O Patrão Lopes


 “O Patrão do Salva-Vidas”
PATRÃO LOPES
Joaquim Lopes
1798 - 1890

Joaquim Lopes nasce em Olhão no ano de 1798, aos 10 anos já andava na faina do mar, mais tarde embarca para Gibraltar, de onde regressa aos 21 anos, instala-se em Paço de Arcos, onde já viviam muitos algarvios.
Para essa terra veio exercer a profissão de pescador, sendo muito estimado e admirado pela sua coragem.
O seu primeiro acto de heroísmo acontece em Oeiras, quando um homem na foz da ribeira, pretende atravessar com o filho às costas. Ambos teriam morrido se não fosse a rápida intervenção de Joaquim Lopes, que mesmo todo vestido trouxe primeiro o miúdo para terra, e depois foi buscar o pai que já se debatia com dificuldade.
Chegado a terra foi felicitado pela sua coragem.
Tempos depois estava ele no farol do Bugio, quando um cabo de artilharia foi arrastado pelo mar.
Joaquim Lopes pediu aos companheiros para segurarem na ponta de um cabo, lançou-se à água e recolheu o homem que estava a ser atirado contra os rochedos.
Em 1828 salvou do mesmo modo o Sargento Francisco Sales.
Embora fosse o remador mais jovem, subiu ao cargo de Patrão da Falua do Bugio em 1833.
Depois disso os salvamentos que efectuou não têm conta, sempre com risco de vida.
Em 1856 numa noite de tempestade, acordou com os tiros de alarme no Bugio e em S. Julião, algo se passava no seu mar.
Joaquim Lopes, o seu filho Quirino e alguns voluntários, meteram-se ao mar na Falua e enfrentaram a tormenta.
A escuna inglesa Howard Primorose, encalhara no Bugio ficando desmantelada, seis horas de luta com as ondas e não se conseguiam aproximar, o Patrão decide voltar a Paço de Arcos e buscar a sua lancha de pesca, mais rápida nas manobras, mais seis horas de luta, chegam aos destroços de onde salvam 5 marinheiros e o capitão, ao fim da tarde chegam a Belém.
Mais tarde foram agraciados pelo governo Inglês com a medalha de prata da Rainha Vitória, Joaquim Lopes foi condecorado pelo nosso governo.
Anos mais tarde a escuna inglesa British Queen, encalha no Bugio no meio de tremenda tempestade, não se conseguindo aproximar, vêem desaparecer um a um os membros da tripulação, conseguem salvar o capitão e um cão.
A França concedeu-lhe a medalha de “Dedicação e Mérito” por ter salvo parte da tripulação do Esthefanie que se partira todo junto ao Bugio.
Foi pedido um salva-vidas porque a falua era pesada, o salva-vidas foi colocado erradamente em Belém, pois quando chegava ao local, já os Lopes tinham efectuado os salvamentos.
Em 1859 o salva-vidas é colocado em Paço de Arcos sob as ordens do Patrão.


Pelo salvamento do Bergantim espanhol Achiles foi concedida a medalha de ouro de “Distinção Humanitária” pelo governo espanhol.
Tempos depois salvam toda a tripulação do iate português Almirante.
El Rei D. Luís reconhece-lhe o seu valor e coloca-lhe sobre os ombros o colar de “Oficial de Torre e Espada”, Joaquim Lopes comovido chora nos braços do Rei.
A sua questão económica é colocada no parlamento e é concedida uma pensão anual de 240 mil reis, por fim o governo irá graduá-lo em 2º Tenente da Armada.
Aos 84 anos já não vai tanto ao mar, será o seu filho Quirino que o substituirá no salva-vidas.
Despede-se dos salvamentos, num dia em que o seu filho se encontra em Belém com a Falua, ele não hesita, manda tocar o sino a rebate, vai às costa de um dos seus homens e é amarrado ao leme do salva vidas, para salvar o lugre inglês Lancy,
Ao ouvir o sino Quirino regressa para colocar o pai na Falua e vai salvar com o salva-vidas a tripulação do lugre.
O Patrão terá 92 anos quando a Inglaterra apresenta o ultimato a Portugal, Joaquim Lopes será o primeiro a devolver as condecorações a Inglaterra e obriga os filhos a seguirem o exemplo.
A morte espera-o no ano de 1890 aos 92 anos de idade.
Em Paço de Arcos reúnem-se 4 vapores que acompanharão o salva-vidas com o cadáver.
Seguirá para o cemitério dos Prazeres, sempre acompanhado por El Rei D. Carlos.
Mais tarde será trasladado para o cemitério de Oeiras, onde será erigido um mausoléu.

Em Novembro de 1923, será lançada a 1ª pedra no monumento na rotunda da Av. Marquês de Pombal em Paço de Arços onde se pode ler:
"Ganhou que as traz ao peito
Nunca a matar irmãos mas a rasgar mortalhas"

… a sua vida foi sempre no mar, avô?
Pois que havia de ser…!
E quantos homens salvou?
Não sei meu amor. Até 300 ainda contei, depois perdi-lhe a conta…
Texto retirado do Blog

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