Luxação medial e lateral da patela (deslocamento de rótula).

 

Fonte: www.renalvet.com.br

Responsáveis pelo site www.renalvet.com.br: Dra. Karine Kleine e Dr. Márcio Bernstein, médicos veterinários.


LUXAÇÃO MEDIAL E LATERAL DA PATELA (RÓTULA).


Rótula deslocada, luxação da patela, luxação patelar, joelho frouxo.
 
 
Não copie. Imagem de propriedade da Renal Vet.

1 - patela;
2 - fêmur;
3 - ligamento patelar;
4 - tuberosidade tibial;
5 - luxação medial da patela;
6 - luxação lateral da patela.


ANIMAIS AFETADOS:

Cães, gatos, seres humanos. 


VISÃO GERAL:

A luxação da rótula é geralmente um problema congênito em que a rótula (ou patela) sai de sua posição normal. O deslocamento, conhecido clinicamente como luxação, pode ocorrer nas partes medial ou interna e lateral ou externa do joelho. Apresenta níveis de gravidade que podem variar dependendo se a rótula está intermitentemente ou constantemente luxada. Este movimento anormal da rótula provoca dor, dano à cartilagem e artrite. A doença apresenta diferentes graus de gravidade e, em alguns casos, a cirurgia é necessária. 

É mais comum que a rótula corra para a face interna do joelho do que para a externa. Este problema afeta tipicamente raças-miniatura como o poodle, o Lulu da Pomerânia, o Chihuahua, o Bichon Frisé e o Pug. Cocker spaniels, golden retrievers, Labrador retrievers, e raças mestiças também podem ser afetados. 

O deslocamento lateral da rótula, ou luxação lateral da patela, afeta mais comumente cães maiores como o Dinamarquês, o São Bernardo e o Mastim Napolitano. A luxação lateral é normalmente acompanhada por uma má formação do fêmur, o osso grande da coxa. Nesses casos, o prognóstico é reservado, já que pode ser necessária uma cirurgia de reconstrução do membro. 

Geralmente, o prognóstico é melhor quando a cirurgia corretiva é realizada no início da doença; muitas das deformações dos ossos e articulações ocorrem com o decorrer do tempo e podem ser evitadas se forem corrigidas cedo. 


SINAIS CLÍNICOS:

Claudicação, muitas vezes intermitente, que pode ser uni ou bilateral; articulação fêmur-tíbio-patelar grossa e inchada, dor ao movimento; crepitação; luxação palpável, incapacidade de pular ou andar normalmente, deslocamento parcial do grupo muscular do quadríceps, rotação lateral do terço distal do fêmur. 


SINTOMAS:

Claudicação intermitente ou constante; postura retraída, dificuldade para andar ou saltar, ocasionalmente o cão mantém a pata traseira virada lateralmente ao andar. 


DESCRIÇÃO:

A luxação média da patela (LMP) é uma doença muito comum nas raças-miniatura, cuja rótula ocasionalmente se move para a face interna (medial) do seu encaixe natural. Primariamente congênita, pode também ser adquirida em decorrência de trauma, a LMP causa claudicação em uma ou em ambas as patas traseiras. O grau de claudicação é determinado pela gravidade e tempo da afecção, bem como pela extensão da artrite existente. 

Os graus de luxação da rótula vão de I a IV, sendo o último o mais grave. A doença progride com o tempo. As formas mais graves muitas vezes vêm acompanhadas por deformação do fêmur e da tíbia, bem como por vários níveis de artrite. 

Cães geralmente são levados ao veterinário em casos de claudicação intermitente, que está se tornando mais freqüente ou grave. Quando a patela ou rótula pula do seu encaixe natural, o cão sente dor e o proprietário pode reportar alteração do passo. O cão com freqüência irá jogar o joelho para a frente para recolocar a rótula no lugar. Com o progresso da doença, os tecidos e ligamentos que mantêm a patela no lugar vão se afrouxando e o problema aparece com mais freqüência. O deslocamento causa dor e quanto maior a sua freqüência, maior a claudicação. 

Lamentavelmente, muitos dos casos graves (de terceiro ou quarto graus) passam despercebidos por meses ou anos porque os animais afetados são geralmente miniaturas que andam no colo dos donos grande parte do tempo. Sua inabilidade para pular ou esticar as patas traseiras pode não ser notada, devido ao seu pequeno porte ou estilo de vida sedentário. 

A luxação lateral da patela (LLP) é menos comum que a luxação medial da patela (LMP) e ocorre quando a rótula ocasionalmente se move para a face exterior de seu encaixe normal. Também pode ser congênita ou adquirida, sendo mais comum a primeira. Embora possa afetar qualquer cão, é mais comum nas raças gigantes. É frequentemente acompanhada por deformação do fêmur e/ou da tíbia. A doença provoca claudicação acentuada e causa artrite grave. Devido às conseqüentes deformações dos ossos, pode ser necessária cirurgia corretiva. 


DIAGNÓSTICO:

O veterinário muitas vezes fará o diagnóstico através de exame físico e do histórico do caso. No entanto, são necessárias radiografias para determinar o grau de artrite e avaliar qualquer deformação do fêmur e da tíbia, os dois maiores ossos da perna, que se ligam ao joelho. 


PROGNÓSTICO:

O prognóstico é muito bom para uma luxação patelar de primeiro grau. O cão pode não necessitar de cirurgia. Entretanto, é importante observar de perto qualquer sinal de piora. Se a cirurgia for indicada e realizada no início da doença, a maioria dos animais volta ao normal. 

O prognóstico para o segundo e terceiro graus depende dos níveis de artrite e deformação apresentados. Se descobertos e tratados no início, o prognóstico vai de bom a excelente. Se a deformação óssea for significativa e já houver artrite, o prognóstico varia de reservado a bom. 

O prognóstico para a luxação patelar de quarto grau é reservado. A maioria dos animais apresenta deformações ósseas de moderadas a graves e artrite significativa. Se for feita a cirurgia corretiva, é importante iniciar logo a fisioterapia para auxiliar a recuperação. 


CAUSA:

Este problema congênito provavelmente é de natureza genética e, assim, animais afetados não devem se colocados para reprodução. A luxação da patela também pode ser causada por traumatismos. 


TRATAMENTO:

O tratamento envolve a recolocação da rótula na posição original e prevenção da luxação, evitando que fique entrando e saindo do lugar. Os seguintes procedimentos podem ser empregados, sozinhos ou combinados, para manter o joelho funcional. 

Imbricação:

O estreitamento da cápsula da articulação, ou imbricação, é feita do lado oposto da luxação para evitar que a rótula tenha espaço suficiente para sair do encaixe. Assim, uma luxação média da patela é tratada com uma imbricação lateral e vice-versa. Adicionalmente, a cápsula da articulação pode ser afrouxada na lateral da luxação: isto é chamado de incisão de alívio. Esta operação alivia a tensão que a cápsula da articulação causa na patela, permitindo, assim, que esta corra normalmente para o encaixe. 

Em casos graves, às vezes é necessária uma sutura sintética para manter a rótula no lugar. Esta sutura é feita no lado oposto da luxação e vai da parte posterior do fêmur até o tendão patelar. Também evita que a rótula pule para o outro lado. 

Trocleoplastia:

O aprofundamento do encaixe troclear (tróclea) pode ser conseguido através de uma variedade de técnicas. Uma delas, a condroplastia, consiste em cortar um pedaço alongado de cartilagem, em forma de meia-lua, remover parte do osso embaixo dele e recolocar a cartilagem. O resultado é um encaixe maior. Este procedimento só pode ser utilizado em cães muito jovens que têm a cartilagem mais espessa. 

A ressecção troclear consiste em cortar a cartilagem e o osso de modo que se forme uma espécie de vala mais profunda. Com o tempo, esta será preenchida com tecido cicatricial. Como este tipo de tecido cicatricial não é tão bom para a articulação como a cartilagem, esta técnica foi preterida em favor de outras que tentam preservar a cartilagem normal. Pode, entretanto, ser útil em alguns casos selecionados. 

A ressecção em cunha cria um pedaço de cartilagem alongado, em forma de meia-lua e osso em volta dele. O osso então é removido e a cunha é substituída, formando um encaixe mais profundo. A ressecção de bloqueio segue o mesmo princípio da ressecção da cunha, exceto pelo fato de que a peça de cartilagem e osso tem um formato retangular. 

Transposição da Tuberosidade Tibial:

A rótula se liga à parte inferior da perna através do tendão patelar, na parte óssea chamada de tuberosidade tibial. Muitas vezes, se nota anormalidade em sua face medial, nos casos de LMP, ou na face lateral, nos casos de LLP. O cirurgião, nesses casos, devolve a tuberosidade tibial ao alinhamento normal e a mantém no lugar com um pino ou arame. O realinhamento da articulação da rótula e do tendão previne novos deslocamentos. 

Osteotomia:

Consiste em remoção de pedaços de osso, e pode ser necessária em casos graves, com deformação do fêmur ou da tíbia. 


PREVENÇÃO:

O diagnóstico precoce e a correção imediata são o melhor meio de evitar disfunção e claudicação graves. A reprodução de animais acometidos deve ser desencorajada, embora esta afecção seja tão comum em certas raças que esta medida se torna impraticável. Primariamente congênita, pode também ser adquirida em decorrência de trauma, a LMP causa claudicação em uma ou em ambas as patas traseiras. O grau de claudicação é determinado pela gravidade e tempo da afecção, bem como pela extensão da artrite existente.


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Atenção: eu, Leninha Matias, possuo autorização da Dra. Karine Kleine e do Dr. Márcio Bernstein para divulgar neste site os textos e as imagens que se encontram publicados no site www.renalvet.com.br.

 


 
Autores do artigo abaixo identificado: Profa. Dra. Patrícia Popak Maria, Prof. Dr. João Guilherme Padilha Filho e Prof. Dr. Tiago Ladeiro de Almeida, médicos veterinários.

Fonte: Revista Clínica Veterinária, n.34, p.25-32, 2001 – Editora Guará – clique aqui.



LUXAÇÃO MEDIAL DE PATELA EM CÃES - REVISÃO.

Resumo:

A luxação medial de patela é considerada uma das afecções mais comuns da articulação fêmuro-tíbio-patelar do cão. É encontrada principalmente em raças "toy" e miniatura, e apresenta predileção sexual por fêmeas, que são uma vez e meia mais afetadas que os machos. Tem origem congênita ou traumática, e caracteriza-se pelo deslocamento medial da patela em relação ao eixo longitudinal da diáfise femoral.

Os fatores etiopatogênicos dessa moléstia são muitos; dentre eles, podem ser citados o deslocamento medial do quadríceps, o arrasamento do sulco troclear e o deslocamento medial da crista tibial.

A luxação de patela é classificada em graus, de acordo com a severidade dos achados clínicos e a deformidade óssea. A sintomatologia varia, em conformidade com o grau de luxação, de claudicação esporádica à impotência funcional do membro.

O tratamento pode ser cirúrgico ou conservativo. A correção cirúrgica consiste em estabilizar a patela na tróclea femoral, e o tratamento conservativo contempla repouso e administração de analgésicos.

As luxações mediais de graus 1, 2 e 3 apresentam prognóstico favorável, enquanto aquelas de grau 4 têm prognóstico desfavorável, em virtude das severas deformidades ósseas e rotacionais que promovem.
 
 
Currículo dos autores:
• Profa. Dra. Patrícia Popak Maria = lattes.cnpq.br/4702137999188828
• Prof. Dr. João Guilherme Padilha Filho = lattes.cnpq.br/0681312412099244
• Prof. Dr. Tiago Ladeiro de Almeida = lattes.cnpq.br/7279190103159365
 
 
Observação: nesta data (19/11/2008), não consta no site www.editoraguara.com.br nenhuma proibição quanto à transcrição total ou parcial dos textos que o compõem.


 

CIRURGIA DE LUXAÇÃO MEDIAL DE PATELA EM CÃO

 

EXAME CLÍNICO DE PATELA EM CÃO – PARTE 1

 

EXAME CLÍNICO DE PATELA EM CÃO – PARTE 2