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Análise de Os Lusíadas

 
Os Lusíadas (1572) canta a glória de um povo centrada no período histórico dos descobrimentos. Dedicado a D. Sebastião, tem como herói colectivo o povo português “... o peito ilustre lusitano.”

 

O que é uma epopeia?

Palavra de origem Grega, epopeia significa canto e é uma narrativa, geralmente em verso, que conta (canta) os feitos grandiosos de um herói, que pode ser individual (Ulisses – em Odisseia - e Aquiles – em Ilíada, ambas de Homero) ou colectivo (Os Portugueses – o povo português – em Os Lusíadas). Este heróis ficam imortalizados através da narração dos seus sucessos gloriosos.

 

Necessidade de uma epopeia portuguesa

Em Portugal, intensifica-se, no século XV, a necessidade de conhecimento e domínio do espaço físico. Desenvolveu-se, então, um espírito de ousadia que levou a uma abertura de mentalidades – Humanismo – e uma consequente percepção mais rigorosa do mundo a nível físico, científico e económico.

Decorrente deste espírito humanista – aberto, crítico, de valorização do real e do saber - surge a necessidade de reler os escritores greco-latinos (os clássicos) para compreender o seu conteúdo ideológico, psicológico e científico em oposição às crenças religiosas que dominavam o pensamento anterior ao humanismo. A este movimento que reclama os ideais clássicos dá-se o nome de Renascimento. O Renascimento tem como origem o desejo de retomar os valores e modelos da Antiguidade Clássica. Um outro factor que contribuiu para uma mudança cultural foi a expansão ultramarina. Através dos Descobrimentos, surgiu ao Homem um novo mundo, repleto de saber, experiência e observação, que permitiu o desenvolvimento do espírito crítico. Assim, houve uma conjugação de aspectos que permitiram que o Homem se tornasse o centro do Universo, exaltando as suas capacidades e a sua força física e mental.

Os feitos Portugueses eram a demonstração evidente da força humana, do domínio da inteligência do Homem sobre os elementos da natureza. O orgulho português estava no seu auge. Havia, então, a necessidade de uma obra que cantasse esses feitos.

Luís de Camões viveu numa época em que Portugal gozou o seu ponto mais alto de domínio do mundo, devido aos Descobrimentos. Esta vivência serviu-lhe de estímulo (histórico) que, aliado ao renascimento cultural, lhe deu a conhecer as epopeias clássicas, originando então a criação de uma epopeia nacional.

Os Lusíadas acabam, então, por surgir com um duplo objectivo: exaltar os feitos Portugueses (ideal cavaleiresco) e enobrecer a Língua Portuguesa.

 

Estrutura de Os Lusíadas

Estrutura externa

Os Lusíadas estão divididos em dez cantos, cada um deles com um número variável de estrofes, que, no total, somam 1102. Essas estrofes são todas oitavas (têm oito versos) decassílabicas (cada verso tem dez sílabas métricas), obedecendo ao esquema rimático “abababcc” (rima cruzada, nos seis primeiros versos, e emparelhada, nos dois últimos).

Estrutura interna

Camões respeitou com bastante fidelidade a estrutura clássica da epopeia. A obra é constituída por quatro partes:

Proposição — O poeta começa por declarar aquilo que se propõe fazer, indicando de forma sucinta o assunto da sua narrativa; propõe-se, afinal, tornar conhecidos os navegadores que tornaram possível o império português no oriente, os reis que promoveram a expansão da Fé e do Império, bem como todos aqueles que se tornam dignos de admiração pelos seus feitos (Canto I, estâncias 1-3).

Invocação — O poeta dirige-se às Tágides (ninfas do Tejo), para lhes pedir o estilo e eloquência necessários à execução da sua obra; um assunto tão grandioso exigia um estilo elevado, uma eloquência superior; daí a necessidade de solicitar o auxílio das entidades protectoras dos artistas (Canto I, estâncias 4 e 5).

Dedicatória — É a parte em que o poeta oferece a sua obra ao rei D. Sebastião (Canto I, estâncias 6-18).

Narração — O poeta canta os feitos dos Portugueses, tendo como acção central a viagem de Vasco da Gama à Índia. A par desta, surge a narração da História de Portugal. A narração constitui o núcleo fundamental da epopeia. Aqui, o poeta procura concretizar aquilo que se propôs fazer na “proposição”. Surge “in media res”, ou seja, já na viagem (característica da epopeia clássica).

 

A narração desenvolve-se em quatro planos diferentes, mas estreitamente articulados entre si:

1. Plano da viagem — A acção central do poema é a viagem de Vasco da Gama. Luís de Camões percebeu a importância histórica desse acontecimento, devido às alterações que provocou, tanto em Portugal, como na Europa.

 

2. Plano da História de Portugal – O objectivo de Camões era enaltecer o povo português e não apenas um ou alguns dos seus representantes mais ilustres. Tinha, por isso, que introduzir na narrativa todas aquelas figuras e acontecimentos que, no seu conjunto, afirmavam o valor dos Portugueses ao longo dos tempos. O poeta utilizou, então, alguns artifícios para contar a História de Portugal:

a)    Narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde — O rei recebe Vasco da Gama e procura saber quem é ele e donde vem. Para lhe responder, Vasco da Gama localiza o reino de Portugal na Europa e conta-lhe a História de Portugal até ao reinado de D. Manuel. Ao chegar a este ponto, conta inclusivamente a sua própria viagem desde a saída de Lisboa até chegarem ao Oceano Índico, visto que a narrativa principal se iniciara “in media res”, isto é, quando a armada já se encontrava em frente às costas de Moçambique.

b)    Narrativa de Paulo da Gama ao Catual —Em Calecut, uma personalidade hindu (Catual) visita o navio de Paulo da Gama, que se encontra enfeitado com bandeiras alusivas a figuras históricas portuguesas. O visitante pergunta-lhe o significado daquelas bandeiras, o que dá a Paulo da Gama o pretexto para narrar vários episódios da História de Portugal.

c)    Profecias — Os acontecimentos posteriores à viagem de Vasco da Gama não podiam ser introduzidos na narrativa como factos históricos. Para isso, Camões recorreu a profecias colocadas na boca de Júpiter, Adamastor e  Tétis, principalmente.

 

3. Plano Mitológico, dos Deuses ou Maravilhoso (conflito entre os deuses pagãos) — Camões imaginou um conflito entre os deuses pagãos: Baco opõe-se à chegada dos Portugueses à Índia, pois receia que o seu prestígio seja colocado em segundo plano pela glória dos Portugueses, enquanto Vénus, apoiada por Marte, os protege. O maravilhoso tem uma função simbólica: esta intriga dos deuses reflecte indirectamente as dificuldades que os Portugueses tiveram que vencer e inculca a ideia de que os portugueses eram seres predestinados para estas façanhas do destino e que os próprios deuses o desejavam.

A mitologia permite a evolução da acção (os deuses assumem-se como adjuvantes ou como oponentes dos portugueses) e constitui, por isso, a intriga da obra.

 

Júpiter

Deus do Céu e da Terra, pai dos deuses e dos homens.

Neptuno

Deus do mar.

Vénus

Deusa do amor e da beleza.

Baco

Deus do vinho e do Oriente.

Apolo

Deus do Sol, das artes e das letras.

Marte

Deus da Guerra, velho apaixonado de Vénus.

Mercúrio

Mensageiro dos deuses.

 

4. Plano das considerações do poeta — Por vezes, normalmente em final de canto, a narração é interrompida para o poeta apresentar reflexões de carácter pessoal sobre assuntos diversos, a propósito dos factos narrados.

 

≈ Breve apontamento sobre os episódios 
 

1. Proposição (Canto I – estâncias 1-3)

O poeta apresenta o assunto do poema: vai cantar as façanhas guerreiras dos homens que se fizeram heróis devassando o mar, dos reis que dilataram a Fé e o Império e de todos aqueles que se tornaram imortais pelas suas obras. Afirma também que vai cantar a glória do povo português. O poeta acrescenta ainda que os feitos portugueses são mais grandiosos do que aqueles cantados nas epopeias clássicas, logo, merecem ser exaltados.

 

“As armas e os barões assinalados/ (...) as memórias gloriosas/ Daqueles Reis (...)/ (...) E aqueles (...)/ Se vão da lei da Morte libertando:/ Cantando espalharei por toda parte,/ (...) Que eu canto o peito ilustre Lusitano/ A quem Neptuno e Marte obedeceram.”

 

Neste excerto, encontram-se todos os agentes do engrandecimento da Pátria que o poeta vai cantar. Todos eles são sintetizados na força do povo português “...o peito ilustre Lusitano/”, a quem Neptuno (venceram os mares) e Marte (conquistaram as terras através da guerra) obedeceram. O povo português é tão sublime, tão digno que glória, determinado e corajoso, que até os deuses lhe obedecem.

 

Notar o uso da conjugação perifrástica,

- foram dilatando;

- andaram devastando;

- se vão libertando;

 que exprime o aspecto durativo, apresentando a acção no seu fluir. São expressões que conferem visualidade e impressionismo à linguagem e sugerem também que esses feitos heróicos são um trabalho aturado e persistente.

 

2. Consílio dos Deuses (Canto I – estâncias 20-41, plano mitológico)

- Enquanto a armada portuguesa navega no oceano, dá-se uma simultaneidade de dois planos.

- Os deuses são convocados por Mercúrio (o seu mensageiro) e dirigem-se ao Olimpo para decidirem sobre o futuro dos Portugueses no Oriente.

- Na estância 22, temos uma descrição de Júpiter (o pai dos deuses), através da qual vemos o seu destaque, a sua responsabilidade e o seu poder.

- Discurso de Júpiter: o pai dos deuses afirma que o Fado (destino) tornará os portugueses superiores aos povos da antiguidade clássica. Enuncia heróis do passado e refere a presente ousadia e persistência portuguesas na demanda de vencer os mares. A sua opinião é que se deve cumprir o Fado, os portugueses devem conseguir chegar à Índia.

- Os outros deuses vão intervindo, dando as suas opiniões: Baco manifesta-se contra, com receio de perder a sua fama; Vénus pronuncia-se a favor, por gostar dos portugueses, dada a sua semelhança com os romanos; Marte intervém a favor de Vénus, interpelando Júpiter para cumprir com a sua determinação.

- Júpiter concorda com Marte, pelo que fica decidido que os Portugueses serão ajudados a chegar à Índia. (de notar a intenção de Camões: os portugueses são tão valorosos que até os Deuses estão a seu favor)

 

“Do mar que vê do Sol a roxa entrada/” – Perífrase para Oceano Índico, Oriente.

 

3. Inês de Castro (Canto III – estâncias 118-137, plano da História de Portugal)

- episódio trágico e lírico

 

Trágico

 

Lírico

Contempla momentos da tragédia clássica:

 

O narrador interpela o Amor acusando-o de ser responsável pela tragédia, sendo a inconformidade do “eu” poético expressa ao longo de todo o episódio, bem como a repulsa pela morte de Inês, chorada até pela natureza.

- a paixão entre Pedro e Inês é um desafio ao poder.

- a punição, a decisão de matar Inês.

- a piedade, presente no discurso de Inês quando tenta demover o rei.

- a catástofre, quando se consuma a morte de Inês.

 

- Vasco da Gama relata ao rei de Melinde o episódio trágico de Inês de Castro, cujo responsável é o Amor.

- Descreve-se a vida feliz e tranquila de Inês nos campos do Mondego. O narrador, neste momento, vai introduziondo indícios de que essa felicidade não será duradoira “Naquele engano de alma, ledo e cego” (est. 120, v.3).

- Condenação de Inês – D. Afonso IV decide a morte de Inês, no entanto, tendo-a na sua presença, vacila, mas as razões do reino levam-no a prosseguir.

- Discurso de Inês – Inês inicia a sua defesa, apelando à piedade do rei através: dos animais que se humanizam ao cuidar de crianças; da afirmação da sua inocênca; do respeito devido às crianças; do apelo ao desterro.

- Sentença e execução da morte – A determinação do rei mantém-se. Inês é executada.

- Considerações do narrador – vê a morte de Inês como uma atrocidade. Afirma que a própria natureza chora Inês.

- Vingança de D. Pedro – D. Pedro, quando sobe ao trono, manda matar os carrascos de Inês.

 

“Tu, só tu, puro Amor,...” – Apóstrofe
 
Amor – divindade sedutora – prazer e felicidade vs. tragédia, dor e sofrimento.
 

Sentimento antitético. Provoca sentimentos contrários, opostos.

“... puro Amor, com força crua,/ (...) fero Amor,(...)/ (...) áspero e tirano,/ Tuas aras banhar em sangue humano.”

Antítese do amor –  o amor é puro, mas age com força crua, é cruel, tirano, e causador das maiores desgraças.

 

“Do teu príncipe ali te respondiam/ As lembranças que na alma lhe moravam,/ Que sempre antes seus olhos te traziam,/ Quando dos teus fermosos se apartavam;” – Hipérbato

 

De notar a impressionista animização da natureza, que chora a morte de Inês “As filhas do Mondego a morte escura/ Longo tempo chorando memoraram,/” - Animismo

 

4. Batalha de Aljubarrota (Canto IV, estâncias 28 a 45, plano da História de Portugal)

- O sinal da trompeta (est. 28).

- Descrição da batalha; D. Nuno Álvares Pereira defronta os seus irmãos que lutam por Castela, o que leva a uma reflexão sobre traição (est. 32 e 33) – põe em evidência a lealdade e o patriotismo e confere maior dramatismo à descrição, realçando a figura de Nuno Álvares (objectivo de Camões).

- Discurso de D. João I, incitando ao combate. O ânimo dos soldados cresce e os chefes castelhanos começam a perecer “A sublime bandeira Castelhana/ Foi derribada aos pés da Lusitana” (est. 41) – “sublime” – respeito por Castela, pelo seu povo, mas não pelo seu rei.

- O final da batalha: os vencedores - D. João festeja a vitória; os vencidos – os castelhanos deixam de oferecer resistência, uns morrem, outros fogem (incluindo o próprio rei).

 

“Já pelo espesso ar os estridentes/ Farpões, setas e vários tiros voam;” – Aliteração – em –s e –r, simula o som ríspido e rude da guerra.

 

5. Despedidas de Belém (Canto IV, estâncias 83 a 89, plano da Viagem)

Os que partem – referência ao estímulo dado pelo rei aos marinheiros; Vasco da Gama refere o entusiasmo de marinheiros e soldados nesta demanda; orações de despedida.

Os que ficam – A gente da cidade deixa transparecer saudade e tristeza; os mais chegados revelam a sua tristeza (os homens com “suspiros”; as mulheres, as mães, as esposas e as irmãs “cum choro piadoso”).

 

“De ser do Olimpo estrelas,.../” – Metáfora para tornarem-se imortais.

 

Grandeza épica – os navegadores tinham consciência do perigo mas, mesmo assim, enfrentaram os obstáculos. A verdadeira coragem só aparece perante o medo (mais uma vez, a exaltação do povo português)

 

6. Adamastor (Canto V, estâncias 39 a 60, plano mitológico)

- O Adamastor é um dos episódios mais significativos da obra, pela inter-relação dos planos da narração e pela sua simbologia. Pertence ao plano da Viagem – “aquele oculto e grande Cabo” -, como figura mitológica, pertence ao plano mitológico e faz profecias dos acontecimentos futuros de Portugal, logo, pertence também ao plano da História de Portugal.

- Simbolicamente, este episódio representa os perigos do mar, perigos esses que os portugueses enfrentaram e ultrapassaram, assemelhando-se, pela grandeza, ao próprio gigante. Este episódio, por isso mesmo, adquire uma dimensão épica.

- Aparecimento e descrição do Adamastor – figura gigantesca que surge no mar numa atitude ameaçadora, deixando os marinheiros completamente paralisados “Arrepiam-se as carnes e o cabelo, / A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!”(est. 49, vv. 7 e 8).

- As profecias: Adamastor começa o seu discurso elogiando os Portugueses. Depois, profetiza dificuldades futuras na passagem do Cabo.

- A história do Adamastor: era um dos filhos do Céu e da Terra; confrontou-se com Júpiter e Neptuno; apaixona-se por Tétis, filha de Nereu e Dóris; Dóris promete interceder, dadas as ameaças de Adamastor em conquistar Tétis pelas armas; Tétis aparece e surge a decepção do gigante quando se vê abraçado a um rochedo, pensando que abraçava a amada; transformação de Adamastor em penedo como castigo de Júpiter que venceu os gigantes.

- O Adamastor desaparece, chorando, emocionado com a sua triste sorte – símbolo do domínio dos mares por parte dos portugueses.

 

 


Adamastor

Corpo de super-homem

                                            contrasta com
 
 

Fragilidade psicológica de um herói enganado – frustração amorosa.

 

7. A tempestade e a chegada à Índia (Canto VI, estâncias 70-93, plano da Viagem)

- Aproximação da tempestade.

- Descrição da tempestade: do interior e do exterior.

- Súplica de Vasco da Gama: Vasco da Gama dirige-se à “Divina Guarda” pedindo clemência e argumentando que aquela é uma viagem ao serviço de Deus “Se este nosso trabalho não Te ofende,/ Mas antes Teu serviço só pretende?” (est. 82, vv.7 e 8)

- Continuação da descrição da tempestade.

- Intercessão de Vénus – Vénus manda as Ninfas enfeitarem-se e irem ao encontro dos ventos que, perante a sua beleza, logo desfalecem “À vista delas, logo lhe falecem/ As forças com que dantes pelejaram” (est. 88, vv.1 a 3) – simbologia.

- Pela manhã, avistam a Índia. Vasco da Gama agradece a Deus.
 
 

 

Estilo de Luís de Camões

Na Invocação, Camões pede às Tágides um estilo grandioso e um “som alto e sublimado”. Como o conseguiu? (ver pp. 238 e 239 do manual)

Através de aliterações, anáforas, antíteses, apóstrofes, comparações, eufemismos, enumerações, hipérboles, hipérbatos, metáforas, perífrases, personificações, pleonasmos, do uso invulgar da conjugação perifrástica, do verbo e do adjectivo.
 

 

Aliteração - Repetição de um ou mais sons consonânticos para intensificar e aumentar a expressividade "Sois senhor superno" (I, 10).

 

Anáfora - Repetição (de que resulta sobressair o que se repete) de uma palavra ou de um membro de frase "Vistes que, com grandíssima ousadia/ Vistes aquela insana fantasia/ Vistes, e ainda vemos cada dia," (VI, 29).

  

Antítese - Confronto de dois elementos ou ideias antagónicas, no intuito de reforçar a mensagem:

"Tanto de meu estado me acho incerto,

 Que em vivo ardor tremendo estou frio."

  

Apóstrofe - Apelo do autor, através de interrupções, invocando pessoas ausentes, coisas ou ideias sob forma exclamativa "E tu, nobre Lisboa, que no mundo..." (III, 57).

 

Comparação - Aproximação entre dois termos ou expressões através de uma partícula comparativa (como), levando à compreensão mais profunda do primeiro termo "Qual aos gritos…// Tal do rei…" (III, 47-48).

  

Eufemismo - Expressão que atenua ou modifica o sentido violento, mau ou desonesto da narrativa "Tirar Inês ao mundo determina," (III, 23).

 

Hipérbato - Inversão violenta da posição dos membros de uma frase:

Ex.: "...os duros/Casos que Adamastor contou, futuros" (V, 60).

 

Hipérbole - Exagero de qualquer realidade para a tornar mais saliente, exagero este que serve para ferir o pensamento quando tomada à letra "Que a vivos medo, e a mortos faz espanto,".

 

Ironia - Exprime o contrário do que as palavras ou frases significam, para que se compreenda ou a estupidez ou a fraqueza que se pretende castigar após se verificar a discordância:

Ex.: "Oulá, Veloso amigo, aquele outeiro (...)

      Por me lembrar que estáveis cá sem mim;" (V, 35).

 

Metáfora - Consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro objecto ou outra ideia - ligados aqueles por uma analogia. A metáfora é num único, os dois termos da comparação sem a partícula comparativa (como) "Tomai as rédeas vós do reino vosso:" (I, 15).

 

Onomatopeia - Representação auditiva ou visual pelos sons das palavras, além do respectivo sentido: tentativa de imitação dos ruídos naturais através dos fonemas da linguagem: "Polas concavidades retumbando." (III, 107).

 

Perífrase - Expressão por diversas palavras daquilo que se poderia dizer mais concisamente ou apenas por uma palavra "Pelo neto gentil do velho Atlante." (=Mercúrio) (I, 20).

 

Personificação - Atribuição de qualidades, atributos e impulsos humanos a seres inanimados e a animais irracionais "Os altos promontórios o choraram," (III, 84).

 

Sinédoque - Consiste em tomar o todo pela parte e a parte pelo todo, o plural pelo singular ou o singular pelo plural "Que da Ocidental praia Lusitana" (=Portugal) (I,1).

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Lina Lavareda,
11/06/2009, 14:56
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Lina Lavareda,
12/06/2009, 11:15
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Lina Lavareda,
12/06/2009, 11:21