Desvantagens da castração convencional – algumas das doenças que podem ser causadas pela extração dos testículos (machos) ou dos ovários (fêmeas).

 
Amigos(as),

Saliento que esta página é apenas informativa, ou seja, não me cabe julgar quem aprova ou desaprova a castração de cães.

As vantagens da castração convencional de cães (nos machos, a remoção dos testículos = orquiectomia; nas fêmeas, a remoção dos ovários, das trompas e do útero = ovariossalpingohisterectomia = OSH) são amplamente divulgadas por muitos veterinários e leigos. Todavia, as desvantagens da castração convencional ainda são pouco divulgadas e, a meu ver, também precisam ser conhecidas por todas as pessoas que desejam realizá-la, a fim de que tais vantagens e desvantagens sejam comparadas, bem como por todas as pessoas que já a realizaram em seus cães, para que estas fiquem prevenidas.

Quanto às desvantagens, eu intenciono divulgar nesta página todas as doenças (obviamente, as doenças que são conhecidas pela medicina veterinária) que podem ocorrer em cães, machos e fêmeas, em decorrência da remoção dos testículos ou dos ovários. Todas as informações transcritas nesta página (abaixo desta mensagem) são procedentes de pesquisadores veterinários e/ou de professores de medicina veterinária, estando devidamente identificados seus autores e as fontes.

Opções para quem deseja que os seus cães saudáveis não se reproduzam:
machos = em vez da orquiectomia (retirada dos testículos), vasectomia;
fêmeas = em vez da ovariectomia (retirada dos ovários), laqueadura de trompas.

Obviamente, a vasectomia e a laqueadura de trompas deverão ser desconsideradas se a orquiectomia ou a ovariectomia tiver fins terapêuticos.

Lembretes:

1 – para cuidarmos da saúde dos nossos filhos (caninos, felinos, humanos, etc.) de forma correta, não devemos acatar nenhuma orientação prestada por leigos (incluo-me), exceto depois de averiguarmos cada orientação por intermédio de médico de reconhecida competência;

2 – os criadores de cães (por exemplo) também são leigos, exceto se, além de criadores, forem médicos veterinários;

3 – ser veterinário é uma coisa; ser um veterinário competente, honesto e cuidadoso é outra coisa.

Fraternalmente,

Leninha Matias – 24/01/2009.


 
DERMATOPATIA HORMONAL:

"dermatose responsiva à testosterona em machos (hipoandrogenismo) tem etiologia desconhecida e apresenta sinais clínicos de alopecia bilateral simétrica, modificação na cor da pelagem e ocorre em cães castrados. Entre os diagnósticos diferenciais devemos incluir o hiperadrenocorticismo e o hipossomatotropismo."

Artigo: 
"Hormonioterapia em pequenos animais."
Autora: Profa. Dra. Lucila Carboneiro dos Santos, médica veterinária.
Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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LINFOMA:

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A ocorrência de linfomas em cães é mais acentuada em animais com idade entre 5 e 11 anos (80% dos casos) (Greenlee et al., 1990). A predisposição racial já foi relatada em cães Scottish Terrier (Bloom & Meyer, 1945), Boxer (Priester, 1967), Bull Mastiff, Basset Hound e São Bernardo (Couto & Hammer, 1995). Quanto à influência do sexo na freqüência desse tipo de neoplasia os dados são bastante conflitantes. Existem indícios de que a incidência é menor nas fêmeas não ovário-histerectomizadas (Priester & Mckay, 1980) e em machos orquiectomizados (Valli, 1993)."

Artigo científico: "Características anatomoclínicas dos linfomas caninos na região de Botucatu, São Paulo."
Autores: Prof. Dr. Júlio Lopes Sequeira, Prof. Dr. Marcello Fabiano de Franco, Prof. Dr. Enio Pedone Bandarra, Profa. Dra. Laura Maria Alvarez Figueiredo e Profa. Dra. Noeme Sousa Rocha, médicos veterinários.
Fonte: SciELO Brasil – Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia.
Onde ler o artigo completo:
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PANCREATITE:

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A pancreatite é uma patologia associada a uma alta taxa de mortalidade, principalmente por translocação bacteriana, não somente em animais, mas também em humanos. (...) Cães da raça yorkshire estão na zona de maior risco, (...) Machos e fêmeas castradas parecem ter um risco maior de sofrer da pancreatite, comparados com fêmeas intactas."

Artigo científico: "Abordagem do paciente com pancreatite."
Autores: Prof. Dr. Rodrigo Cardoso Rabelo e Dra. Fabrízia P. Cury Lima, médicos veterinários.
Fonte: Roche Diagnóstica Brasil.
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OBESIDADE:

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Dentre os diversos problemas relacionados à má nutrição de cães e gatos, a obesidade é um dos mais freqüentes e importantes. Os proprietários dificilmente a reconhecem como uma alteração clínica que possa trazer graves conseqüências a seus animais, sendo capaz de deteriorar funções corporais e prejudicar a saúde e o bem estar animal. É necessário tratar a obesidade como qualquer outra enfermidade."

"Caninos e felinos (machos e fêmeas) castrados são mais propensos a desenvolver excesso de peso que os não castrados. O mecanismo responsável por esta ocorrência ainda não está bem esclarecido, porém sabe-se que há uma diminuição da atividade física voluntária, um aumento no apetite e uma eficiência acrescida de aproveitamento dos alimentos (BIOURGES, 1997)."

"O conceito de obesidade leva implícito um transtorno prejudicial para a saúde do indivíduo, sendo esta, capaz de aumentar a incidência de algumas enfermidades. Este fato unido à elevada freqüência com que se observa a afecção faz da obesidade uma das formas mais importantes de má nutrição na prática clínica de pequenos animais (VIGOUREUX, 1992).
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Artigo científico: "Etiologias, conseqüências e tratamentos de obesidades em cães e gatos – revisão."
Autores: Dra. Ana Luiza Neves Guimarães e Prof. Dr. Eduardo Alberto Tudury, médicos veterinários.
Fonte: Fundação de Pesquisas Científicas de Ribeirão Preto.
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OBESIDADE:

"A ocorrência da obesidade é uma das formas mais importantes e freqüentes da má nutrição observada na prática clínica de pequenos animais. Estima-se que afeta de 6 - 12% dos gatos, e 25 - 45% da população canina. É bastante comum em animais com idade avançada, podendo estar relacionada a diminuição do gasto energético, devido a reduzidas atividades e a alterações no metabolismo corporal em função da idade. Animais castrados têm probabilidade em torno de duas vezes maior de se tornarem obesos, em função das alterações hormonais provocadas pela extirpação das gônadas sexuais. Certas raças de cães são mais propensas a tal distúrbio, como o Labrador, Cairn, Shetland Sheepdoogs, Basset Hounds, Cocker Spaniel e Long Haided Dachshund (Wolfsheimer, 1994; Moser 1991a).

O excesso de peso é um desequilíbrio orgânico que põe em risco à saúde geral, por ser um fator altamente predisponente a muitas outras patologias, determinando problemas do sistema locomotor e das articulações, alterações cardio-pulmonares e endócrinas, como a diabetes mellitus, maior susceptibilidade às enfermidades infecciosas, além de aumentar os riscos de complicações cirúrgicas (Moser, 1991b; Biourge et al., 1994; Ettinger e Feldman, 1995)."

Artigo científico: "Revisão de literatura - Relação entre aspectos nutricionais e obesidade em pequenos animais."
Autor: Prof. Dr. Joelsio José Lazzarotto, médico veterinário.
Fonte: Universidade José do Rosário Vellano.
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OBESIDADE, INCONTINÊNCIA URINÁRIA, VULVA INFANTIL, ALOPECIA, MUDANÇA DA COR E DA TEXTURA DOS PÊLOS, SÍNDROME DO RESTO OVÁRICO:

"A ovariosalpingohisterectomia (OSH) é o método cirúrgico de escolha para a esterilização da cadela e gatas [1,4]. Existe a vantagem adicional da redução do risco de neoplasias mamárias se realizada antes do 1º ou 2º ciclo estral [2] e ainda elimina o risco de piometra e pseudogestação. Esta intervenção apresenta efeitos colaterais como, incontinência urinária, obesidade, vulva infantil, alopecia, mudança da cor e da textura dos pêlos, além de ser um método irreversível [4]. Dentre outras complicações existe também a Síndrome do Resto Ovárico.

A Sindrome do Resto Ovárico (SRO) ou Sindrome do Ovário Remanescente foi bem descrita nos cães e gatos [8,12], e aparentemente é a complicação menos frequente na rotina das OSHs das fêmeas de cães e gatos comparado com os casos descritos em humanos [9,12,13]. Animais com SRO apresentam sintomas relacionados com a produção endógena de hormônios pelo resto de tecido ovariano presente no abdomen.
"

Artigo científico: "Síndrome do resto ovárico."
Autora: Profa. Dra. Kellen de Sousa Oliveira, médica veterinária.
Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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OBESIDADE, INCONTINÊNCIA URINÁRIA, VULVA INFANTIL, ALOPECIA, MUDANÇA DA COR E DA TEXTURA DOS PÊLOS, ABCESSOS NA SUTURA, RISCOS DA ANESTESIA:

"Método cirúrgico - A ovariohisterectomia é o método cirúrgico de escolha para a esterilização da cadela (EVANS e SUTTON, 1989; CONCANNON, 1995;). Há vantagem adicional de redução do risco de neoplasias mamárias se realizada antes do 1° ou 2° ciclo estral (CONCANNON e MEYERS-WALLEN, 1991). A castração elimina ainda o risco de piometra e pseudogestação. Porém, esta intervenção apresenta efeitos colaterais como, incontinência urinária, obesidade, vulva infantil, alopecia, mudança da cor e da textura dos pêlos e abcessos na sutura, além dos riscos da anestesia (EVANS e SUTTON, 1989)."

Artigo científico: "Endocrinologia reprodutiva e controle da fertilidade da cadela - revisão."
Autores: Profa. Dra. Erika Christina Santos Oliveira, Prof. Dr. Antonio de Pinho Marques Júnior, Profa. Dra. Mariana Machado Neves, médicos veterinários.
Fonte: Universidade Federal do Paraná.
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OBESIDADE, INCONTINÊNCIA URINÁRIA, PANCREATITE, NEOPLASIA PROSTÁTICA, ALOPECIA, RETARDO DO FECHAMENTO DAS FISES DOS OSSOS LONGOS (RÁDIO/ULNA), HEMORRAGIA DO PEDÍCULO DO CORDÃO ESPERMÁTICO, EDEMA ESCROTAL E INFECÇÃO NO LOCAL DA INCISÃO:

"As complicações mais freqüentes que ocorrem após a orquiectomia incluem obesidade, incontinência urinária, pancreatites, neoplasias prostáticas e alopécia (Soares e Silva, 1998; Salmeri et al., 1991; Howe e Olson, 2000; Johnston et al., 2001). Howe e Olson (2000) relataram retardo do fechamento das fises dos ossos longos (rádio/ulna) em cães castrados com sete semanas de vida ou aos sete meses, sugerindo um ligeiro aumento da estatura dos animais quando comparados aos não-castrados. As complicações referentes ao pós-operatório incluem hemorragia do pedículo do cordão espermático, edema escrotal e infecção no local da incisão (Johnston et al., 2001). Os riscos da cirurgia e do procedimento anestésico devem ser considerados, principalmente em se tratando de pacientes pediátricos (Howe e Olson, 2000)."

Artigo: "Esterilização de cães com injeção intratesticular de solução à base de zinco."
Autora: Profa. Dra. Erika Christina Santos Oliveira, médica veterinária.
Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais.
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HIPOTIREOIDISMO:

"A castração é um fator predisponente, e isso tem sido associado ao efeito dos hormônios sexuais no sistema imune. A castração aumentaria assim a severidade da tireoidite auto-imune."

Artigo: "Transtornos da glândula tireóide."
Autora: Dra. Fabíola Peixoto da Silva Mello, médica veterinária.
Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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HIPOTIREOIDISMO:

"Essa disfunção hormonal acomete, principalmente, cães de médio ou grande porte, entre 4 e 8 anos de idade4. As raças mais predispostas são: Golden Retriever, Labrador, Dobberman, Cocker Spaniel, Poodle, Beagle, Chow chow5, Dachshund e Airedale6. Fêmeas castradas apresentam maior risco de acometimento. Dentre os sintomas clínicos manifestados, destacam-se: termofilia, intolerância a exercícios, ganho de peso7, letargia, depressão8, alterações tegumentares9,10, reprodutivas, cardiovasculares, neurológicas e musculares11, além do mixedema facial, caracterizado pela "facies tragica"12."

Artigo científico: "Hipotireoidismo na espécie canina: avaliação da ultra-sonografia cervical como metodologia diagnóstica."
Autores: Profa. Dra. Viviani De Marco e Prof. Dr. Carlos Eduardo Larsson, médicos veterinários.
Fonte: Fundação Medicina Veterinária.
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