VILA DE PANOIAS


 


A Batalha de Panoias


A maçonaria manda de Lisboa um Corpo Constitucional em direcção a Panoias, chegam a Santa Luzia a 14 de Agosto de 1833, onde tomam posição contra o que então consideravam os rebeldes, que se posicionavam em três colunas em volta da Vila de Panoias. Travou-se uma batalha entre as forças Imperiais de D. Pedro IV comandadas pelo Corregedor da Comarca de Beja, Joaquim António da Costa Sobrinho e pelo "Bruto" pseudónimo do maçon Francisco Correia de Mendonça Pessanha de Lagos. O embate entre as forças liberais e miguelistas foi violento. Os maçons liberais viram que o inimigo estava formado em três colunas, destacaram uma para os flanquear pela direita, e outra pela esquerda, deixando em reserva cerca de 600 homens. O Corregedor de Beja, decidiu acometer com os seus homens as fortíssimas posições dos patriotas miguelistas, para esse fim mandou logo que parte da Cavalaria marchasse pela direita às alturas das Mesas, onde vão dar as estradas de Garvão, Castro Verde e Ourique, para poder cortar a esquerda dos miguelistas; ordenou que a outra parte da Cavalaria fosse pelas montanhas do Moinho Novo; e que a Infantaria, e o resto da Cavalaria avançassem pelo centro, os patriotas miguelistas que defendiam a Vila de Panoias posicionavam-se no Valverde e cerro dos Macorados, para defenderem a Vila dos inimigos vindos do lado de Santa Luzia, foram então surpreendidos, por uma coluna inimiga que os contornou a Sul pelo lado de Ourique, na sua formidável posição dos Macorados, tendo então sido sujeitos a tão intenso fogo da sua mosquetaria Imperial e maçónica, que fez que fossem obrigados a fazer uma retirada estratégica, para se juntarem a Molelos em Beja! No entanto a segunda coluna que vinha da esquerda, que o Corregedor comandava com o Cadete João Paulo de Carvalho, encontrou os miguelistas à entrada do Valverde, e caiu sobre eles, matando vários dos seus homens, que os levou em desordenada fuga pelas alturas ate à Vila, e daí pela estrada de Ourique. A força liberal do centro comandada pelo então maçom, Alferes de Cavalaria, Correia Francisco de Mendonça Pessanha, e auxiliada pelo Juiz de Fora de Beja, apresentou-se combatendo os patriotas miguelistas, que estavam em frente da Vila. A desproporção da força de cavalaria era tal que os miguelistas, apesar de ter abatido ainda vários soldados inimigos e cavalos, tiveram de fazer uma retirada precipitada, deixando em campo, muitos mortos e prisioneiros. Enfim, passado 21 dias da queda de Lisboa, e de resistência às forças liberais, estas entravam " vitoriosas" na Vila de Panoias, a terra de D. Betaça! 
Escrevia de Panoias, o comandante do exército liberal que entrou "vitorioso" no dia 14 de Agosto de 1833, ao rei D. Pedro IV, que estava no Palácio das Necessidades em Lisboa, governando como regente da sua filha D. Maria que era ainda de menor idade! "...Os nossos entraram vitoriosos em Panoias, cujos Habitantes os receberão com o maior alvoroço. Não há expressões, com que se possam descrever as violências praticadas naquela Vila pelos rebeldes depois de roubarem todo o dinheiro, que encontraram nas casas mais abastadas, cevaram a sua ira destruindo móveis, portas, janelas, forros, (telhados) papeis, e documentos dos Cartórios públicos,…” Imagine-se os maçons liberais a invadirem a Igreja de São Pedro da Vila de Panoias para a vandalizarem, e serem recebidos pelo Prior e seus auxiliares todos eles ostentando ao seu peito a medalha de ouro com a efígie de El Rei D. Miguel. Claro que não escapou nada “…nem o livro dos baptismos, nem os objectos sagrados…” e do último Prior de Panoias nunca mais se ouviu falar, seria possivelmente mais um, dos milhares de mortos às mãos dos maçons liberais, que para ocultarem os seus crimes fizeram desaparecer os livros dos óbitos!
 E foi assim, após a maçonaria ter vencido os verdadeiros patriotas em Panoias que Sua Majestade Imperial a partir do Palácio das Necessidades enalteceu "...o Corregedor da Comarca de Beja, Joaquim António da Costa Sobrinho, dando parte da vitória, que alcançou junto a Panoias contra forças rebeldes, que ali se achavam, e que ele, Corregedor atacou com toda a intrepidez, apesar da extraordinária superioridade numérica do inimigo: Manda Sua Majestade Imperial declarar-lhe que Ouviu com particular agrado a narração dos feitos obrados pela força do seu comando, e que Espera que eles continuem a tornar-se cada vez mais beneméritos da Pátria." 
Infelizes feitos dos liberais, que de beneméritos, nada tiveram senão a miséria, a fome e a perda de memória de uma Nação fundada em Panoias do Campo de Ourique.


José Maria Ferreira      14 Fev. 2010



------------------------------------------------------------------



UM POUCO DA HISTÓRIA DA NOSSA TERRA...

No ano de 1930 formou-se na vila uma comissão para melhoramentos denominada por COMISSÃO PRÓ-MELHORAMENTOS com o fim de arranjar fundos para dar melhores condições de vida às populações, como calcetar as ruas, fazer poços para abastecer a vila de água potável etc. etc...Para o efeito fizeram-se festas pelo S. João e S. Pedro e Santa Isabel onde não faltavam os bailes e quermesse a fim de angariar fundos para os respectivos melhoramentos na vila, porque todas as diligências feitas junto do Presidente da Câmara de Ourique e Governador Civil de Beja parecem não ter sortido nenhum efeito!
Todos os benfeitores pagavam cota ou poderiam ceder algo para a Comissão. Um senhor e benfeitor da terra de nome Manuel Domingues cedeu o seu aparelho de telefonia sem fios para a comissão se servir dela por tempo indeterminado, no fim reconhecida a Comissão no dia 27 de Junho de 1930 deu 100$00 de gratificação ao Sr. Manuel Domingues pela cedência do seu aparelho. 
Aqui fica o registo para a memória...




RECEITA/BAILE DE S. JOÃO DE 1930

 Artigos

 preço/escudos

 Produto da venda de flores 258$75
 Rifa de um bolo oferta da Sra. D. Evangelina da Costa Silva
 114$25
 Ramos de flores oferecidos pela Sra. D. Maria da Conceição Sabino
16$40
 Produto dos bailes e venda de bilhetes 372$00
 Produto da venda de cervejas 27$00
 Oferta de uma cabeça e garrafa com vinho oferecido pelo Sr. Eduardo Costa
 30$00
 Cautela oferecida pelo Sr. Felício José Costa 8$00
 Percentagem dada pelo Sr. Júlio Roça da venda de pirolitos e gasosas
 12$00
  
 TOTAL  838$40




RECEITA/BAILE DE S. PEDRO DE 1930

 
Artigos
 
preço/escudos
Produto de uma garrafa de vinho do Porto, oferta da Sra. D. Maria da Conceição Martins
81$80
Idem do Sr. Calisto de Carvalho 57$50
Produto do bufete 60$00
Produto da venda de bilhetes do baile 164$00


 TOTAL   363$30





RECEITA/BAILE DE SANTA ISABEL 4/7/1930


Artigos

preço/escudos
Produto de uma garrafa de vinho do Porto leiloada no baile de Santa Isabel oferecida pelo Sr. Francisco Vaz Guerreiro

 31$80
 Idem dum bolo oferecido pela Menina Assunção Eugénia Costa 
50$20
 Produto do bufete 22$60
 Oferta de Joaquim Carvalho e Manuel Jacinto Mestre 18$00
  
 TOTAL 112$60