Analise de crédito e risco

RESMO ANÁLISE DE CRÉDITO E RISCO

 

Crédito: do latim creditum "confiança ou segurança na verdade de alguma coisa, crença/reputação, boa fama... estabelece uma relação de confiança entre duas ou mais partes numa determinada operação.

 

O crédito pode ser considerado uma das maiores invenções da economia moderna, pois permite aos consumidores o acesso a bens de consumo, bens duráveis e imóveis e à empresas o acesso a capital de giro e a investimentos.

O crédito é uma ferramenta pela qual as empresa alicerçam suas vendas a partir do instante em que tem confiança na liquidação da dívida de seus cliente.

 

Os principais objetivos da análise de crédito são: identificar os riscos nas situações de empréstimo; evidenciar a capacidade de repagamento do tomador e recomendar a melhor estruturação do empréstimo a ser concedido.

 

As fases da análise de crédito são: análise retrospectiva, análise de tendências e capacidade creditícia.

 

A análise de crédito é de fundamental importância para a manutenção da eficiência e da saúde financeira das empresas que atuam no mercado, consiste em fortalecermos ainda mais o nosso relacionamento com os clientes, de modo que encontremos melhores soluções para as necessidades destes.

 

Os 5 Cs do crédito:

a)      Caráter: é fundamental para sabermos se o nosso cliente possui valores morais e éticos que primem pelo pagamento das obrigações (hombridade).

b)      Condições: consiste em saber se o cliente do crédito não está inserido em um nicho de mercado que esteja passando por dificuldades, essas condições são os fatores externos e macroeconômicos que exercem influência na atividade empresarial.

c)      Capital: consiste em sabermos o quanto da renda do cliente já está comprometida com outras dívidas e qual será o peso sobre a mesma do crédito que ele está solicitando.

d)      Capacidade: consiste na habilidade do cliente em pagar suas dívidas. No caso de PF é feita com base em referências dadas por outras empresas, no caso de CNPJ  é feita mediante análise do quadro diretor, análise curricular dos dirigentes e análise financeira de seus demonstrativos contábeis, identificando a capacidade de geração de caixa.

e)      Colateral: também conhecido por garantia, consiste no mecanismo que será acionado caso o cliente  não cumpra com as responsabilidade pelo apagamento.

Os alicerces que permitem a sustentação da rotina de análise de crédito são: banco de dados, depto operacional e depto decisório.

Banco de dados: Macroeconômicos (PIB, juros, renda per capita, desemprego, balança comercial, medidas governamentais); Setoriais (principais empresas, volume de negócios do setor, investimentos efetuados no setor, notícias sobre as principais empresas); Histórico do cliente (referências comerciais, dados econômicos, financeiros, comportamento regresso perante a empresa).

Depto Operacional: Processo de crédito (análise do perfil do cliente, interesse/perfil da empresa, cópia dos documentos necessários, confirmação das informações, compilação de dados, elaboração da proposta); Arquivo: (organização do bco de dados, arquivamento dos processos, levantamento estatístico dos processos/resultados); formalização da proposta: ( registro perante a empresa, comunicação ao cliente, coleta de assinaturas).

Depto Decisório: comitê geral de crédito: (linhas de grande porte, linhas com alto grau de risco); comitê regional/setorial: (linhas de pequeno e médio porte; linhas com baixo e médio grau de risco)

 

Instituições financeiras por categorias.

Bancos comerciais: Bradesco, Itaú, Santander, etc

Bancos Públicos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil.

Agência de Fomento: Agência de fomento do Paraná (AFPR)

Financeiras: BV Financeira, CV Financeira, Sul Financeira, etc

Operadoras de cartão de crédito: Cielo, Redecard, American Express, etc

 

Fontes de informação externa:  IBGE, FGV, Conjuntura Econômica (revista FGV), CMN, Copom, Bacen, Bovespa.

Fontes de informação interna - PJ: Serasa, Balanços contábeis, referências comerciais e bancárias, visita às instalações do pretenso tomador.

Informações obtidas na visita: dados de identificação, pessoa de contato, localização, qualidade das instalações, infraestrutura, nível técnico da equipe, qualificação dos gestores, clima organizacional, ERPs aplicados, organograma, ABC de fornecedores e de clientes, posição dos estoques e logística, ciclo operacional.

Fontes de informação - PF: nome, CPF, estado civil e nome do cônjuge, empresa em que trabalha, endereço residencial, telefone comercial, e-mail comercial, bens móveis, imóveis e outros, referências bancárias, ref. comerciais, ref. pessoais.

 

A proposta de crédito consiste no documento básico que levará o perfil do cliente ao conhecimento do comitê de crédito da empresa, bem como o recurso-limite que está sendo pleiteado.

 

A principal função de uma proposta é apresentar, de forma sucinta e eficiente, uma fotografia do pretenso tomador para aqueles que decidem crédito dentro da companhia.

 

Proposta de crédito - PJ: apresentação institucional(razão social e nome fantasia, capital social, ramo de atividade, histórico, estrutura de recursos, estrutura de funcional e de informática); apresentação mercadológica ( principais clientes, principais concorrentes, análise SWOT); análise de necessidades (necessidades financeiras, efeitos dos recursos pleiteados); apontamentos de restrições; análise financeira (liquidez, marge, rentabilidae, ciclo operacional, fluxo de caixa.

 

Proposta de crédito - PF - identificação do cliente (RG, CPF, CNH, etc); localização residencial e comercial; dados comerciais; dados familiares; descrição de propriedades e bens; levantamento de apontamentos de crédito e análise financeira.

 

Análise de crédito é um dos principais  alicerces de qualquer empresa, pois indica a viabilidade não só de vendas isoladas, como também da política de vendas como um todo.

Análise de crédito - PF

Análise cadastral: consiste na determinação do perfil do cliente quanto à sua futura capacidade de pagamento.

Análise de idoneidade: verificação de apontamentos de crédito.

Análise financeira: analisar a possibilidade de repagamento do recurso disponibilizado.

Análise de relacionamento: relacionamento do cliente com a empresa.

Análise patrimonial: levantamento de bens que possam servir de garantia.

Análise de sensibilidade: comportamento dos indicadores macroeconômicos do país ou da região em que o pretenso tomador atua.

 

Análise de crédito - PJ

Análise financeira baseada em balanço e DRE - indicadores : Liquidez (capacidade de solvência); Margem (eficiência operacional); Endividamento (com terceiros); Ciclo operacional (prazos de pagamento); Fluxo de caixa.

Índicadores de Liquidez:           

Liquidez Geral: LG = ativo total / (passivo total - patrimônio líquido)

Liquidez Corrente: LC = ativo circulante / passivo circulante

Liquidez Seca: (ativo circulante - estoques) / passivo circulante

 

Indicadores de margem

Partindo-se do pressuposto de que o objetivo principal de uma empresa é conseguir remunerar seus esforços ao máximo, e de que essa remuneração se dá por meio de lucro, podemos dizer que, quanto maior a eficiência dessa empresa e o desempenho de suas atividades, maior será o lucro ao final do exercício.

Para o cálculo dos indicadores de margem faz-se necessária a análise da DRE, pois como já fora dito antes, ela apresenta o grau de eficiência da empresa desde o chão de fábrica até a administração de situações não operacionais.

Margem Bruta: MB = (lucro bruto / receita operacional líquida) x 100

Margem Operacional: MO = (lucro operacional / receita operacional líquida) x 100

Margem Líquida: ML = (lucro líquido / receita operacional líquida) x 100

 

Indicadores de Endividamento

Esse grupo de indicadores demonstra quanto a empresa deve para bancos e demais instituições financeiras dentro de seu quadro geral de endividamento (passivo). Considera-se aqui apenas os bancos, pelo fato de dívidas dessa natureza serem as de maior risco de execução e as de maior custo.

Os indicadores de endividamento apresentam quanto a empresa já está tomando com instituições financeiras para manter suas atividades. Quanto maiores esse indicadores, maior alavancagem da empresa e maiores os riscos de sua inadimplência.

 

Endividamento Geral: EG = [(financiamento CP + Financiamento LP) / Passivo Total] x 100

Endividamento de Curto Prazo: ECP = (Financiamento CP / passivo circulante) x 100

Endividamento Bancário Líquido: EBL = [(Financiamento CP - Caixa - Bancos - Aplicações) / Passivo                                                                                             circulante] x 100

 

Indicadores de Ciclo Operacional

O ciclo operacional parte do pressuposto de que todo o recurso necessário para o pagamento das atividades da empresa deve ser de origem estritamente operacional, ou seja, o processo de entrada de matérias-primas no estoque, a transformação dessa matéria-prima em produtos finais, a venda desses produtos e o recebimento das vendas devem ser ministrados de maneira tal que o pagamento dessa matérias-primas ocorra depois do recebimento.

Os indicadores do ciclo operacional apresentam a eficiência da empresa em manter seus prazos médios de tesouraria. Indica sua habilidade em gerenciar seus prazos concedidos por seus fornecedores.

 

Prazo médio de recebimento de vendas: PMRV = (clientes *n) / Receita Operacional / Líquida

Prazo médio de renovação de estoques: PMRE = (Estoques *n) / Custos de Produção

Prazo médio de pagamento a fornecedores: PMPF = (Fornecedores * n) / Custos de Produção

Sendo n = prazo (números de dias) a que se referem as demonstrações contábeis usadas para a análise: anual 360 dias - semestral 180 dias.

 

Ciclo Operacional: CO = PMPF - PMRV - PMRE

 

Quanto mais negativo, pior para e empresa, pois maior será a diferença de prazo entre o pagamento de fornecedores e o prazo em que realmente entrará dinheiro no caixa da companhia.

 

Análise do Fluxo de Caixa

PJ - Apresenta a movimentação de entrada e saída de recursos, tanto internamente quanto externamente, ao longo da evolução contábil das principais constas da empresa. Existem 2 tipos: fluxo de caixa indireto: baseado nas demonstrações contábeis da empresa e fluxo de caixa direto: baseado nos controles diários de entradas e pagamentos da empresa.

Fluxo de Caixa Indireto

a) Classificação financeira de balanço: dentro da análise dinâmica da posição financeira das empresas, o 1º passo a ser dado é o da reclassificação de suas contas, isto é, as constas do balanço patrimonial da empresa não são classificadas de acordo com o seu grau de liquidez, mas de acordo com o seu grau de importância nas atividades operacionais da empresa.

b) Ativo financeiro: são todos os valores de disponibilidade imediata que a empresa possui de seu ativo (caixa, bancos e aplicações).

c) Ativo operacional: são todos o valores de disponibilidade imediata que a empresa possui em seu ativo.

d) Ativo não operacional: são todos os valores não focados nas atividades da empresa, comprometidos com o alcance das metas traçadas pela direção da companhia.

e) Passivo imediato: são todos os valores cujo não pagamento compromete de maneira imediata a manutenção das atividades operacionais da empresa.

f) Passivo operacional: nesse grupo são registrados todos os valores do passivo são 100% focados nas atividades operacionais da empresa.

g)Passivo não operacional: consiste nos valores lançados no passivo que não se relacionam com as atividades operacionais da organização.

 

Além do conhecimento sobre as contas de balanço, são necessários conceitos adicionais:

EBIT (Earnig Before Interest and Taxes) - lucro operacional antes de despesas financeiras e impostos sobre renda. Lucro operacional da empresa deduzidos os efeitos das deduções sobre receita,  custos de produção e despesas administrativas e comerciais.

 

EBITDA (Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) - geração operacional bruta de fundos. Representa todos os recursos obtidos no desempenho das atividades da empresa, deduzidos os custos/despesas que impactam no caixa da empresa .

EBIT (obtido na DRE)

(+) depreciação do imobilizado

(+) amortizações do diferido

(=) EBITDA

EBITDA = lucro operacional + depreciação + amortização + exaustão

 

Fluxo de caixa operacional: mov. de contas de cunho estritamente operacionais adicionadas ao EBITDA.

Fluxo de caixa não operacional:  mov. de contas não operacionais após a definição do fluxo de caixa operacional da empresa.

OBS. a maioria da mov. das contas desse fluxo de caixa são obtidas da DOAR, DRE e DMPL.

Movimentação final de caixa: resultado final da movimentação de todas as contas da companhia que será adicionado ou compensado pelo ativo disponível da empresa.

 

Rating: é a determinação matemática e estatística do grau de risco que o pretenso tomador impõe à empresa, em outras palavras, é a determinação, através da atribuição de pesos (dentro de uma escala pre-determinada), das chances que a empresa tem de efetuar bons negócios com o tomador que está sob análise.

Nos últimos anos e, principalmente diante da situação atual em que se encontra a economia mundial, tornou-se muito importante saber mensurar, baseado em valores subjetivos, as possibilidades de quebra ou perda de recursos dados a terceiros.

No Brasil o BACEN, por meio da res. 2682/99 recomenda o modelo de Rating a ser seguido, onde de acordo com a tabela existente será exigido da instituição um certo provisionamento, para garantir a operação em caso de não pagamento pelo devedor.

Uma escala Rating deve ser baseada na obs. dos componentes que alimentam os 5 Cs do crédito, caráter, condições, capital, capacidade e colateral, que vai determinar os prós e os contra relacionados à operação pleiteada, estabelecendo níveis de provisionamento; Risco baixos até 20 pontos, risco médio de 21 a 40 pontos e risco alto de 41 pontos acima, que em contrapatida a provisão seria, respectivamente de 25%, de 26 a 50% e 51 a 100%, no caso de PF. Com PJ diferenciam os níveis que passam a 35 (25%). 36 a 65 (26 a 50%) e 66 acima (51 a 100%).

 

Procedimentos básicos de cobrança: após 05 dias de vencido, contactar o cliente por telefone ou carta simples; 10 dias carta registrada; 15 dias cobrança judicial via cartório, negativação no SPC e Serasa; cobrança judicial será levada à justiça; cobrança extrajuducial - decorrente de acordo entre as partes, por meio da qual a figura do juiz de falência não é acionada.

Em não sendo possível o recebimento pode ser solicitada a decretação de FALÊNCIA do devedor, quando se tratar de empresa, que é uma medida jurídica em que se encerram as atividades da empresa, e se utilizam seus ativos ainda existentes para saldar as dívidas.

Caso a situação chegue ao ponto de solicitar a Falência da empresa devedora, antes a empresa devedora poderá solicitar a RECUPERAÇÃO JUDICIAL, onde deverá apresentar através de petição judicial as razões que levaram àquela situação e, sendo aceita pelo poder judiciário, será instituído além de um administrador responsável pelo zelo e controle do patrimônio da empresa, um conselho administrativo, evitando-se desta forma que esta situação de insolvência seja criada apenas para lesar os credores e em contrapartida enriquecer de forma ilícita os devedores.

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