Giardíase (giardiose, infecção intestinal causada por giárdia).

 
Artigo: Giardíase Canina – Boletim Técnico.
Responsável: Fort Dodge Saúde Animal Ltda.
Onde ler: clicar aqui ou aqui.
 


Artigo: POSITIVO PARA GIARDIA SP.
Responsável: Lab & Vet Diagnóstico e Consultoria Veterinária Ltda.
Fonte:
clicar aqui.



POSITIVO PARA Giardia sp.

No laboratório de apoio diagnóstico frequentemente obtemos resultados positivos para Giardia sp., muito provavelmente por trabalharmos diversas amostras de animais com sinais clínicos. Mesmo assim não é raro o encontro deste parasita em fezes sem alterações morfológicas. A eliminação discreta pode ser encontrada nas fezes de animais clinicamente normais e muitos permanecem com o parasita em estado latente por longos períodos. Por vezes até ouvimos ao telefone, "Ai, que saudade de um ancilostoma" ou "Giardia de novo, eu já tratei e agora?" ... A Giardia é um protozoário muito bem adaptado, e, portanto, difícil de ser controlado, já que o sucesso do tratamento também depende de medidas de manejo e controle. Parasita em várias classes animais atinge herbívoros, carnívoros e omnívoros. O suprimento de água é a via mais implicada na transmissão para humanos. Entre os animais, além do acesso à água contaminada, o próprio comportamento torna mais intensa a relação com o ambiente e a possibilidade de infecção, já que os cistos são infectantes assim que eliminados.

Os mecanismos imunes num animal variam durante a vida, com possível redução ou perda temporária da imunidade protetora frente a novas cepas com virulência maior ou menor, em condições de estresse, alterações de dieta, e em imunossuprimidos (por tratamentos com corticóides ou por doença).

Temos ainda que considerar fatores ambientais favoráveis ou desfavoráveis. Os cistos resistem melhor em águas de temperaturas frias e em locais úmidos com baixa insolação permanecendo até por meses no ambiente. Nós veterinários, ao preconizarmos medidas de manejo e desinfecção, devemos estudar as alternativas aplicáveis no local. Por exemplo, para cães e gatos a remoção de fezes deve ser intensificada. Se há cobertura vegetal, além de dificultar a remoção de fezes, o uso de desinfetantes quaternários (por 20-30 minutos) e de vapor ou água fervente utilizados facilmente em pisos frios, são medidas impossíveis. Longe de destruirmos todos os jardins devemos, então, considerar estas áreas como sendo de risco, com acesso restrito ou impedido por 30 dias. Em eqüinos e ruminantes, teremos que nos valer de rotação de pastagens (30 dias sem pastejo), limpeza de comedouros e bebedouros e controle da qualidade da água.

Se os cistos resistem e ganham a via oral atingem o trato gastrointestinal, alguns driblam o sistema imune e chegam ao intestino delgado onde desencistam. Cada cisto maduro libera 2 trofozoítas que rapidamente se duplicam em muitos e aderem às células epiteliais da mucosa, vão se alimentando e se dividindo sucessivamente, com isso interferem na absorção de nutrientes, notadamente de gorduras.
 
Fezes típicas são descritas como claras, untuosas e amolecidas. Se o trânsito intestinal for muito rápido e tivermos fezes líquidas, os trofozoítas que se desprendem da mucosa podem ser visualizados logo após a eliminação e assim que chegam ao ambiente começam a encistar. No caso de trânsito mais lento, esses têm tempo de se encistarem e são visualizados como cistos. Por vezes temos fezes com estrias de sangue e muco intenso, sinais de irritação do intestino grosso, embora as giárdias não colonizem essa porção do trato.

Falamos muito em diarréia, episódios de êmese [vômito], mas que na giardíase podemos também ter períodos de constipação [prisão de ventre]. Havendo a suspeita, ou para triar animais portadores, a visualização dos trofozoítas e cistos em exames coproparasitológicos seriados ainda é a forma mais barata de se fazer o diagnóstico. O hemograma não é instrumento de grande auxílio, pois raramente ocorre discreta eosinofilia e/ou anemia moderada. O intercâmbio de informações entre o clínico e o laboratório pode ser importante para o estabelecimento de parâmetros que balizem o controle desse parasita em um indivíduo ou em criações animais.



LAB & VET DIAGNÓSTICO E CONSULTORIA VETERINÁRIA LTDA.
Av. Escola Politécnica, 4445 – Rio Pequeno, São Paulo/SP.
Telefone: (11) 3719-2297.
E-mail:
 contato@labvet.com.br 
Site:
 www.labvet.com.br 


Observação:
nesta data (19/11/2008), não consta no site www.labvet.com.br nenhuma proibição quanto à transcrição total ou parcial dos textos que o compõem.
 



Amigos(as) internautas,

Atenção: as fotos abaixo não devem ser entendidas como "modelo" das fezes de cão portador de giardíase, inclusive porque não é obrigatória a presença de sangue e/ou muco nas fezes para que haja giardíase.

A presença de sangue nas fezes (melena) também pode ser um dos sinais de: perfuração intestinal causada por corpo estranho ingerido; erliquiose (uma das doenças transmitidas por carrapato); verminose; etc. Portanto, se vocês encontrarem sangue nas fezes dos seus cães, levem seus cães e as fezes deles, imediatamente, a um veterinário experiente e cuidadoso, a fim de serem examinados os cães e as fezes. 

Fezes – líqüidas, pastosas ou sólidas – expelidas com muco podem ser, por exemplo, o 1º sinal visível de giardíase (esta informação é baseada na minha própria experiência, confirmada por exames de fezes de Teddy Matias e de outros cães que passeiam com seus "humanos de estimação" nas proximidades da nossa residência).
 
Na giardíase, o muco intestinal – expelido nas fezes – tem, por exemplo, a aparência de gelatina (vejam as fotos abaixo) ou de catarro, podendo ter consistência rala ou espessa.

Se vocês encontrarem muco nas fezes de algum dos seus cães, já providenciem o exame coproparasitológico (exame parasitológico de fezes). Como agir: colocar as fezes e o muco num recipiente limpo (de preferência, um coletor apropriado, comprado em farmácia), tampar o recipiente e guardá-lo, imediatamente, na geladeira (refrigerador) até o momento de levá-lo ao laboratório veterinário ou ao médico veterinário.  

Informações necessárias ao exame coproparasitológico:
• a quantidade mínima de fezes é de 5 gramas (de preferência, 10 gramas ou mais);
• as fezes que estiveram expostas ao Sol não servem para o exame;
• as fezes não poderão ser congeladas, deverão ser refrigeradas entre 2º e 8º centígrados;
• as fezes poderão ser conservadas na geladeira por, no máximo, 48 horas (eu prefiro guardá-las, no máximo, durante 24 horas);
• "As fezes deverão, de preferência, ser coletadas a partir de uma superfície limpa (jornal, azulejo) sobre a qual o animal tenha defecado. Alternativamente, colher as fezes da porção mais superior, que não tenha entrado em contato com o solo. Utilizar saco plástico ou coletor universal." (fonte: Universidade de São Paulo);
• mais informações: cliquem aqui ou aqui.

Saliento:
• Teddy Matias teve giardíase outras vezes (as fezes continham apenas muco quando foram examinadas e detectada a giardíase);
• ele apresentou fezes sanguinolentas somente uma vez, ou seja, em 22/07/2006 (no dia seguinte, 23/07/2006, as fezes já estavam sem sangue e tinham aparência normal);
• para ser detectada a giardíase em 22/07/2006, bastou o exame das fezes mostradas nas fotos abaixo (nas outras vezes, a giardíase foi detectada nas fezes que continham apenas muco).

Importantíssimo:
não dêem nenhum medicamento aos seus cães sem orientação de médico veterinário experiente e cuidadoso;
"Aquele que depende totalmente do laboratório para fazer seu diagnóstico é, provavelmente, inexperiente; aquele que diz que não depende do laboratório é desinformado. Em ambos os casos, o paciente corre perigo." (J. A. Halsted).

Fraternalmente,

Leninha Matias. 
 
Site Saúde Canina: sem fins lucrativos, feito e mantido com amor e por amor aos cães.
 
Site Saúde Canina: sem fins lucrativos, feito e mantido com amor e por amor aos cães.
 
Site Saúde Canina: sem fins lucrativos, feito e mantido com amor e por amor aos cães.
 
AVISO: eu, Leninha Matias, proprietária destas três fotos, realizadas na varanda da
minha residência, NÃO autorizo a outra(s) pessoa(s) a utilização destas fotos.