Dentes – fratura – o que fazer?

 

  Artigo: Fraturas dentárias – o que fazer quando um dente fratura?

  Autor: Prof. Dr. Marco Antonio Leon-Roman.

  Fonte: VetDent – Odontologia Veterinária.

 

 

 

  FRATURAS DENTÁRIAS – O QUE FAZER QUANDO UM DENTE FRATURA?

 

Em um exame clínico realizado pelo Médico Veterinário, ou mesmo em casa, você descobre que seu animalzinho tem um dente quebrado. O que fazer? Como saber se ele sente dor? Há urgência para levá-lo ao veterinário?

 

A dor sentida no momento da fratura é semelhante à dor provocada pela cárie profunda dos seres humanos. O estímulo doloroso atinge a polpa dentária, presente no interior do dente, popularmente chamada de "nervinho". A polpa é o tecido vivo, responsável pela nutrição, amadurecimento e sensibilidade do dente. Constitui-se de vasos sangüíneos e linfáticos, feixes nervosos e tecido conjuntivo frouxo, que compõe o Sistema Endodôntico. Todos os dentes estão sujeitos a fraturas. No entanto, os dentes caninos inferiores e superiores, seguidos dos quarto-pré-molares e incisivos são os que mais apresentam este tipo de lesão. Em felinos, os dentes mais atingidos são os caninos.

 

 

Como os cães e gatos fraturam seus dentes?

 

Normalmente quando roem brinquedos muito duros, ossos, grades e outros objetos; brincando com freesbies e até em brigas. Outra causa são os acidentes: atropelamentos ou queda de grandes alturas. Nos casos em que o dente é fraturado ocorre exposição da polpa. Microorganismos e restos de alimentos ocuparão o canal do dente (figura 1). Quando isso ocorre, seu animal sentirá desconforto, dificuldade de apreender objetos e alimentos. Ao utilizar os dentes para a mastigação, ele sentirá dor.

 

Sem tratamento, a polpa morrerá (figura 2), a dor tenderá cessar e o animal volta a se alimentar normalmente. Não sentindo mais incômodo, ele estará "aparentemente" sadio. Este é o principal motivo do proprietário não notar que seu animal está com um dente fraturado.

 

 

Devemos ou não tratar este dente fraturado?

 

Vamos pensar o seguinte: aquele espaço onde estava presente a polpa, o canal, agora está preenchido por tecido morto e por detritos. Nestas condições, o canal torna-se muito favorável à proliferação de bactérias. Estas se reproduzem, aumentam em número e podem atingir a extremidade da raiz, contaminar o osso ao redor do dente e desenvolver uma lesão periapical (destruição do osso). Esta lesão evolui para um abscesso, podendo formar uma fistula dentro ou fora da boca. A mais conhecida pelos Médicos Veterinários é a "Fístula do Carniceiro" (figura 3), que comumente surge na região infra-orbitária devido a problema endodôntico no dente carniceiro (4º pré-molar superior).

 

Com o que foi descrito já se pode perceber que é fundamental a realização do tratamento do canal de um dente fraturado. Mas isso não é tudo! Devemos sempre lembrar que as bactérias ali presentes podem ainda reproduzir-se e atingir a circulação sangüinea e linfática. Este são os casos em que pode haver sério agravamento de lesões em outros órgãos como rins, fígado e coração. Uma pesquisa recente demonstrou que 40% das endocardites (problema cardíaco) em humanos estão diretamente relacionados com as más condições de saúde bucal. Assim o tratamento do canal também se faz necessário para prevenir afecções sistêmicas,ou seja, em todo o organismo do animal.

 

Agora que conhecemos os malefícios que um dente fraturado pode causar, podemos entender o porquê da realização do tratamento de um dente fraturado: o objetivo primordial é eliminar o foco de infecção e impedir a sua progressão.

 

Outra opção nestes casos é a extração do dente acometido. Hoje em dia, porém, existe a possibilidade de realizar um tratamento endodôntico. Desta forma é possível manter o elemento dentário desempenhando suas funções de mastigação, apreensão e estética. Além disso, a cirurgia de extração pode, em alguns casos, ser muito mais complicada e traumática que a cirurgia feita para o tratamento endodôntico.

 

O tratamento de canal (figura 4), na Odontologia Veterinária, é realizado em uma única sessão. O dente tem seu interior desinfetado (retira-se o tecido morto e contaminado); em seguida é preenchido com material obturador (figura 5) e restaurado com resina, amálgama ou prótese metálica (figura 6). Ah! Não podemos esquecer. Isto só é possível graças às técnicas modernas de anestesia geral inalatória!

 

Marco Antonio Leon-Roman.

Médico Veterinário – CRMV-SP 13528.

Laboratório de Odontologia Comparada – FMVZ/USP.

malroman@uol.com.br


 
 
VetDent – Odontologia Veterinária.

Odontoveterinários: Prof. Dr. Alexandre VenceslauProf. Dr. Marco Antonio Leon-Roman.
Locais de atendimento em São Paulo/SP, Santo André/SP e Atibaia/SP: clique aqui.

Telefone: (11) 9745-5234.

E-mail: vetdent@vetdent.com.br
Serviços: profilaxia da doença periodontal; tratamento periodontal; exodontia; endodontia (tratamento de canal); radiografia intra-oral; ortodontia; dentística (restaurações); oncologia (neoplasias orais); fraturas de mandíbula e maxila; cirurgias de palato e de glândulas salivares.

 
Figura 1 – Quarto pré-molar
superior esquerdo com fratura
em lasca e exposição da polpa
viva
.
 
Figura 2 – Canino superior
direito com
fratura da coroa,
exposição do canal
morte
pulpar. Por este orifício, as
bactérias invadem o dente e
chegam
ao osso, podendo
espalhar-se para
todo o
organismo
.
 
Figura 3 – Fístula do Carniceiro
A) fístula devido à infecção do
osso
ao redor das raízes.
B) quarto pré-molar fraturado,
com
contaminação do canal.
   
Figura 4 – Tratamento de canal
em
quarto pré-molar superior
esquerdo
.
 

Figura 5 – Radiografia do dente
tratado com preenchimento do
canal
por material obturador.
   
Figura 6 – Restauração metálica
de
um dente fraturado e tratado
endodonticamente.
  

 

Observação: nesta data (03/01/2010), não consta no site www.vetdent.com.br nenhuma proibição quanto à transcrição dos textos que o compõem.