liturgia diária‎ > ‎

18/12/2012 - ÚLTIMOS DIAS ANTES DO NATAL - Advento

postado em 17 de dez de 2012 21:08 por Antonio Gazato Neto


1ª Leitura - Jr 23,5-8

Suscitarei a Davi um rebento justo.

Leitura do Livro do Profeta Jeremias 23,5-8

5“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. 6Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranquilo; este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’. 7Eis que virão dias, diz o Senhor, em que já não se usará jurar ‘Pela vida do Senhor que tirou os filhos de Israel do Egito’ 8 — mas sim: ‘Pela vida do Senhor que tirou e reconduziu os descendentes da casa de Israel desde o país do norte e todos os outros países’, para onde os expulsará; eles então irão habitar em sua terra”. - Palavra do Senhor. 


Salmo - Sl 71, 1-2. 12-13. 18-19 (R. Cf. 7)

R. Nos seus dias a justiça florirá e paz em abundância, para sempre.

1Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, * vossa justiça ao descendente da realeza! 2Com justiça ele governe o vosso povo, * com equidade ele julgue os vossos pobres. R. 

12Libertará o indigente que suplica, * e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. 13Terá pena do indigente e do infeliz, * e a vida dos humildes salvará. R. 

18Bendito seja o Senhor Deus de Israel, * porque só ele realiza maravilhas! 19Bendito seja o seu nome glorioso! * Bendito seja eternamente! Amém, amém! R.

 

Evangelho - Mt 1,18-24

Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 1,18-24

18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. 24Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa. - Palavra da Salvação. 

 

Reflexão:

Os profetas anunciaram que o Messias seria da descendência do rei Davi, e esta descendência vem por meio de José. As Sagradas Escrituras não narram se Maria era descendente de Davi. José não teve nenhuma participação no Mistério da Encarnação, mas mesmo assim, cooperou com a realização das profecias ao reconhecer Jesus como seu filho e, ao dar-lhe o seu nome, lhe transmite todos os direitos da descendência davídica. Com isso, o Evangelho de hoje nos mostra que, embora a salvação seja obra de Deus, a colaboração humana é necessária para a sua realização e somente pode ser considerado verdadeiramente santo aquele que procura participar da obra salvífica da humanidade como colaborador do próprio Deus.

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO


A perícope evangélica da concepção virginal de Jesus tem sido objeto de controvérsia. As interpretações são desencontradas tanto por desconhecermos elementos fundamentais para compreendê-la, o que não acontecia com as comunidades primitivas, quanto por projetarmos nossos preconceitos sobre o texto bíblico. 

O Evangelho detém-se na soleira do mistério insondável de Deus, numa atitude de respeito e reverência, sem se importar com especulações de caráter anatômico ou fisiológico. Só lhe interessam os elementos teológico-espirituais deste dado da fé da Igreja. 

Jesus não entra na História como resultado do esforço humano de construir a própria salvação. Ele tem sua origem em Deus, em quem toda a sua existência está alicerçada. 
Sua origem evoca o relato da criação, no Gênesis, onde tudo existe pela vontade soberana de Deus. Jesus, e com ele a salvação da humanidade, é a derradeira obra divina. 

Jesus é o dom de Deus a ser acolhido pela humanidade. Torna-se, portanto, inútil qualquer esforço humano de construir a salvação pelas próprias mãos. O ser humano só pode salvar-se por obra de Deus. Qualquer outro caminho estará fadado ao fracasso. 

A referência ao Espírito Santo aponta para um tipo de ação inefável e misteriosa de Deus em relação à mãe do Messias. O mesmo Espírito Santo, instrumento da ação divina desde os primórdios da Criação, fez-se também presente quando do nascimento do Messias Jesus. A esta força divina é que se deve sua presença no mundo. 

Oração 
Pai, ajuda-me a contemplar sua ação maravilhosa em relação à concepção de teu Filho Jesus. Que eu reconheça nela tua oferta gratuita de salvação para toda a humanidade

(Comentário do Evangelho feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE).

Fonte: DOM TOTAL

 

Saiba confiar e esperar no Senhor que tudo pode

Começamos nossa reflexão citando as palavras do anjo a José, no que toca a concepção e, consequentemente, o nascimento de Jesus.

José depara-se com uma situação humanamente impossível: sua esposa está grávida sem a ter conhecido. Como será isso e que procedimento seguir? Se ele a tivesse conhecido antes de viverem juntos, seria o pior vexame que teriam passado, além de correr o risco de serem apedrejados pela cultura daquele tempo; o que seria o de menos, pelo fato de terem violado a Lei. O enigmático é que conscientemente isso aconteceu e ela aparece grávida.

Alguém lhe teria passado para trás? Ou a própria Maria o teria traído? Devido ao adjetivo a ele atribuído e sem querer difamá-la, porque era justo, José resolveu abandonar o amor da sua vida em segredo. Mas, enquanto pensava nisso, Deus veio ao seu encontro através de um anjo.

Na intervenção de Deus, neste momento de profunda angústia e confusão de José, manifesta-se o triunfo da justiça divina sobre os homens e mulheres fiéis a Ele, que andam observando e vivendo os seus mandamentos. “Aos homens retos, darei alegria plena”, diz Deus. “Eu estou ao lado da justiça e julgo segundo o que vejo; não segundo as aparências”.

A atitude de silêncio interior de José pode ser entendida como o tempo da meditação, de intimidade profunda com Deus, de deixar que Ele fale por nós. Quando nós levamos as nossas preocupações a Ele, o Senhor as faz suas. Então, não somos nós que falamos, mas o Espírito do nosso Pai que fala por nós. Basta fazer a nossa parte, que consiste somente em confiar e saber esperar no Senhor que tudo pode. José não precisou falar alto nem muito com “A” ou “B”. Simplesmente, contemplando o sucedido e rezando, calou-se.

A resposta de Deus não se fez esperar. Imediatamente, agiu mandando o seu anjo que diz:“José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo. Ela terá um menino, e você porá n’Ele o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos pecados”. Era isso que José esperava ouvir. Esclarecida a dúvida, José recebe Maria como sua esposa e toca a vida.

Muitas são as simbologias que podemos encontrar neste texto. Veja por exemplo: com a escolha do homem da casa de Davi, o Evangelho de Mateus quer, teologicamente, inserir Jesus na genealogia davídica para harmonizar a concepção virginal de Maria com a acolhida de José. O estranho é que, só depois de José sofrer profundamente ao perceber, progressivamente, a gravidez da mulher amada, o anjo é enviado a ele, dissipando a terrível dúvida acumulada.

Teologicamente, José, apresentado como inserido na genealogia davídica, representa o antigo judaísmo. De Maria, que está fora desta genealogia, nascerá Jesus. Maria representa a novidade de Jesus nas comunidades cristãs. Alguém que não pertence à raça, à estirpe, à tribo. Porém, o novo que se manifesta em Maria escapa à compreensão de José. Era necessário que, do Alto, viesse a luz e José fosse advertido pelo anjo. E então, ele acolhe Maria para dizer que os judeus devem aceitar as novas comunidades cristãs, vendo nelas a obra de Deus.

Este “judeu” pode ser eu e pode ser você, meu irmão, quando diante dos pecadores públicos, dos criminosos, nos consideramos justos e sem pecados. Por isso, queremos nos manter distantes dos leprosos e dos pecadores.

José, o homem justo, fiel e humilde, compreendeu o desígnio do Pai para com a humanidade e colaborou para que ele fosse realizado. Em que ponto você está? Assim como aconteceu com José ontem, hoje a Palavra de Deus continua sendo dirigida a nós. Não tenha medo de receber o estrangeiro, o pobre, a viúva, o órfão, o viciado, o doente. Ame-os! Assim, você transformará a sua vida e salvará sua alma da morte eterna e, assim, celebrará o verdadeiro Natal.

Padre Bantu Mendonça

Fonte: CANÇÃO NOVA – HOMILIA DIÁRIA

 

DEUS ESTÁ CONOSCO

É uma atitude quase generalizada entre aqueles que têm fé no transcendental, embora alguns só acreditem no dinheiro e existem também aquelas pessoas, que não creem nem em si mesmas, fazerem acusações que aqueles que sofrem, estão nesta situação, por não serem justos, por estarem em pecado, sendo por esta razão castigados por Deus. Os fatos, no entanto, vão frontalmente contra este preconceito. Cada um de nós conhece pessoas corretas e tementes a Deus que também sofreram ou sofrem profundamente. A vida dos santos é um verdadeiro calvário de injustiças, calúnias, ingratidões, infortúnios e mesmo assim, permaneceram fieis.

Estão profundamente enganadas certas seitas do momento, que pregam uma religiosidade da prosperidade, esquecendo-se da cruz. O sofrimento faz parte de nossa vida, com ou sem fé. Jesus não prometeu facilidades para seus seguidores, mas que estaria sempre conosco, na luta para superar os grandes desafios de nossa caminhada.

Na vida pública de Jesus, percebemos uma nobreza esplendida e uma inteligência inatingível, ao lado de uma sintonia total com o absoluto através de uma oração constante. No entanto sofreu todas as dores possíveis, injustiças, traições, covardias e a mais terrível das mortes.

Maria e José, pessoas tementes a Deus, justas e piedosas, são escolhidos para darem o suporte humano ao Deus que se faz homem, na fragilidade de uma criança, e passam por cruéis dúvidas, incertezas, incompreensões e perseguições.

A todo o momento, Maria e seu filho no ventre, correm risco de vida. Até José pensa em deixá-la secretamente, assumindo assim toda a culpa, por ela estar grávida de uma maneira que ele não compreende. A mão de Deus, no entanto, age sabiamente. As pessoas justas como José têm condições de perceberem as manifestações de Deus, que vão alem das limitações humanas.

José percebe os sinais de Deus através de seu mensageiro e começa a compreender o seu Plano, que irá ficando mais claro com o passar do tempo.

Precisamos contemplar a família de Nazaré! Quanto nós podemos aprender e descobrir, que como para eles, também para nós, o sofrimento não é uma maldição, mas uma forma elevada de crescimento e aprendizado.

Nada de grandioso no mundo, mesmo material, foi conquistado com facilidades. A renúncia, o sacrifício, a doação, são elementos fundamentais para as maiores conquistas materiais e também espirituais.

Con. Ivanir Leonardi

Fonte: PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA PIEDADE

 

A alegria do Emanuel

O evangelho de hoje nos remite ao mistério da origem de Jesus a quem Mateus apresenta no início e no fim (28,20) de seu evangelho como o Emanuel, Deus conosco.

A generosa disponibilidade de uma mulher e de um homem possibilita que o Filho de Deus se faça carne de nossa carne e osso de nossos ossos.

O evangelista busca partilhar com sua comunidade como foi que se realizou este encontro entre o divino e o humano que dá à luz a Jesus, o Messias.

Não esqueçamos que a maioria dos destinatários de obra de Mateus são judeus convertidos ao cristianismo, por isso ele deixa claro desde a primeira linha do seu evangelho, que Jesus é o digno aspirante a Messias (filho de Davi) e autêntico israelita (filho de Abraão).

Situemo-nos no lugar deste acontecimento que marcou a história. Na Palestina, na região de Galiléia, na cidade de Nazaré, uma jovem camponesa comprometida em casamento, antes de viver com seu marido, "ficou grávida pela ação do Espírito Santo".

Neste mistério, Maria ocupa um lugar central, o obrar de Deus se dá na sua vida, a qual ela colocou a total serviço do Projeto de Deus. Sua virgindade, sinalizada pelo evangelista, quer marcar essa disponibilidade total. É uma virgindade fecunda, prenhe de salvação!

Paremos um momento para olhar para Maria, e a nova vida que cresce em seu ventre. Milagre de amor divino e humano, esse embrião que vive em Maria é Jesus, nosso Salvador.

Num tempo em que tanto se discute sobre se os embriões são seres humanos  u não, e o uso deles para pesquisas científicas, contemplar Jesus embrião pode ajudar-nos a ser mais amantes e defensores da Vida, desde seu início.

É surpreendente o caminho que Deus escolheu para salvar-nos! É o caminho da vida e da fragilidade humana que se inicia num embrião e culmina na cruz!

Esta jovem mulher grávida é portadora em sua pequenez da Vida de Deus para toda a humanidade. Como não agradecer a Maria sua total disponibilidade, sua feminina colaboração no mistério da salvação.

Ela também nos convida a não desprezar a fragilidade e a pequenez pessoais, comunitárias, sociais, elas podem significar crescimento, nova vida. Quando as assumimos, as abraçamos, elas nos concedem "palpar", experimentar ao Deus da vida, com sua ternura e cálido poder.

Olhando para nossa vida e história, quais são as minhas fragilidades, quais percebo ao meu redor? Da mão de Maria podemos hoje apresentá-las a Deus para que nelas germine a novidade da salvação.

Mas Maria não está sozinha, está junto de seu companheiro José. Pouco se fala dele na Bíblia. Mateus o apresenta como um homem justo.

O importante é que ele também se dispõe a colaborar com o projeto de Deus, movido pelo Espírito como sua futura esposa. Aceita ser pai adotivo do Filho de Deus, a quem ele "lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados".

Uma das poucas coisas que sabemos da relação de Maria e José é que ambos se unem totalmente no serviço, no cuidado de Jesus, que é entrega à vida e ao reino de Deus.

Isso pode iluminar e questionar nossas relações, para onde apontam, a quem servem, são relações que geram vida?

Para isso tiveram que deixar para trás outros projetos, sonhos pessoais, para livremente abraçar a proposta da vinda do Messias.

Olhemos para José, Maria e a vida que cresce em seu ventre, e deixemos que a alegria que eles vivem nos inunde e contagie, porque Deus está conosco, é o Emanuel!

Fonte: UNISINOS

Comments