C e, considerando que o V grau desta escala é G, a próxima escala maior deve ser a de G (sol maior). Isto tem um motivo que se tornará óbvio um pouco mais tarde. A escala de G poderia então ter a seguinte configuração:

G A B C D E F G

Digo poderia porque, na verdade não tem. Se não, então vejamos. Lembre-se que os intervalos que separam as notas nas escalas maiores são sempre os mesmos? Quais são? Ok, lá vão outra vez: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Agora olhe a escala acima. A distancia que separa o I (G) do II grau (A) é de 1 tom; aqui tudo certo. A que separa o II grau (A) do III (B) é também 1 tom, logo não há problema. Também não há problema na separação entre o III (B) e o IV grau (C), que é de meio-tom, do IV (C) para o V (D), que é de 1 tom, ou do V (D) para o VI (E), que também é de 1 tom. Porém, pela seqüência de distancias das escalas maiores o VI grau deveria se separar do VII por 1 tom e o VII do VIII por 1/2 tom. Observe que na escala acima esta distancia é de 1/2 tom do V para o VI (de E para F) e de 1 tom do VI para o VII grau (de F para G). Isto é mais fácil de perceber se estiver com uma guitarra nas mãos e olhar os esquemas da lição I. A conclusão é mais ou menos óbvia: se a sequência de intervalos é a mesmo em todas as escalas maiores então, é preciso fazer com que as distancias da escala de G, acima apresentada, sigam esta seqüência. Como? Experimente aumentar o VI grau em 1/2 tom, ou seja, transformar o F em F# (fá em fá sustenido). A escala então ficaria assim:

I II III IV V VI VII VIII

G A B C D E F# G

Observe que, agora sim, os intervalos se mantém constantes e iguais aos estabelecidos para a escala de C. Em conseqüência disto surge porém 1 acidente na escala, que é um F#.

E a relativa menor da escala de G então, qual seria? Isto mesmo, constroe-se a partir do VI grau. A escala menor relativa de G é, portanto, a de Em (mi menor), que possui a seguinte forma:

I II III IV V VI VII VIII

E F# G A B C D E

Colocando as duas lado a lado teremos:

(--------------Escala de Em-----------------)
G A B C D E F# G A B C D E
(-----------------Escala de G----------------)

Da mesma forma que para a escala de C e sua relativa menor (Am), solos e improvisações podem ser feitos indiscriminadamente nas escalas de G ou Em, estando a melodia em qualquer um destes 2 tons.

E a próxima escala maior, qual seria? Certissimo, a de D, que é o V grau da escala maior anterior, ou seja, o V grau da escala de G. Observe que para manter a sequência de intervalos das escalas maiores (tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom) é preciso incluir mais 1 acidente na escala de D (agora são portanto 2 acidentes), que é a seguinte:

I II III IV V VI VII VIII

D E F# G A B C# D

A relativa menor da escala de D, construída a partir do VI grau, é portanto Bm (si menor) que, também tem os mesmos 2 acidentes e mantem as distancias características das escalas menores separando cada nota. Ela tem, portanto, a seguinte forma:

I II III IV V VI VII VIII

B C# D E F# G A B

A próxima escala maior seria construída a partir do V grau da escala de D, ou seja, A (lá maior). Que tal tentar construi-la sozinho? E sua relativa menor? Lembre-se sempre de que a relativa menor deverá derivar-se a partir do VI grau da escala maior e, que os intervalos que separam as notas de uma escala devem seguir as seqüências padronizadas, que são: tom, tom, semitom, tom, tom, tom e semitom para as escalas maiores e tom, semitom, tom, tom, semitom, tom e tom para as escalas menores. Procure observar também que, construindo escalas maiores a partir do V grau da escala maior anterior os acidentes vão aparecendo de forma gradual.

 

FORMAÇÃO DE ACORDES - PARTE A

Como já mencionado nas lições anteriores, intervalo é a distância que separa duas notas musicais. Os intervalos recebem denominações diversas, como abaixo especificado:

Nome
Distâncias
Exemplo

Segunda menor
1/2 tom (1 traste)
C para Db

Segunda maior
1 tom (2 trastes)
C para D

Terça menor
1 1/2 tons (3 trastes)
C para Eb

Terça maior
2 tons (4 trastes)
C para E

Quarta perfeita (ou justa)
2 1/2 tons (5 trastes)
C para F

Quarta aumentada ou Quinta diminuta
3 tons (6 trastes)
C para F#

Quinta perfeita (ou justa)
3 1/2 tons (7 trastes)
C para G

Quinta aumentada ou Sexta menor
4 tons (8 trastes)
C para G#

Sexta maior ou Sétima diminuta
4 1/2 tons (9 trastes)
C para A

Sétima menor
5 tons (10 trastes)
C para Bb

Sétima maior
5 1/2 tons (11 trastes)
C para B

Oitava
6 tons (12 trastes)
C para C

Usaremos também as seguintes abreviaturas:

M = maior
m = menor
J = justa (perfeita)
+ ou Aum = aumentada
o = diminuta

Muito bem. Isto é um pouco chato, mas, tem que ser decorado se quiser realmente dominar todo o processo de formação de acordes, ao invés de memorizar uma meia dúzia deles (de qualquer forma, na Lição VII vamos tentar facilitar a vida vendo uma forma simples de memorizar alguns acordes). Aliás, por acorde entende-se duas ou mais notas tocadas simultaneamente (ou quase simultaneamente).

Agora é fácil. Com 5 regrinhas básicas é possível formar os principais acordes, ou seja, aqueles com os quais deve ser capaz de harmonizar a grande maioria das melodias. Os acordes principais são formados por tríades, ou seja, três notas encontradas na escala a que o mesmo pertence e, a posição relativa destas notas é sempre a mesma, qualquer que seja a escala em questão. Vamos ás regras:

Acorde
Notas que Compõem
Exemplo
Acorde

Maior
I + IIIM + VJ
C + E + G
C

Menor
I + IIIm + VJ
C + Eb + G
Cm

Aumentado
I + IIIM + VAum
C + E + G#
CAum (C5+)

Diminuto
I + IIIm + VO
C + Eb + Gb
CO

Sétimo
I + IIIM + VJ + VIIm
C + E + G + Bb
C7

FORMAÇÃO DE ACORDES - PARTE B

NOÇÃO DE CAMPO HARMÔNICO

Existem várias abordagens possíveis para o aprendiz dos princípios de formação de acordes, uma delas foi vista na lição IV. Veremos outra a seguir.

Primeiro escolha uma escala qualquer, como a de C, por exemplo. Em seguida escreva a escala com os números (graus) corrrespondentes a cada nota, como a seguir:

C     D      E     F     G      A     B     C

I      ii      iii    IV     V      vi    viio    VIII

Alguns numeros foram escritos com tipos menores de propósito. A razão ficará evidente daqui a pouco.

A seguir, harmonize (ou organize) a escala em terceiras, isto é, coloque lado a lado a I e a III nota. Isto é denominado de harmonização em terceiras diatônicas. Lembre-se que a terceira pode ser maior ou menor (veja lição IV). É dita menor quando o intervalo que a separar da tônica (I) for 1 1/2 tons (3 trastes) e é maior quando este intervalo for de 2 tons (4 trastes).

A harmonização em terceiras diatônicas tem então o seguinte resultado:

C - E Maior
D - F
E - G
F - A
Maior
G - B Maior
A - C
B - D

Não há necessidade de repetir a oitava.

Observe que os pares 1, 4 e 5 são formados por terceiras maiores (isto está indicado ao lado de cada par), enquanto os demais (2, 3, 6 e 7) são formados por terceiras menores. Importante: este padrão é sempre o mesmo para todas as escalas maiores.

Agora acrescente o V grau da escala ao lado do par já existente:

C - E - G Maior
D - F - A
E - G - B
F - A - C
Maior
G - B - D Maior
A - C - E
B - D - F

Olhe e procure lembrar-se da lição anterior; deve perceber que as triades 1, 4 e 5 formam acordes maiores, enquanto as de número 2, 3 e 6 formam acordes menores e, a de número 7 um acorde diminuto. Este padrão repete-se em todas as escalas maiores.

Analisando os resultados terminamos com as formulas mencionadas na lição IV, ou seja:

Acorde maior - tônica (I) + terça maior (IIIM) + quinta justa (VJ)

Acorde menor - tônica (I) + terceira menor (IIIm) + quinta justa (VJ)

Acorde diminuto - tônica (I) + terceira menor (IIIm) + quinta diminuta (Vo).

Este mesmo esquema utilizado na confecção de acordes permite que se discuta a noção de campo harmônico. Observe que construimos uma sequência de acordes com as notas que formam a escala de C. Esta sequência de 7 acordes, que contem 3 acordes maiores, 3 menores e 1 diminuto, é a seguinte:

C     Dm     Em     F     G      Am     Bo

Este conjunto forma o que se denomina de campo harmônico, no caso o de C. O importante nisto é que os acordes de um mesmo campo harmônico soam bastante bem quando tocados uns com os outros e, por isto mesmo, são comumente utilizados na composição musical. Ou seja, quando você for tentar "tirar" uma música procure inicialmente por acordes do mesmo campo harmônico. As chances são de que 9 em cada 10 músicas são compostas com acordes relacionados desta forma.

É evidente que a sequência acima reflete apenas o campo harmônico de C. Portanto, agora resta aplicar este mesmo principio com todas as 12 notas musicais e você terá construido os principais acordes em todos os tons e, o que é igualmente importante, o campo harmônico para cada um dos tons musicais.

Do ponto de vista prático seria interessante que pegasse num esquema contendo todas as notas do braço da guitarra, como o apresentado na lição I, e construisse suas próprias triades nas mais variadas posições no braço do instrumento. Boa sorte.

 

 

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LIÇÃO VII

FORMAÇÃO DE ACORDES - PARTE C

Não estou muito convencido de que esta lição esteja adequadamente colocada no contexto deste livro, uma vez que ela é quase totalmente destituída de um embasamento teórico adequado. Ela é também tão básica que dificilmente alguém que toque um pouco de guitarra já não conheça o seu conteúdo. Por outro lado, o assunto é tão prático que não acho justo deixar de menciona-lo. Portanto, aí vai!

Esta lição é destinada principalmente àqueles indivíduos que ficam "empacados" nas versões ditas "fáceis" de certas canções ou, que não conseguem sequer inicia-las por desconhecerem acordes como C#m7. Serve também de atalho para preguiçosos que não deram a devida atenção as lições anteriores sobre formação de acordes.

A grande maioria das canções pode ser tocada se conhecer os acordes com barra. A chave para tocar tais acordes é, evidentemente, a capacidade de fazer a barra em si. Por barra entende-se a habilidade de prender todas as seis cordas da guitarra com o dedo indicador. É claro que o som obtido a partir da pestana deve ser "limpo" e, esta é talvez a parte mais difícil. Como os dedos indicadores das pessoas tem formatos um pouco diferentes, não existe uma posição ideal para a barra. Vai ter de descobrir experimentando sozinho. Simplesmente pince o braço da guitarra entre os dedos indicador e polegar, com o indicador prendendo todas as 6 cordas do instrumento. O polegar deve fazer pressão contra o braço da guitarra, aumentado assim a pressão do indicador contra as cordas. Escolha um traste qualquer e, mãos a obra. Tenho a impressão que os trastes de 3 a 7 são mais fáceis de trabalhar. Não espere sucesso da primeira vez. Isto por si só já seria uma raridade. Vá trabalhando com calma as cordas uma a uma, até que o som saia claro em todas as 6. Importante: não desista. Não conheço ninguém que tenha tentado e não tenha conseguido.

Agora aos acordes. A única teoria que precisa saber é que os trastes da guitarra são análogos a escala musical de 12 notas (rever lição I). Isto quer dizer que, se você estiver fazendo um acorde de F e move-lo por inteiro para o traste seguinte terá avançado 1/2 tom, e tem portanto um F#. Um traste mais e, "voilá", um G. Um mais e teremos um G# (ou Ab) e assim por diante até completar todo o braço da guitarra. Se já não o conhece, o que acho difícil, veja abaixo o esquema do acorde de F:

A forma apresentada acima corresponde a primeira de duas formas básicas, cada uma constituída de pelo menos 4 subtipos, quais sejam: maior, menor, sétima e sétima menor. O esquema apresentado acima representa, evidentemente, um tipo maior. Os demais tipos são obtidos pelo rearranjo dos dedos 2 e 3. Aprendendo estas posições você pode tocar praticamente qualquer acorde. Bbm7 também? Positivo, sem problema. Vamos primeiro olhar os outros 3 tipos básicos.

Menor - basta tirar apenas o dedo 2
Sétima (maior) - basta tirar apenas o dedo 3
Sétima menor - basta tirar os dedos 2 e 3.

 :

 

Agora lembre-se, a utilidade disto é que se deslizar todo o acorde um traste para cima (em direção ao corpo da guitarra) estará tocando G#, G#m, G7 e G#m7, respectivamente. Suba mais 1/2 tom (1 traste) e terá A, Am, A7 e Am7, e assim sucessivamente. Desça 1 traste, ao invés de subir, e terá F#, F#m, F#7 e F#m7. Se descer mais 1/2 tom (1 traste) terá esta mesma seqüência para F e, descendo ainda mais 1/2 tom você não precisará mais fazer a pestana e, terá então E, Em, E7 e Em7.

Eram duas formas básicas, lembra? Agora vamos para a segunda forma. Vamos repetir o processo iniciando também no 3o. traste. Se fizer a barra neste traste e colocar os dedos como na figura abaixo terá um C e seus derivados.

Observe que neste segundo padrão básico a 6a. corda não é tocada. Como na primeira forma, subindo e descendo nos trastes você obtêm os acordes em diferentes tons. Subindo 1 traste (1/2 tom) terá a seqüência para C#, mais 1 traste para D, outro para D# e assim sucessivamente. Pegou?

Talvez uma das coisas mais importantes desta lição seja deixar claro que, se aprender qualquer acorde, em qualquer traste do instrumento, poderá obter todos os demais simplesmente subindo ou descendo ao longo do braço. Espero que você tenha se dado conta que o braço tem, no mínimo, 12 trastes, que correspondem exatamente as 12 notas musicais vistas na lição I.

 

TRIADES MAIORES - LOCALIZAÇÃO NO BRAÇO DO VIOLÂO / GUITARRA

Como já mencionado em lições anteriores, a principio não é necessária a memorização dos acordes, uma vez que é possível aprender a construi-los a partir de algumas regras básicas, regras estas que também já analisamos. Vimos, por exemplo, que os acordes são formados fundamentalmente pelo I, III e V graus das escalas (com as devidas variações para formar acordes maiores, menores, diminutos, etc). Do ponto de vista prático é, portanto, interessante montar-se um mapa do braço da guitarra que permita mostrar a localização relativa de cada uma das notas básicas que compõem cada tom. Pode-se iniciar com as relações entre a tônica e o III grau. Observe:

 

Estas posições relativas são as mesmas em todo o braço do instrumento. Um bom exercício é escolher qualquer região no braço da guitarra e tocar a seqüência de tônicas e terças.

Deve-se em seguida aprender as relações entre o V grau e a tônica. Vamos lá:

Da mesma forma que com as terças, as relações entre a tônica e as quintas (V grau) são as mesmas ao longo de todo o braço da guitarra. Exercite-se tocando o mapa completo de tônicas e quintas a partir de qualquer região do braço do instrumento. Use as diferentes notas (C, D, E, etc) como tônicas.

Muito bem. Agora falta botar as tônicas, o III grau e o V grau juntos, em um mesmo mapa. O resultado é este:

Parece familiar, não. Com certeza deve ser capaz de reconhecer neste esquema os padrões de cinco acordes básicos: C, D, E, G e A (indicados pelas letras fora do braço). Atenção, o esquema não está representando o acorde em sí, mas o padrão representado por ele. O padrão G, por exemplo, está sendo representado com a tônica no 4o traste, e o A no 1o. O importante é lembrar que este mapa é móvel, ou seja, escolhendo qualquer nota como tônica você deve ser capaz de localizar todas as demais notas seguindo o mesmo padrão básico e, portanto, o acorde em questão.

Existe pelo menos 1 exercício básico que deve ajuda-lo a memorizar este padrão básico, qual seja, o de identificar em cada acorde que você tocar (pode começar pelos vistos na lição anterior) onde estão a tônica, a terça (III grau) e a quinta (V grau). Desta forma terminará memorizando todo o mapa e, dai por diante será capaz de construir sozinho seus próprios acordes, que irão se tornando mais complexos a medida que você for acrescentando outras notas (ou graus), como a sétima, por exemplo.

 

 

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