Leptospirose canina no Brasil.


Amigos(as),

No Brasil, existem as leptospiras que diferenciam as vacinas V8, V10 e V11, ou seja, as bactérias Leptospira grippotyphosa, Leptospira pomona e Leptospira copenhageni, que não são combatidas pelas vacinas V8, mas muitos criadores de cães e outros leigos, e, até, muitos médicos veterinários, ainda desconhecem estes fatos.

O quadro e o artigo transcritos nesta página servem, inclusive, para evidenciar que a Leptospira grippotyphosa e a Leptospira pomona vêm infectando animais no Brasil, no mínimo a partir de 1979, bem como que a Leptospira copenhageni também vêm infectando animais em nosso País, no mínimo a partir de 1997.

Quanto à leptospirose:

• V8 (vacina óctupla) = combate a Leptospira canicola e a Leptospira icterohaemorrhagiae;

• V10 (vacina décupla) = combate a Leptospira canicola, a Leptospira icterohaemorrhagiae, a Leptospira grippotyphosa e a Leptospira pomona;

• V11 (vacina undécupla) = combate a Leptospira canicola, a Leptospira icterohaemorrhagiae, a Leptospira grippotyphosa, a Leptospira pomona e a Leptospira copenhageni.

No período de outubro/1976 a setembro/1977, além das leptospiras icterohaemorrhagiae, canicola, grippotyphosa e pomona, os pesquisadores P. H. Yasuda, C. A. Santa Rosa e R. M. Yanaguita encontraram em cães de rua da cidade de São Paulo:

• Leptospira ballum;

• Leptospira pyrogenes;

• Leptospira autumnalis;

• Leptospira andamana;

• Leptospira butembo.

''O diagnóstico da leptospirose canina deve ser embasado nas informações clínico-epidemiológicas, apoiado nos exames laboratoriais subsidiários. A presença de cães com anorexia, diarréia, vômito, sensibilidade em região abdominal e/ou lombar, com ou sem mucosas e conjuntivas amareladas, devem levar à suspeita clínica da doença.'' (fonte: Fort Dodge Saúde Animal Ltda.).
 
Fraternalmente,

Leninha Matias – 19/11/2008.
 
 

 
EPIDEMIOLOGIA E TRANSMISSÃO DA LEPTOSPIROSE:
 

''A transmissão da leptospirose pode ocorrer de forma direta ou indireta. A forma direta ocorre, geralmente, pelo contato com sangue e/ou urina de animais doentes, por transmissão venérea, placentária, feridas por mordedura (pele) ou pela ingestão de tecidos infectados.

 

Os cães que se recuperam da doença eliminam o agente de forma intermitente por meses após a infecção. A transmissão indireta pode ocorrer pela exposição prolongada dos animais susceptíveis à água, ao solo ou pela ingestão de alimentos contaminados.

 

O risco da transmissão indireta aumenta consideravelmente para o homem quando as condições ambientais são favoráveis à manutenção e replicação das leptospiras, em especial após enchentes, ou em coleções de água com pouca movimentação, em temperaturas variando entre 0oC e 25oC, principalmente em populações de baixo poder aquisitivo.

 

Desta forma, os surtos de leptospirose no Brasil freqüentemente são registrados nos períodos mais quentes e chuvosos do ano (entre dezembro e março).

 

As leptospiras têm no solo e água com pH neutro ou levemente alcalino, condições ótimas de sobrevivência. Entretanto, sobrevivem transitoriamente no pH ácido da urina (5,0 a 5,5). A doença no cão ocorre independentemente do sexo do animal, raça e faixa etária.

 

A leptospirose-doença apresenta menor freqüência se comparada à ocorrência de infecção pelo agente, levando em muitos casos à forma assintomática, dificultando o diagnóstico.

 

A leptospirose canina é causada principalmente pelos sorovares canicola e icterohaemorrhagiae, que apresentam como fontes de infecção, respectivamente, os cães e os roedores (Rattus norvergicus – ratazana de esgoto, Rattus rattus e Mus musculus – camundongo).

 

Recentemente, infecções em cães causadas por outros sorovares que não L. icterohaemorrhagiae e L. canicola, têm-se tornado mais aparentes na população de animais domésticos.

 

Os sorovares L. grippotyphosa e L. pomona estão entre os que tiveram sua prevalência aumentada e têm sido apontados como causas importantes de insuficiência renal aguda em cães.''
 
 



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A NOVA REALIDADE DA LEPTOSPIROSE CANINA NO BRASIL.

A leptospirose é uma doença bacteriana infecto-contagiosa que afeta a saúde animal e possui grande importância em Saúde Pública. Mais de 160 espécies de animais silvestres, de produção (bovinos, suínos, ovinos, entre outros) e de companhia são acometidos, constituindo reservatórios e fontes de infecção ao homem.

Os cães estão entre as espécies mais afetadas e podem disseminar a doença através da urina por períodos que podem variar de semanas a meses. Recentemente, infecções em cães causadas por outros sorovares que não L. icterohaemorrhagiae e L. canicola, têm-se tornado mais aparentes na população de animais domésticos.

Os sorovares L. grippotyphosa e L. pomona estão entre os que tiveram sua prevalência aumentada e têm sido apontados como causas importantes de insuficiência renal aguda em cães.

Os sinais clínicos mais comuns na infecção aguda são: letargia, depressão, anorexia, vômito, febre, poliúria, dor abdominal, diarréia, mialgia, icterícia e petéquias. Os sorovares L. icterohaemorrhagiae e L. canicola acometem preferencialmente as células hepáticas, enquanto
o L. pomona e o L. grippotyphosa causam lesões renais.

O sorovar L. grippotyphosa pode também causar lesão hepática, sendo incluído no diagnóstico diferencial de hepatite ativa crônica. O pequeno número de cães com sinais "clássicos" de Leptospirose, como necrose da ponta da língua ou estomatites e icterícia, ressalta a importância de se incluir a Leptospirose como diagnóstico diferencial dos sinais inespecíficos anteriormente citados.

Portanto, mesmo
os cães vacinados regularmente com as vacinas múltiplas tradicionais (V8) podem apresentar insuficiência renal aguda ou hepática decorrente da leptospirose, pois estas vacinas protegem somente contra os sorovares L. canicola e L. icterohaemorrhagiae.

Os dados da tabela apresentada neste material fornecem informações importantes sobre a freqüência da Leptospirose Canina em diversos Estados do Brasil. Comparando estes dados com resultados encontrados nos trabalhos publicados nos anos 70 até início da década de 90, observamos uma nítida diferença em relação à prevalência dos sorovares.

Antes os trabalhos demonstravam que a L. icterohaemorrhagiae e a L. canicola eram as mais prevalentes em cães, chegando a representar mais de 75% do total dos sorovares reagentes. Atualmente, nota-se uma maior variabilidade, bem como melhor distribuição entre os diferentes sorovares.

Este aumento da prevalência dos sorovares não tradicionais pode estar associado ao crescimento dos grandes centros urbanos em direção a áreas peri-urbanas, o que proporciona um maior contato dos cães com animais silvestres (reservatórios) que freqüentemente habitam os domicílios atraídos por restos de alimentos.

Os números apresentados nos estudos a seguir, encontrados tanto em grandes centros urbanos quanto em cidades do interior, mostram que a Leptospirose Canina é endêmica em todo o país. Este fato ressalta a importância das ações preventivas, entre elas a vacinação, que deve ser realizada nos cães, já que eles oferecem um risco potencial à saúde humana.

A ocorrência de L. grippotyphosa e L. pomona em cães no Brasil está amplamente publicada por vários autores, como mostra a tabela:


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Referências
:

BELLONI, S. N. E.; MORENO, K. Sinais clínicos observados em 120 cães com leptospirose causada por diferentes sorovares; Universidade Estadual de Londrina; Paraná, 2000.

BOECHAT, J. U. D.; MACHADO, J. P. Prevalência da leptospirose canina no Brasil, Revista Veterinária Ser, ano 1, n.1, jul/ago/set 2004, pág.40-47.

WOHL, J. S. Canine Leptospirosis, Continuing Education Article #4, Vol. 18, n.11, november 1996, 1215-1241.

GOLDSTEIN, R. E.; LIN, R. C.; LANGSTON, C. E.; SCRIVANI, P. V.; ERB, H. N.; BARR, S. C. Influence of infecting serogoup on clinical features of Leptospirosis in dogs. J Vet Intern Méd, 2006; 20:489-494.



Observação: nesta data (19/11/2008), não consta no site www.leptospirosenobrasil.com.br nenhuma proibição quanto à transcrição total ou parcial dos textos que o compõem.