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Contentorização: um jogo de incertezas

Publicado a 14/11/2018, 04:00 por Vitor Caldeirinha

Neste paper elaborado por Ricardo J. Sánchez e Eliana Barleta, são observadas mudanças na contentorização nos últimos anos de uma forma bastante acelerada.

O panorama para os portos de contentores, é portanto, menos expansivo do que antes, já que as tendências globais indicam que um ambiente operacional de alta competição, uma concentração crescente e um menor volume de atividade, se encontram completamente intrínsecos. Ao mesmo tempo, estes fatores são considerados riscos, com uma expectativa mais leve de crescimento.

A análise do impacto tecnológico no comércio marítimo é um trabalho multidisciplinar que nos faz observar a tecnologia a partir de diversos prismas, e que são influenciadas por recursos económicos, sociais e naturais. O futuro aponta para um menor crescimento orgânico e menores taxas de penetração. A desaceleração das economias e a diminuição da carga são dois fatores essenciais que explicam o crescimento tímido do movimento de contentores em todo o mundo.

Na esfera social, a procura pelo desenvolvimento de novas tecnologias é um fenómeno crescente. Liderado uma mudança social, a tecnologia cresce rapidamente e não há sinais de refrear este crescimento. As tecnologias inteligentes são uma das ferramentas mais importantes e um dos desafios vislumbrados no presente, provocando mudanças na estrutura social comportamental e nos processos industriais em todo o mundo, alterando o tipo de mercadoria que é transportada em contentores.

Além disso, o comércio marítimo também poderá ser afetado por navios inteligentes de contentores, que poderão alterar a sua estrutura.

A indústria naval opera milhões de TEU anualmente - em 2017, a previsão era de 698 milhões de contentores em todo o mundo. Considerando os altos números da indústria marítima, o tamanho do mercado e a disposição do investimento, há dois fatores que podem retardar ou avançar esta tecnologia: os navios inteligentes poderão ser pequenos, e sem a capacidade de transporte de navios de grandes dimensões.

A impressão 3D poderá também causar um novo paradigma no comércio mundial, afetando o modo de produção e comércio, sendo que esta tecnologia é capaz de mover a produção central de um produto. A sua peculiaridade é que os objetos são criados por sucessivas camadas de material, reduzindo assim gastos desnecessários, permitindo que a produção seja feita diretamente no destino, economizando tempo e  custos de transporte.

É uma tecnologia com capacidade disruptiva, mas a qualidade e velocidade de sua produção encontra-se em discussão e desenvolvimento. O investimento privado em impressão 3D está centralizado maioritariamente nos Estados Unidos, com 39% do mercado mundial, seguido pela Ásia e Pacífico, com 29%, e pela Europa, com 28%.

Além das impressões 3D, outro fator poderá contribuir para a ascensão e/ou queda da contentorização: o embarque de veículos automotores por contentores oferece uma concorrência direta às embarcações RORO. Mas o tempo mostrará como o comércio na indústria automóvel poderá ou não evoluir, e o que se observa no momento são apenas previsões, considerando as novas tecnologias e os recentes comportamentos comerciais.

De acordo com a McKinsey (2017), outro fator que afetará a redução (ou desaceleração) da contentorização é a evolução da China em direção ao consumo centrado de serviços. Outras mudanças percetíveis já observadas poderão ter uma proeminência no futuro. Estas mudanças incluem a cadeia de abastecimentos e o papel da tecnologia na manufatura (veículos autónomos, impressão 3D, robótica aplicada e comércio eletrónico avançado) e nas tecnologias e inovações aplicadas aos modelos de produção e consumo.

Como consideração final dos fenómenos que podem impactar o comércio marítimo, os autores salientam, que as mudanças geopolíticas e possíveis conflitos globais deverão ser considerados.

A evolução do tempo mostrou que os contentores alteraram a forma como fazemos o comércio, contribuindo para o setor de logística. Os benefícios que tem contribuído para o comércio internacional são diversos e, devido aos altos e baixos do comércio internacional, algumas hipóteses para o futuro foram formuladas.

A partir de 2012, a desaceleração do comércio de contentores tem sido notória, o que se deve a diversos fatores positivos e negativos, nos últimos anos. Do lado positivo, observa-se o crescimento orgânico, induzido e tecnológico. Enquanto no negativo observa-se: as crises económicas sucessivas e o protecionismo no comércio, a desindustrialização da economia, o fortalecimento das alianças de navegação, a saturação de penetração dos contentores, os bens cada vez mais pequenos e complexos, a mudança no tipo de consumo, a mudança no balanço da composição dos contentores de 20 'para 40', a redução progressiva na quantidade de transbordos e a Nova Revolução Industrial e novas tecnologias - como aconteceu na era da globalização - novas evidências encontram-se gradualmente a materializarem-se, como volumes transportados que podem ser alterados pela economia digital e novas tecnologias.

Os autores afirmam que é pertinente também comentar que a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China poderá afetar significativamente as taxas de comércio, afetando o mercado de contentores.

Salientam que a ideia de que a inovação não pertence apenas ao futuro, mas sim ao momento presente. Os contentores e os serviços relacionados ao seu comércio são uma ilustração clara do impacto da inovação.

A mudança demográfica, a produtividade do trabalho e as mudanças estruturais  impactam o crescimento da procura a longo prazo. A procura moderada pelo comércio mundial também se baseia em vários outros fatores, como aumento do protecionismo, guerras cambiais, near-shoring, os bens cada vez mais pequenos e complexos, a saturação da penetração dos contentores e a recuperação silenciosa dos gastos do consumidor.

Para concluir, os autores, mencionam que o desenvolvimento tecnológico acelerou acentuadamente no século XXI, mas que o grande desafio será determinar em quais tecnologias investir e quais impactarão o transporte marítimo.

A questão será se os players que ainda poderão investir permanecerão em jogo, com aqueles que não podem, e consequentemente são ameaçados de serem removidos.

Também será necessário refletir sobre a estrutura do mercado de tecnologias e as suas aplicações para a indústria da logística, uma vez que uma concentração poderia ter efeitos negativos.


Por Sandra Figueiredo da Cunha


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